domingo, 1 de setembro de 2019

O AZEITE

Existe indubitavelmente uma espantosa analogia entre o azeite e o nome do Amado, pelo que a comparação apresentada pelo Espirito Santo não é arbitrária. A não ser que possais sugerir algo de melhor, afirmarei que o nome de Jesus possui semelhança com o azeite na tripla utilidade deste último, nomeadamente, para iluminar, na alimentação e como lenitivo. Mantém a chama, alimenta o corpo, alivia a dor. É luz, alimento e medicina. Observai como as mesmas propriedades podem ser encontradas no nome do noivo divino. Quando pronunciado fornece luz; quando meditado, alimenta; quando invocado, serena e abranda.

domingo, 11 de agosto de 2019

AS VIRTUDES

Virtudes cardeais - Virtudes centrais. Fundamentais, orientadoras. 

1 - Prudência

É o reto agir, o bom senso, o equilíbrio. Cuida do lado prático da vida, da ação correta e busca os meios para agir bem. Prudência é o mesmo que sabedoria, previdência, precaução. O prudente é previdente e providente. É pessoa que abandona as preocupações e abraça as soluções. Deixa as ilusões e opta pelas decisões. Rejeita as omissões e se empenha nas ocupações. O lema dos prudentes é: “Ocupação sim, preocupação não.” A prudência coloca sua atenção na preparação dos fatos e eventos e nunca na precipitação nem no amadorismo ou improvisação. Ciência sem prudência é um perigo.

2 - Temperança

É o auto-controle, auto-domínio, renúncia, moderação. A temperança ordena afetos, domestica os instintos, sublima as paixões, organiza a sexualidade, modera os impulsos e apetites. Abre o caminho para a continência, a castidade, a sobriedade, o desapego. É próprio da temperança o cuidado conosco mesmo, com os outros e com a natureza. A temperança não permite que sejamos escravos, mas livres e libertadores e nos encaminha para o cumprimento dos deveres e para a maturidade humana. Sem renúncia não há maturidade. Grande fruto da renúncia é a alegria e a paz.

3 - Fortaleza

Faz-nos fortes no bem, na fé, no amor. Leva-nos a perseverar nas coisas difíceis e árduas, a resistir à mediocridade, a evitar rotina e omissões. Pela fortaleza vencemos a apatia, a acomodação e abraçamos os desafios e a profecia. É virtude dos profetas, dos heróis, dos mártires e dos pobres. A fortaleza dos mártires e a ousadia dos apóstolos, como também a força dos pequenos e dos fracos é um sinal do dom da fortaleza na vida humana e na história da Igreja. Hoje a fortaleza nos leva a enfrentar a depressão, o stress, o câncer, a AIDS, os golpes da vida. Grandes são os conflitos humanos, porém maior é a força para superá-los. A vida é luta renhida, dizia nosso poeta e a fé é um combate espiritual. “Coragem, Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).

4 - Justiça

Regula nossa convivência, possibilita o bem comum, defende a dignidade humana, respeita os direitos humanos. É da justiça que brota a paz. Sem a justiça nem o amor é possível. É a virtude da vida comunitária e social que se rege pelo respeito à igualdade da dignidade das pessoas. Da justiça vem a gratidão, a religião, a veracidade. Não se pode construir o castelo da caridade sobre as ruínas da justiça. Pelo contrário, o primeiro passo do amor é a justiça, porque amar é querer o bem do outro. A justiça é imortal (Sab 1,15). Esta virtude trata de nossos direitos e nossos deveres e diz respeito ao outro, à comunidade e à sociedade

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O SILÊNCIO

O SILÊNCIO 

Para fazer aos outros a vida amável, tão importante quanto à palavra cordial e o diálogo é o silêncio. A caridade para com o próximo exige saber calar. “Não abras a boca senão quando estiveres certo de que as tuas palavras serão mais belas que o teu silêncio”.

Silêncios medicinais

Existem muitas palavras que tornam desagradável a vida aos que escutam. São Paulo exorta assim os Efésios: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil e, sempre que for possível benfazeja aos outros” (Ef 4, 29). “Palavras más” não são apenas as palavras maldosas que ferem ou causam dano ao próximo (insulto, humilhação, calúnia, mentira [1]), mas as que – ainda que banais – de algum modo incomodam e tornam desagradável o convívio. É comum que bastantes pessoas se dediquem quase habitualmente a aborrecer os outros com a sua língua e nem suspeitem disso. Façamos um exame de algumas dessas possíveis palavras nossas, que estão precisando de que lhes apliquemos a medicina do silêncio.

a) Palavras emocionais:

Quantos repentes! Quantas respostas bruscas, quantas censuras de pequenas falhas, feitas na hora, quantas exclamações nervosas e pouco delicadas; quantas avaliações precipitadas (“então, você esqueceu!”); quantos comentários impensados e imprudentes tornam desagradável o relacionamento. É preciso lutar para exercitar-nos no silêncio medicinal. Segurar a língua é uma mortificação Santa e difícil, mas necessária. “O silêncio torna-nos melhores – dizia a grande educadora Lubienska de Lenval –, o silêncio é uma conquista de nós próprios”, um ato de autodomínio que pode ser alcançado pouco a pouco, com a Graça de Deus, se nos exercitamos em lutar por dominar a língua. Bem afirmava o místico alemão Tauler que “o silêncio é o anjo da guarda da fortaleza”. Só a alma espiritualmente forte consegue dominar emoções que espirram em palavras impensadas.

b) Torrentes de palavras:

