domingo, 11 de agosto de 2019

AS VIRTUDES

Virtudes cardeais - Virtudes centrais. Fundamentais, orientadoras. 

1 - Prudência

É o reto agir, o bom senso, o equilíbrio. Cuida do lado prático da vida, da ação correta e busca os meios para agir bem. Prudência é o mesmo que sabedoria, previdência, precaução. O prudente é previdente e providente. É pessoa que abandona as preocupações e abraça as soluções. Deixa as ilusões e opta pelas decisões. Rejeita as omissões e se empenha nas ocupações. O lema dos prudentes é: “Ocupação sim, preocupação não.” A prudência coloca sua atenção na preparação dos fatos e eventos e nunca na precipitação nem no amadorismo ou improvisação. Ciência sem prudência é um perigo.

2 - Temperança

É o auto-controle, auto-domínio, renúncia, moderação. A temperança ordena afetos, domestica os instintos, sublima as paixões, organiza a sexualidade, modera os impulsos e apetites. Abre o caminho para a continência, a castidade, a sobriedade, o desapego. É próprio da temperança o cuidado conosco mesmo, com os outros e com a natureza. A temperança não permite que sejamos escravos, mas livres e libertadores e nos encaminha para o cumprimento dos deveres e para a maturidade humana. Sem renúncia não há maturidade. Grande fruto da renúncia é a alegria e a paz.

3 - Fortaleza

Faz-nos fortes no bem, na fé, no amor. Leva-nos a perseverar nas coisas difíceis e árduas, a resistir à mediocridade, a evitar rotina e omissões. Pela fortaleza vencemos a apatia, a acomodação e abraçamos os desafios e a profecia. É virtude dos profetas, dos heróis, dos mártires e dos pobres. A fortaleza dos mártires e a ousadia dos apóstolos, como também a força dos pequenos e dos fracos é um sinal do dom da fortaleza na vida humana e na história da Igreja. Hoje a fortaleza nos leva a enfrentar a depressão, o stress, o câncer, a AIDS, os golpes da vida. Grandes são os conflitos humanos, porém maior é a força para superá-los. A vida é luta renhida, dizia nosso poeta e a fé é um combate espiritual. “Coragem, Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).

4 - Justiça

Regula nossa convivência, possibilita o bem comum, defende a dignidade humana, respeita os direitos humanos. É da justiça que brota a paz. Sem a justiça nem o amor é possível. É a virtude da vida comunitária e social que se rege pelo respeito à igualdade da dignidade das pessoas. Da justiça vem a gratidão, a religião, a veracidade. Não se pode construir o castelo da caridade sobre as ruínas da justiça. Pelo contrário, o primeiro passo do amor é a justiça, porque amar é querer o bem do outro. A justiça é imortal (Sab 1,15). Esta virtude trata de nossos direitos e nossos deveres e diz respeito ao outro, à comunidade e à sociedade

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O SILÊNCIO

O SILÊNCIO 

Para fazer aos outros a vida amável, tão importante quanto à palavra cordial e o diálogo é o silêncio. A caridade para com o próximo exige saber calar. “Não abras a boca senão quando estiveres certo de que as tuas palavras serão mais belas que o teu silêncio”.

Silêncios medicinais

Existem muitas palavras que tornam desagradável a vida aos que escutam. São Paulo exorta assim os Efésios: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil e, sempre que for possível benfazeja aos outros” (Ef 4, 29). “Palavras más” não são apenas as palavras maldosas que ferem ou causam dano ao próximo (insulto, humilhação, calúnia, mentira [1]), mas as que – ainda que banais – de algum modo incomodam e tornam desagradável o convívio. É comum que bastantes pessoas se dediquem quase habitualmente a aborrecer os outros com a sua língua e nem suspeitem disso. Façamos um exame de algumas dessas possíveis palavras nossas, que estão precisando de que lhes apliquemos a medicina do silêncio.

a) Palavras emocionais:

Quantos repentes! Quantas respostas bruscas, quantas censuras de pequenas falhas, feitas na hora, quantas exclamações nervosas e pouco delicadas; quantas avaliações precipitadas (“então, você esqueceu!”); quantos comentários impensados e imprudentes tornam desagradável o relacionamento. É preciso lutar para exercitar-nos no silêncio medicinal. Segurar a língua é uma mortificação Santa e difícil, mas necessária. “O silêncio torna-nos melhores – dizia a grande educadora Lubienska de Lenval –, o silêncio é uma conquista de nós próprios”, um ato de autodomínio que pode ser alcançado pouco a pouco, com a Graça de Deus, se nos exercitamos em lutar por dominar a língua. Bem afirmava o místico alemão Tauler que “o silêncio é o anjo da guarda da fortaleza”. Só a alma espiritualmente forte consegue dominar emoções que espirram em palavras impensadas.

b) Torrentes de palavras:

A loquacidade incontrolada, a tagarelice da pessoa que fala, fala, fala, e não deixa falar, não escuta, nem se apercebe de que está sufocando os demais. “Depois de ver em que se empregam , por completo, muitas vidas (língua, língua, língua, com todas as suas consequências), parece-me mais necessário e mais amável o silêncio” (Livro – Caminho – Ponto nº. 447). O filósofo Kirkegaard deve ter sofrido com esses tsunamis verbais, porque, já cansado, dizia: “Se eu fosse médico e me pedissem um conselho, responderia: “calem-se; façam calar os homens”. A muitos faria bem propor-se repetir todos os dias – e até muitas vezes ao dia – aquela oração do Salmo: “Senhor, ponha uma sentinela na minha boca!” (Sl 39, 2 Vg).

c) Palavras vaidosas:

Há pessoas que sempre tem que meter “colherada” e dar a sua opinião em tudo, mesmo que ninguém a peça. Pessoas que cortam a palavra dos outros e fazem prevalecer a deles para demonstrar que o outro está mal informado, ou sabe pouco, ou não sabe se explicar bem, ou não tem razão, ou diz um disparate. É muito desagradável a atitude das pessoas que se obstinam “em ser o sal de todos os pratos” (Livro – Caminho – Ponto nº 48), e passam a vida dando “lições magistrais” sobre todos os assuntos de conversa. Aí já não se trata somente de lutar para controlar a língua, mas de pedir a Deus que nos ajude a aprofundar seriamente na virtude da humildade, pois o vício de “pontificar” é vaidade e orgulho.

d) Palavras secas:

Há pessoas que habitualmente falam de modo, seco, áspero, cortante e breve. Se alguém as adverte, retrucam: “Mas eu não tenho raiva de ninguém, não estou zangado, é o meu modo de falar”. A resposta é: “É justamente este ‘seu modo’ antipático que tem que mudar, se você quer fazer a vida agradável aos outros vivendo a caridade cristã. Um pouco de suavidade afetuosa não lhe faria mal nenhum”.

Os silêncios do Amor

Os silêncios do Amor são muitos. Não vamos falar de todos os “belos silêncios”. Apenas vamos pensar em dois:

a) O silêncio caracterizado pela Atenção:

É a capacidade (a amabilidade) de escutar em silêncio, sem interromper. Já víamos que essa atitude é de respeito pelo outro e de caridade cristã. E dá alegria ao que, em boa fé, está a conversar conosco. Além disso, há pessoas muito solitárias que precisam, mais do que do alimento, de um coração que as escute com interesse. Gosto de lembrar de uma história: “Havia um Padre novinho que ia visitar com frequência – por razões de trabalho – um Bispo idoso, que gostava de contar coisas da sua infância e juventude. Nas entrevistas, ele falava o tempo todo, e o Padre o escutava sem dizer nenhuma palavra, com um silêncio reverencial. Passados uns tempos, o Padre ficou impressionado quando soube, por outro Padre amigo, que o Bispo dissera que tinha “conversas muito agradáveis com um jovem Padre que ia visitá-lo”, se a única coisa que o Padre fazia era escutar!

b) O sacrifício silencioso:

É maravilhosa a pessoa que sabe sofrer e sacrificar-se em silêncio, sem queixar-se nem por palavras, nem por olhares, nem por gestos. Há muitas pessoas santas, que nunca reclamam: “nem da dor, nem do tempo, nem da comida, nem da doença”. Como é agradável o convívio com estas Santas pessoas. Elas fazem lembrar a atitude de Jesus durante a Paixão. Sofria e Calava, por amor a nós. No meio de dores e injustiças brutais, Jesus, no entanto, permanecia calado (Mt 26, 63). Há casos heroicos, verdadeiros reflexos de Cristo na Paixão [2]. E há casos simples (também heroísmos ocultos) que podem ser imitados por todos. No mosteiro de Lisieux, onde morava Santa Teresinha, havia uma freira que, sem se aperceber disso, tinha constantemente atitudes e comentários desagradáveis. Santa Teresinha propôs-se escutá-la e aceitar as suas inconscientes impertinências com grande paciência e sempre sorrindo. E a outra, ingênua como ela só, acabou comentando: “Não sei o que vê a irmã Teresa, que gosta tanto de mim”. Não poderíamos encerrar bem esta formação se nos esquecêssemos de falar do principal: “que os maravilhosos silêncios de Amor que fazem a vida agradável ao próximo, só podem nascer de outro silêncio profundo, de um silêncio que purifica, aquece e transforma o coração: o silêncio com Deus, o silêncio da meditação, da oração íntima, continua e cheia de Amor, de humildade e de fé”. Lutemos para repetir o que escrevia “Ernest Psichari”, após a sua conversão: “A esses grandes espaços de silêncio – de silêncio com Deus – que atravessam a minha vida, devo eu afinal tudo o que em mim possa haver de bom. Pobres daqueles que não conheceram o silêncio! Porque o silêncio é o mestre do Amor”.

DIES IRAE

Dies Irae "Dia de Ira" é um hino, em latim, do século XIII. Foi escrito por Tomás de Celano. Sua inspiração é Bíblica - Sofonias 1,15–16, da tradução para o latim da Vulgata.

DIES IRAE

Dia da Ira, aquele dia em que os séculos dissolver-se-ão em cinza, será David com a Sibila por testemunha!
Quanto terror está prestes a ser, quando o Juiz estiver para vir, em vias de julgar tudo severamente!
A trombeta espargindo um som miraculoso pelos sepulcros da região, conduzirá todos diante do trono.
A morte ficará paralisada, também a natureza, quando ressurgir a criatura prestes a responder ao que está julgando.
O Livro escrito será proferido, em que tudo está contido, de onde o mundo será julgado.
Quando, pois, o juiz se assentar tudo oculto revelar-se-á, nada permanecerá sem castigo!
O que, então, estou em vias de dizer, eu infeliz?
A que paráclito, patrono estou prestes a rogar, quando apenas o justo esteja seguro?
Rei de tremenda majestade, que salvas os que devem ser salvos gratuitamente, salva-me, ó fonte de piedade.
Recorda, piedoso Jesus, que sou a causa de tua Via: Não me percas nesse dia.
Buscando-me, sentaste exausto, sofrendo na Cruz, redimiste me, que tamanho trabalho não seja em vão.
Juiz justo da vingança, dai-me do dom da remissão dos pecados, antes do dia do julgamento.
Gemo, tal qual um réu: Minha culpa enrubesce-me o semblante, poupa a quem está suplicando, ó Deus!
Tu que perdoaste a Maria Madalena, e ouviste atento ao ladrão, também a mim deste esperança.
Minhas preces não são dignas, mas, tu és bom, age com bondade, para que eu não seja queimado pelo fogo eterno.
Entre as ovelhas dispõe um abrigo, retira-me para longe dos bodes, coloca-me de pé à Vossa direita; condenados os malditos, e lançados nas flamas ardentes, chamai-me com os benditos.
Oro-Vos, rogo-Vos de joelhos, com o coração contrito em cinzas, cuidai do meu fim.
Lacrimoso aquele dia no qual, das cinzas, ressurgirá, para ser julgado, o homem réu.
Perdoai-os, Senhor Deus
Piedoso Senhor Jesus, dai-lhes descanso eterno.
Amém!

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Padre Francesco Bemonte

Padre Francesco Bemonte - Presidente da Associação Internacional de Exorcistas. São Pio de Pietrelcina, como também o beato carmelita e...