A loquacidade incontrolada, a tagarelice da pessoa que fala, fala, fala, e não deixa falar, não escuta, nem se apercebe de que está sufocando os demais. “Depois de ver em que se empregam , por completo, muitas vidas (língua, língua, língua, com todas as suas consequências), parece-me mais necessário e mais amável o silêncio” (Livro – Caminho – Ponto nº. 447). O filósofo Kirkegaard deve ter sofrido com esses tsunamis verbais, porque, já cansado, dizia: “Se eu fosse médico e me pedissem um conselho, responderia: “calem-se; façam calar os homens”. A muitos faria bem propor-se repetir todos os dias – e até muitas vezes ao dia – aquela oração do Salmo: “Senhor, ponha uma sentinela na minha boca!” (Sl 39, 2 Vg).

c) Palavras vaidosas:

Há pessoas que sempre tem que meter “colherada” e dar a sua opinião em tudo, mesmo que ninguém a peça. Pessoas que cortam a palavra dos outros e fazem prevalecer a deles para demonstrar que o outro está mal informado, ou sabe pouco, ou não sabe se explicar bem, ou não tem razão, ou diz um disparate. É muito desagradável a atitude das pessoas que se obstinam “em ser o sal de todos os pratos” (Livro – Caminho – Ponto nº 48), e passam a vida dando “lições magistrais” sobre todos os assuntos de conversa. Aí já não se trata somente de lutar para controlar a língua, mas de pedir a Deus que nos ajude a aprofundar seriamente na virtude da humildade, pois o vício de “pontificar” é vaidade e orgulho.

d) Palavras secas:

Há pessoas que habitualmente falam de modo, seco, áspero, cortante e breve. Se alguém as adverte, retrucam: “Mas eu não tenho raiva de ninguém, não estou zangado, é o meu modo de falar”. A resposta é: “É justamente este ‘seu modo’ antipático que tem que mudar, se você quer fazer a vida agradável aos outros vivendo a caridade cristã. Um pouco de suavidade afetuosa não lhe faria mal nenhum”.

Os silêncios do Amor

Os silêncios do Amor são muitos. Não vamos falar de todos os “belos silêncios”. Apenas vamos pensar em dois:

a) O silêncio caracterizado pela Atenção:

É a capacidade (a amabilidade) de escutar em silêncio, sem interromper. Já víamos que essa atitude é de respeito pelo outro e de caridade cristã. E dá alegria ao que, em boa fé, está a conversar conosco. Além disso, há pessoas muito solitárias que precisam, mais do que do alimento, de um coração que as escute com interesse. Gosto de lembrar de uma história: “Havia um Padre novinho que ia visitar com frequência – por razões de trabalho – um Bispo idoso, que gostava de contar coisas da sua infância e juventude. Nas entrevistas, ele falava o tempo todo, e o Padre o escutava sem dizer nenhuma palavra, com um silêncio reverencial. Passados uns tempos, o Padre ficou impressionado quando soube, por outro Padre amigo, que o Bispo dissera que tinha “conversas muito agradáveis com um jovem Padre que ia visitá-lo”, se a única coisa que o Padre fazia era escutar!

b) O sacrifício silencioso:

É maravilhosa a pessoa que sabe sofrer e sacrificar-se em silêncio, sem queixar-se nem por palavras, nem por olhares, nem por gestos. Há muitas pessoas santas, que nunca reclamam: “nem da dor, nem do tempo, nem da comida, nem da doença”. Como é agradável o convívio com estas Santas pessoas. Elas fazem lembrar a atitude de Jesus durante a Paixão. Sofria e Calava, por amor a nós. No meio de dores e injustiças brutais, Jesus, no entanto, permanecia calado (Mt 26, 63). Há casos heroicos, verdadeiros reflexos de Cristo na Paixão [2]. E há casos simples (também heroísmos ocultos) que podem ser imitados por todos. No mosteiro de Lisieux, onde morava Santa Teresinha, havia uma freira que, sem se aperceber disso, tinha constantemente atitudes e comentários desagradáveis. Santa Teresinha propôs-se escutá-la e aceitar as suas inconscientes impertinências com grande paciência e sempre sorrindo. E a outra, ingênua como ela só, acabou comentando: “Não sei o que vê a irmã Teresa, que gosta tanto de mim”. Não poderíamos encerrar bem esta formação se nos esquecêssemos de falar do principal: “que os maravilhosos silêncios de Amor que fazem a vida agradável ao próximo, só podem nascer de outro silêncio profundo, de um silêncio que purifica, aquece e transforma o coração: o silêncio com Deus, o silêncio da meditação, da oração íntima, continua e cheia de Amor, de humildade e de fé”. Lutemos para repetir o que escrevia “Ernest Psichari”, após a sua conversão: “A esses grandes espaços de silêncio – de silêncio com Deus – que atravessam a minha vida, devo eu afinal tudo o que em mim possa haver de bom. Pobres daqueles que não conheceram o silêncio! Porque o silêncio é o mestre do Amor”.

DIES IRAE

Dies Irae "Dia de Ira" é um hino, em latim, do século XIII. Foi escrito por Tomás de Celano. Sua inspiração é Bíblica - Sofonias 1,15–16, da tradução para o latim da Vulgata.

DIES IRAE

Dia da Ira, aquele dia em que os séculos dissolver-se-ão em cinza, será David com a Sibila por testemunha!
Quanto terror está prestes a ser, quando o Juiz estiver para vir, em vias de julgar tudo severamente!
A trombeta espargindo um som miraculoso pelos sepulcros da região, conduzirá todos diante do trono.
A morte ficará paralisada, também a natureza, quando ressurgir a criatura prestes a responder ao que está julgando.
O Livro escrito será proferido, em que tudo está contido, de onde o mundo será julgado.
Quando, pois, o juiz se assentar tudo oculto revelar-se-á, nada permanecerá sem castigo!
O que, então, estou em vias de dizer, eu infeliz?
A que paráclito, patrono estou prestes a rogar, quando apenas o justo esteja seguro?
Rei de tremenda majestade, que salvas os que devem ser salvos gratuitamente, salva-me, ó fonte de piedade.
Recorda, piedoso Jesus, que sou a causa de tua Via: Não me percas nesse dia.
Buscando-me, sentaste exausto, sofrendo na Cruz, redimiste me, que tamanho trabalho não seja em vão.
Juiz justo da vingança, dai-me do dom da remissão dos pecados, antes do dia do julgamento.
Gemo, tal qual um réu: Minha culpa enrubesce-me o semblante, poupa a quem está suplicando, ó Deus!
Tu que perdoaste a Maria Madalena, e ouviste atento ao ladrão, também a mim deste esperança.
Minhas preces não são dignas, mas, tu és bom, age com bondade, para que eu não seja queimado pelo fogo eterno.
Entre as ovelhas dispõe um abrigo, retira-me para longe dos bodes, coloca-me de pé à Vossa direita; condenados os malditos, e lançados nas flamas ardentes, chamai-me com os benditos.
Oro-Vos, rogo-Vos de joelhos, com o coração contrito em cinzas, cuidai do meu fim.
Lacrimoso aquele dia no qual, das cinzas, ressurgirá, para ser julgado, o homem réu.
Perdoai-os, Senhor Deus
Piedoso Senhor Jesus, dai-lhes descanso eterno.
Amém!

sábado, 20 de julho de 2019

O poder da Misericórdia

O PODER DA MISERICÓRDIA

Breve reflexão - O Padre e o assassino.
Um padre estava andando por uma estrada solitária em um dia quente, quando de repente dos arbustos salta um homem que o olha ameaçadoramente com uma arma na mão!
O homem diz ao padre:
"Eu matei 99 homens, e você será o 100º".
O padre diz a ele:
"Eu estou pronto para morrer; mas por favor, antes de atirar em mim, dá-me um pouco de água para beber. Estou com tanta sede".
O assassino ficou confuso por um momento, e então direcionou o padre, na mira de uma arma, a um riacho nos arbustos onde ele deu ao sacerdote água para beber. Enquanto o padre estava bebendo a água, o assassino morreu de um ataque cardíaco.
Os anjos do céu vieram para escoltar a alma deste assassino para o céu, mas os demônios disputaram com eles:
"Este homem assassinou 99 homens e cometeu muitos outros pecados menores. Sua alma pertence a nós".
Mas os anjos responderam aos demônios:
"Mas ele também realizou dois grandes feitos para o Evangelho de Cristo, que superaram todos os seus pecados veniais e mortais! Primeiro, ele confessou seus 99 assassinatos a um padre e, segundo, ele deu água a quem tinha sede".

domingo, 30 de junho de 2019

Nicolai Berdiaev

Nicolai Berdiaev, pensador religioso russo, nasceu em 1874 e morreu em 1948. Como alguns dos nobres de seu tempo, associou-se à causa revolucionária, no início do século, lutando contra a tirania czarista. Com a vitória da revolução soviética, Berdiaev foi nomeado professor de filo da Universidade de Moscou, mas foi exilado para Paris em 1922, diante da sua rebeldia em aceitar totalmente a doutrina marxista. Preocupou-se muito com a questão da liberdade individual. Escreveu "A Nova Idade Média", "Solidão e Sociedade" e "Escravidão e Liberdade", de onde foi adaptado este texto (capítulo II).
homem procura a liberdade. Dentro dele existe uma poderosa força que o empurra em direção à liberdade mas, no entanto, o ser humano facilmente despenca na escravidão.
Existem três condições humanas, três diferentes estruturas de consciência, distinguidas sob os nomes de "senhor", "escravo" e "homem livre". Senhores e escravos são correlativos. Não podem existir independentemente. O homem livre, porém, pode existir individualmente -possui suas próprias qualidades, sem estar preso a correlações de oposição.
O mundo da escravidão é o mundo do espírito que se aliena de si mesmo. A exteriorização é a fonte da escravidão, enquanto que liberdade é conseqüência da interiorização. No mundo objetivado em que vivemos, o homem só consegue ser relativamente livre e, não, absolutamente livre. Esta semi-liberdade resulta de conflitos e resistências às necessidades colocadas diante dele. A liberdade resultante da necessidade não é liberdade real, é apenas um elemento na dialética da necessidade.
O homem não deve almejar ser amo e senhor mas aspirar em converter-se em homem livre. A submissão de outros homens traz sempre a própria submissão. Quem escraviza é escravo. O amo é a figura do escravo ao contrário. Prometeu era um homem livre e um libertador, enquanto que o ditador é um escravo escravizador. A aspiração de poder é um desejo vil. Cristo é o protótipo do homem livre, César é o exemplo do escravo do mundo, submetido ao desejo de poder, percebendo apenas a vocação das massas para torná-lo senhor. Mas os servos também derrubam os amos e os césares. Liberdade é libertação não apenas dos opressores mas dos outros escravos igualmente. A condição de senhor é determinada por necessidades externas, não é uma imposição de personalidade, é uma injunção. Somente o homem livre é uma personalidade. Os demais são arranjos.
A queda do homem se expressa na sua inclinação para tiranizar. O homem tende à tirania, seja em grande ou pequena escala, se não como governante, como marido, pai. O homem tiraniza com ódio e com amor. Sobretudo, tiraniza-se a si próprio. Esta autotirania se manifesta através de uma falsa consciência de culpa. Uma consciência de culpa verdadeira tornaria o homem livre. Mas, atormentado por falsas culpas, produz insalubre auto-estima que o tiraniza nos projetos e visões. A exploração do homem pelo homem, que Marx considera o demônio fundamental da sociedade humana, é um derivativo, só ocorre quando se encontram homens dispostos intimamente a exercer este poder. Um homem verdadeiramente livre não deseja comandar os demais, mesmo que as condições o favoreçam. O líder das massas está no mesmo estado de servidão da massa - ele não tem existência autônoma alguma fora da massa. Sem os escravos, não se pode desempenhar o papel de senhor. Sem senhores, não há escravos. Este é um jogo duplo.
César - ditador, herói do desejo imperialista, não pode limitar-se nem interromper. Prossegue insaciavelmente sempre em direção à perdição, é um escravo do seu destino glorioso. Mas o homem pode ser escravizado também através de violências que não são físicas.
Sugestões e condicionamentos a que são submetidos homens desde sua infância fazem deles escravos. Um sistema educacional errôneo pode extrair totalmente de um homem sua capacidade de ser livre nos seus julgamentos e apreciações.
Violações, torturas e assassinatos são fraquezas. Não são poder. Os grandes valores da humanidade são sempre menosprezados. O policial e o sargento são sempre mais fortes do que poetas e filósofos. Escravos e senhores triunfam sempre sobre os homens livres, pois no mundo objetivado e exteriorizado ama-se o finito, ninguém agüenta o infinito.
A verdade está sempre ligada à liberdade. Escravidão está subordinada à negação da verdade. O amor à verdade é o triunfo sobre o medo escravizador. O homem primitivo pulsando dentro do homem moderno é dominado pelo medo. Medo e escravidão são passivos. A vitória sobre a escravidão é obtida com atividade criativa. O homem não vive apenas no tempo cósmico e histórico, mas também no tempo existencial. Vive igualmente fora da objetividade que construiu em torno de si, para aprisionar-se.
Homens livres têm uma responsabilidade: escravos não podem preparar um novo reinado, pois a revolta de escravos estabelece sempre novas formas de escravidão.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

São João Crisóstomo (345-407)

São João Crisóstomo (345-407) - Presbítero - Bispo Doutor da Igreja. 

Coloca-a no candelabro. 

Não há nada mais insensível do que um cristão que não se aplica em salvar os outros. Não podes argumentar sobre isto com o pretexto da pobreza: a viúva que deu as suas duas moedinhas levantar-se-ia para te acusar (Lc 21,2). Pedro também, pois dizia: Não tenho ouro nem prata (Act 3,6). Assim como Paulo, que era tão pobre que frequentemente passava fome e carecia de bens necessários (1Cor 4,11). Também não podes objetar com o teu nascimento humilde: também eles eram de modesta condição. A ignorância não te será melhor desculpa: também eles eram iletrados. Não invoques igualmente a doença: Timóteo era dado a frequentes indisposições (1Tim 5,23). Qualquer um pode ser útil ao seu próximo se quiser fazer aquilo que lhe for possível. 

Não digas que te é impossível reconduzir os outros ao bom caminho porque, se és cristão, é impossível que tal não se faça. Cada árvore carrega o seu fruto (Mt 7,17s) e, como não há contradição na natureza, o que dizemos é igualmente verdade, porque tal deriva da própria natureza do cristão. É mais fácil a luz ser trevas do que o cristão não brilhar.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Tomás de Kempis (1380-1471) - Monge.


Imitação de Cristo - Tomás de Kempis (1380-1471) - Monge.


Não se há de dar crédito a toda palavra nem a qualquer impressão, mas cautelosa e naturalmente se deve, diante de Deus, ponderar as coisas. As almas perfeitas, porém, não creem levianamente em qualquer coisa que se lhes conta, pois conhecem a fraqueza humana inclinada ao mal e fácil de pecar por palavras. 
Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião; sabedoria é também não acreditar em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou suspeitamos. Toma conselho com um varão sábio e consciencioso, e procura antes ser instruído por outrem, melhor que tu, que seguir teu próprio parecer. A vida virtuosa faz o homem sábio diante de Deus e entendido em muitas coisas. Quanto mais humilde for cada um em si e mais sujeito a Deus, tanto mais prudente será e calmo em tudo.

domingo, 23 de junho de 2019

São Padre Pio de Pietrelcina

O lugar do combate espiritual 

O lugar do combate entre Deus e Satanás é a alma humana em cada instante da vida. É por conseguinte necessário que a alma dê livre acesso ao Senhor, para que Ele a fortaleça de todas as maneiras e com todo o tipo de armas. Deste modo, a luz de Deus poderá iluminá-la, para melhor combater as trevas do erro. Revestida de Cristo (Gal 3, 27), da sua verdade e da sua justiça, protegida com o escudo da fé e da palavra de Deus, ela vencerá os seus inimigos, por muito poderosos que estes sejam (Ef 6, 13). Mas, para uma pessoa se revestir de Cristo, tem de morrer para si mesma.


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Os Fioretti de São Francisco

Os Fioretti de São Francisco - (Fioretti - Significa “florezinhas”. Elas foram escritas em italiano antigo do século XIV e eram Histórias contadas, passando dos discípulos de São Francisco até o século XIV, quando foram colocadas por escrito).

Como S. Francisco, por um mau pensamento que teve contra Frei Bernardo, ordenou ao Frei Bernardo que por três vezes lhe pisasse a garganta e a boca.

O devotíssimo servo do Crucificado, São Francisco, por causa da aspereza da penitência e contínuo chorar, ficara quase cego e quase não via o lume.

Uma vez, entre outras, partiu do convento, onde estava e foi ao convento onde vivia Frei Bernardo, para com ele falar das coisas divinas e, chegando ao convento, soube que ele estava na floresta em oração, todo enlevado e absorvido em Deus. Então São Francisco foi à floresta e o chamou: "Vem, disse, e fala a este cego"; e Frei Bernardo não lhe respondeu nada, porque, sendo homem de grande contemplação, tinha a mente suspensa e enlevada em Deus, e porque tinha a graça singular de falar de Deus, como São Francisco tinha por vezes experimentado: e portanto desejava falar com ele.

Depois de algum tempo, chamou-o do mesmo modo, segunda e terceira vez; e de nenhuma vez Frei Bernardo o ouviu, por isso não lhe respondeu e não se foi a ele. Pelo que São Francisco se partiu um pouco desconsolado; maravilhando-se e lastimando-se só consigo de que Frei Bernardo, chamado por três vezes, não lhe fora ao encontro.

Partindo-se com este pensamento, São Francisco, quando se afastou um pouco, disse ao seu companheiro: "Espera-me aqui". Distanciou-se para um lugar solitário e, pondo-se em oração, rogava a Deus que lhe revelasse por que Frei Bernardo não lhe havia respondido; e assim estando, veio uma voz de Deus que lhe disse assim: "Ó pobre homenzinho, por que estás perturbado? deve o homem deixar Deus pela criatura? Frei Bernardo, quando o chamaste, estava junto de mim; e portanto não podia vir ao teu encontro, nem te responder; não te admires, pois, de que ele te não pudesse responder; porque estava tão fora de si que de tuas palavras nada escutou". Tendo tido São Francisco esta resposta de Deus, imediatamente com grande pressa voltou a Frei Bernardo, para acusar-se humildemente do pensamento que tivera contra ele.

E Frei Bernardo, vendo-o vir para ele, foi-lhe ao encontro e lançou-se-lhe aos pés. Então São Francisco o fez levantar-se e referiu-lhe com grande humildade o pensamento e a perturbação que tivera contra ele, e como Deus lhe havia respondido, assim concluindo: "Ordeno-te pela santa obediência que faças o que te mandar".

Temendo Frei Bernardo que São Francisco lhe ordenasse alguma coisa excessiva, como fazia com frequência, quis honestamente esquivar-se desta obediência, e assim respondeu: "Estou pronto a obedecer-vos, se me prometerdes de fazer o que eu vos ordenar a vós". E prometendo São Francisco, Frei Bernardo disse: "Ora, dizei, pai, o que quereis que eu faça".

Então disse São Francisco: "Ordeno-te pela santa obediência que, para punir a minha presunção e a ousadia do meu coração, quando eu me deitar de costas, me ponhas um pé na garganta e outro na boca e assim passes sobre mim três vezes, envergonhando-me e vituperando-me e especialmente dizendo-me: 'Jaz para aí, vilão filho de Pedro Bernardone: de onde te vem tanta soberba, vil criatura que és?"' Ouvindo isto, e bem que lhe custasse muito a fazê-lo, no entanto por santa obediência, o mais cortesmente que pôde, realizou o que S. Francisco lhe ordenara.

Isto feito, disse São Francisco: "Ora, ordena-me o que queres que eu faça; porque te prometi obedecer". Disse Frei Bernardo: "Ordeno-te pela santa obediência que, todas as vezes que estivermos juntos, me repreendas e corrijas asperamente dos meus defeitos".

Do que São Francisco muito se maravilhou; porque Frei Bernardo era de tanta santidade que ele lhe tinha grande reverência e não o reputava repreensível em coisa nenhuma; e por isso dali em diante São Francisco evitava de estar muito com ele, pela dita obediência, a fim de não dizer alguma palavra de correção contra ele, o qual reputava de tanta santidade; mas, quando sentia vontade de vê-lo ou de ouvi-lo falar de Deus, dele se separava o mais depressa possível e se partia; e era motivo de grande devoção ver-se com que caridade e reverência e humildade o santo Pai Francisco tratava e falava com Frei Bernardo, seu filho primogênito.

Em louvor e glória de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.

São Bernardo de Claraval (1090-1153)

São Bernardo de Claraval (1090-1153).

"Existe indubitavelmente uma espantosa analogia entre o azeite e o nome do Amado, pelo que a comparação apresentada pelo Espirito Santo não é arbitrária. A não ser que possais sugerir algo de melhor, afirmarei que o nome de Jesus possui semelhança com o azeite na tripla utilidade deste último, nomeadamente, para iluminar, na alimentação e como lenitivo. Mantém a chama, alimenta o corpo, alivia a dor. É luz, alimento e medicina. Observai como as mesmas propriedades podem ser encontradas no nome do noivo divino. Quando pronunciado fornece luz; quando meditado, alimenta; quando invocado, serena e abranda".

Miguel de Molinos (1628-1697)

Miguel de Molinos (1628-1697) - Místico e Sacerdote Católico - Conhecido pelo estabelecimento e sistematização do Quietismo.

O Quietismo sustenta que a alma deve fazer silêncio, deve praticar a quietude total para chegar a Deus. Neste estado de "quietude" proposto pela escola de Molinos, a mente fica completamente inativa, já não pensa ou quer por conta própria, mas permanece passiva, enquanto Deus opera nela.

Segundo o filósofo alemão Frithjof Schuon, o Quietismo de Molinos apresenta traços do qual podem ser encontrados em São Francisco de Sales, Doutor da Igreja e autor do clássico da espiritualidade cristã Filoteia: Introdução à vida devota.

Pensamento do Padre Miguel de Molinos:

“Veste-te desse nada, dessa miséria, e procura que essa miséria e esse nada seja teu contínuo sustento e morada, até aprofundar-te nela; eu te asseguro que, sendo tu desta maneira o nada, seja o Senhor o todo em tua alma”.

Filoteu - O Sinaíta

Filoteu - O Sinaíta (Monge do Mosteiro de Batos e herdeiro do pensamento de São João Clímaco - Data desconhecida).

"Há uma guerra secreta, na qual os espíritos maus guerreiam contra a alma, por ação dos pensamentos.Como a alma é incorpórea, esses poderes do mal atacam-na imaterialmente, conforme sua natureza. Vê-se afrontarem-se armas e frentes de batalha, ciladas e combates terríveis; há lutas corpo a corpo, e as vitórias e derrotas são repartidas. Falta um único ponto de semelhança à guera espiritual: a declaração das hostilidades... Ela explode repentinamente, sem aviso prévio; por incursão nas profundezas do coração, surpreende a alma numa emboscada mortal. Por que esses assaltos? Para impedir-nos de cumprir a vontade de Deus, conforme a oração: 'SEJA REALIZADA A TUA VONTADE' (Mt 6, 10), isto é, os mandamentos. Quem guarda atentamente o espírito contra o erro, por meio da sobriedade, observa com perspicácia os assaltos e as contendas em torno das imaginações. Esse é o fruto de uma longa experiência".

terça-feira, 16 de abril de 2019

Saber acolher e perdoar

Acolher às desculpas dos outros.

Sabes bem desculpar e colorir as tuas ações, mas não queres atender às desculpas dos outros. Seria mais justo que te acusasses, e desculpasses o teu irmão. Se queres ser suportado, suporta tu os outros. Vê quão longe estás ainda da verdadeira caridade e humildade, que só sabe irritar-se e indignar-se contra si própria.

Não tem valor conviver com os que são bons e pacientes, pois isso agrada naturalmente a todos; qualquer pessoa quer a paz, e gosta mais dos que pensam como ela. Mas poder viver em paz com os duros e os maus, com os indisciplinados, com os que se opõem, isto é Nobre e grande Graça, ação Digna, Corajosa e Fecunda.

Aquele que melhor sabe sofrer, maior paz conseguirá, pois ele vence a si mesmo e vence o senhor do mal! Este homem é o amigo de Cristo e o Herdeiro do Céu.

Livro - "Imitação de Cristo", Livro II, cap. 3

segunda-feira, 15 de abril de 2019

A conversão é obra de um instante; a Santificação é tarefa de toda a vida

SÃO JOSEMARÍA ESCRIVÁ

A Quaresma coloca-nos agora diante destas perguntas fundamentais: progrido na minha fidelidade a Cristo, em desejos de santidade, em generosidade apostólica na minha vida diária, no meu trabalho quotidiano entre os meus colegas de profissão?
Cada um deve responder a estas perguntas sem ruído de palavras. E perceberá como é necessária uma nova transformação, para que Cristo viva em nós, para que a sua imagem se reflita sem distorções na nossa conduta.
Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me. Isso é o que Cristo nos repete ao ouvido, intimamente: a Cruz, cada dia. Não apenas - escreve São Jerônimo - no tempo da perseguição, ou quando se apresenta a possibilidade do martírio, mas em todas as situações, em todas as obras, em todos os pensamentos, em todas as palavras, neguemos aquilo que antes éramos e confessemos o que agora somos, já que renascemos em Cristo.
Estas considerações não são, afinal, senão o eco daquelas outras palavras do Apóstolo: É verdade que outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Comportai-vos como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste em caminhar com toda a bondade e justiça e verdade: procurando o que é agradável ao Senhor.
A conversão é obra de um instante; a santificação é tarefa de toda a vida. A semente divina da caridade, que Deus depositou em nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao Senhor. Por isso é indispensável que estejamos dispostos a recomeçar, a reencontrar - nas novas situações da nossa vida - a luz e o impulso da primeira conversão. Esta é a razão pela qual nos devemos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor, para que possamos conhecê-lo melhor e conhecer-nos melhor. Não existe outro caminho, se queremos converter-nos de novo.

Quem fala pouco de Jesus da sinal que ama pouco Jesus

Excerto do livro - A Verdadeira Esposa de Cristo - Santo Afonso de Ligório.

Estes justamente são os meios que o anjo insinuou a Sto. Arsênio, quando lhe disse: Se queres te salvar, retira-te à solidão, observa o silêncio, e descansa em Deus, andando sempre na sua presença. De cada um destes meios falaremos aqui distintamente.

1. Do silêncio.

Primeiramente, o silêncio é um grande meio para nos ajudar a sermos almas de oração, e nos dispor para tratarmos continuamente com Deus. É difícil achar uma pessoa espiritual, que fale muito. Todas as almas de oração amam o silêncio, o qual se chama guarda da inocência, defesa contra as tentações e fonte da oração; porque, no silêncio, conserva-se a devoção, e nele povoam o nosso espírito os bons pensamentos. S. Bernardo diz que o silêncio e a calma forçam, de certo modo, a alma a pensar em Deus e nos bens eternos. Por isso, os santos buscavam os montes, as grutas e os desertos, para acharem este silêncio, fugindo do tumulto do mundo, onde não se acha Deus, como foi mostrado a Elias. O monge Teodósio guardou o silêncio durante trinta e cinco anos; e S. João Silenciario, bispo feito monge, o observou por quarenta e sete anos, até a morte. Todos os santos, mesmo os que não foram solitários, amaram o silêncio.

Oh quantos bens traz consigo o silêncio! É ele que cultiva a justiça nas almas, disse o profeta. Com efeito, de um lado nos preserva de muitos pecados, impedindo as disputas, as maledicências, os ressentimentos, as curiosidades; e de outro nos faz adquirir muitas virtudes. Como pratica bem a mortificação a outro que se abstém de falar, reprimindo o desejo de contar um fato ou dizer uma graça que viria a propósito na conversação! Como exercita bem a doçura aquele outro que ouve as repreensões e injúrias, sem responder coisa alguma! É por isso que o mesmo profeta diz ainda: Vossa força estará no silêncio e na esperança. — Com o silêncio evitaremos as ocasiões de pecar, e pela esperança obteremos as graças divinas para vivermos bem.

Ao contrário, falando demais, sofreremos imensos prejuízos. Primeiramente, assim como com o silêncio conserva-se a devoção, assim também se perde com o falar demais. Por mais recolhida que tenha estado uma alma na oração, logo se achará distraída e dissipada como se não a tivesse feito, se depois dela se põe a falar demais. Quando se abre a boca de um forno quente, o calor se evapora logo. — S. Doroteu dá este aviso: Evitai a loquacidade, porque ela expulsa do espírito os bons pensamentos e o recolhimento com Deus.

É uma regra certa que a pessoa que fala muito com os homens, pouco fala com Deus; e o Senhor por sua vez pouco lhe falará, porque está escrito que quando quer conversar com uma alma a conduz à solidão. — Quando pois a alma quiser ouvir a voz de Deus, deve buscar a solidão. Se nos calarmos, acharemos a solidão, dizia a venerável Margarida da Cruz.

O Espírito Santo nos adverte além disso, que no falar muito não deixará de haver algum pecado. Enquanto fala e prolonga a conversa sem necessidade, aquela talvez pense que não cometeu nenhum defeito; mas, se depois se examinar bem, não deixará de achar alguma falta de murmuração, de imodéstia ou de curiosidade, ou ao menos algumas palavras supérfluas.

Quando falamos muito, ordinariamente cometemos mil defeitos. A língua é chamada por S. Tiago um mal universal. — E assim é, porque, como adverte um douto autor, a maior parte dos pecados provém do falar ou ter ouvido falar.

Eis a excelente regra dada por S. João Crisóstomo: Deve-se falar somente quando é mais útil falar do que calar. Dai este conselho: Ou calai-vos ou dizei coisas melhores do que o silêncio. Feliz aquele que, na hora da morte, pode dizer com o abade Pambo, que como refere o Padre Rodrigues, não se lembrava de ter proferido uma palavra que depois tivesse necessidade de se arrepender de ter dito. Ao invés, Sto. Arsênio dizia que muitas vezes se tinha arrependido de ter falado e nunca de ter calado. Por isso Sto. Efrem dava este aviso aos seus religiosos: Falai muito com Deus, e pouco com os homens.

O mesmo dizia Sta. Maria Madalena de Pazzi: Uma verdadeira serva de Jesus Cristo suporta tudo, trabalho muito e fala pouco.

Quando houverdes de falar, tende sempre cuidado de pesar o que ides dizer segundo este aviso de Espírito Santo: Faze uma balança para pesar as vossas palavras antes de proferi-las. Por isso dizia S. Bernardo: Antes que as palavras cheguem à língua, passem duas vezes pela lima do exame, afim de que se cale o que não convém falar. Isto explicava S. Francisco de Sales em outros termos, dizendo que, para falar sem defeito, seria preciso que cada um tivesse a boca fechada com botões; de modo que, devendo abri-la para falar, pensasse bem naquilo que haveria de dizer.

Quando, pois, houverdes de falar, considerai bem o seguinte:

1.º - A coisa que quereis dizer, para ver se não ofende a caridade, a modéstia ou a observância.

2.º - O fim pelo qual falais, porque, às vezes, alguns dizem coisas boas, mas com fim menos reto, como parecerem espirituais, ou passarem por pessoas engenhosas.

3.º - A quem falais: Se é aos vossos superiores, aos iguais, ou às inferiores, se é em presença de pessoas seculares, ou das educandas, que talvez possam escandalizar-se com o que dizeis.

4.º - O lugar em que falais: Se é no coro, na sacristia, nos corredores, etc.

5.º - A maneira com que deveis falar: com simplicidade, sem afetação; com humildade, evitando toda palavra soberba ou de vanglória; com doçura, sem nada dizer com impaciência ou ofensa do próximo; com moderação, não sendo o primeiro a responder em qualquer coisa que se proponha, principalmente se fordes o mais novo de todos; com modéstia, não interrompendo a que está falando. Demais, guardai-vos de qualquer palavra que cheire o mundo; evitai os risos imoderados; nem façais gestos inconvenientes.

Quem fala pouco de Jesus Cristo, dá sinal de que o ama pouco. Dizia Sta. Teresa: Nas conversações dos servos de Deus está sempre presente Jesus Cristo. Disto exatamente nos refere um singular exemplo do Padre Gisolfo, pio operário, na vida do venerável Padre Antônio de Colellis. Diz ele que o Padre Constantino Rossi, mestre dos noviços, viu um dia entreterem-se juntos dois daqueles, que mais tarde foram os Padres Antonio de Torres e Filippe Orilia; e notou no meio deles um outro jovem de aspecto belíssimo. Admirou-se o mestre de ver que os dois jovens, tidos por ele por exemplares, conversavam com um forasteiro sem licença; e perguntou-lhes depois quem era aquele jovem que vira a discorrer com eles. Os noviços lhe responderam que não estivera com eles ninguém de fora. Ouvindo, porém, o mestre que, na ocasião, estavam falando de Jesus Cristo, compreendeu que era o mesmo divino Salvador que se tinha deixado ver entre eles.

Lê-se nas crônicas da reforma de Sta. Teresa, que uma religiosa carmelita descalça dizia: É melhor falar com Deus, do que falar de Deus.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Homens que desprezaram a Fé Católica

HOMENS QUE DESPREZARAM A FÉ CATÓLICA

Relatos da hora da morte de homens que desprezaram a Fé e a Igreja:

David Hume gritou por ocasião de sua morte: 
"Estou nas chamas!"

Hobbes, um filósofo inglês, disse pouco antes de sua morte: 
"Estou diante de um terrível e abissal abismo de trevas."

Goethe exclamou na hora da morte: 
"Terrível e Amaldiçoada escuridão. Necessito de luz!"

Churchill morreu com as palavras: 
"Que tolo fui!"

Sobre NAPOLEÃO escreveu seu médico particular: 
“O imperador morreu solitário e abandonado. Sua luta de morte foi terrível!”

YAROSLAWSKI, presidente do movimento internacional dos ateus: 
“Por favor, queimem todos os meus livros. Eu vejo o Santo, eu vejo Deus e este é meu pior suplicio, ver quem eu veementemente neguei, saber que só por ele fui amado e não alcançá-lo!” 

CESARE BORGIA, um estadista: 
“Tomei providências para tudo no decorrer de minha vida, somente não para a morte e agora morro completamente despreparado.”

TALLEYRAND: 
“Sofro os tormentos dos perdidos.”

CARLOS IX (França):
 “Estou perdido, reconheço-O claramente.”

SIR THOMAS SCOTT, o antigo presidente da Câmara Alta inglesa (MAÇOM):
 “Até este momento, pensei que não havia nem Deus, nem inferno. Agora sei e sinto que ambos existem e estou entregue à destruição pelo justo juízo do Todo Poderoso.”

NIETZSCHE: 
“Realmente existe um Deus vivo, fui o mais miserável dos homens e me resta a destruição eterna!”

LÊNIN:
“Morreu em confusão mental, pedindo perdão pelos seus pecados a mesas e cadeiras sentindo seu corpo se decompor comido por vermes!”

A terrível morte de VOLTAIRE: 
"Ele morreu em grande agonia, pois nos últimos dias teve sérios ataques de hemoptise (tosse com expectoração de sangue) seguida de febre. 
Nos momentos finais gritava, se debatia, chamava por Deus e as vezes blasfemava contra Ele. Ora em voz lamentável, ora com o tom do remorso, e mais amiúde em acessos de furor exclamava: Jesus Cristo! Jesus Cristo! 
As pessoas na antecâmara tampavam os ouvidos. 
Voltaire gritava, se arranhava, se mordia e viu o Demônio no quarto, e gritava, chamava pelo Padre, até que em um derradeiro ataque de fúria, deu seu último suspiro e morreu com expressão de sufocado. 
Ainda antes da morte Voltaire, sentido um calor insuportável e falando que sua carne estava sendo assada em chamas, aos gritos de agonia, pegou de imediato um recipiente e bebeu de seu conteúdo em desespero, quais eram suas próprias fezes e urina. Ele, considerado o grande filósofo francês foi inimigo da Igreja e gastou toda a sua vida ridicularizando e tentando destruir a verdade do Evangelho de Cristo. No entanto, em seu leito de morte, Voltaire continuamente gritava que havia sido "abandonado por Deus e pelo homem". Ele sempre gritava em total desespero: "Oh! Cristo! Oh! Cristo! Jesus Cristo!" 
Seu médico estava tão aterrorizado que o abandonou. O amigo fiel de Voltaire, o marechal Rchelieu, outro cínico, ficou do mesmo modo tão assombrado que se retirou. Sua enfermeira, que fora contratada para cuidar dele, à medida que sua morte se aproximava, recusou continuar a sua carreira de enfermagem por causa do "temor de presenciar outra cena como a morte de Voltaire". Por fim, a enfermeira disse: “Por todo o ouro da Europa, não quero mais ver um infiel morrer!” 
Durante toda a noite ele gritou por perdão e faleceu com o corpo totalmente ferido pelo flagelo que aplicou sobre si mesmo!

Padre Pio de Pietrelcina

São Padre Pio amava o pecador, mas era intransigente com o pecado. Com frequência ele dizia aos penitentes:

“Asseguro, se você morrer neste estado de podridão, vai para o inferno”;

“Quando deixarás de fazer estas porcarias que assemelham-se às vontades dos demônios?”;

“Não sabes que é pecado mortal e que o inferno lhe aguarda se permanecer desta forma? Vai embora!”.

A multidão implorava, insistia, mas era difícil que ele mudasse de opinião ao menos que o penitente obedecesse o que ele ordenará. Ele não guardava a fisionomia de ninguém, fosse rico ou pobre, bonito ou feio, preto, branco ou amarelo, ele guardava viva em sua lembrança a fisionomia das almas. Ele se alegrava grandemente quando um destes, que antes estava perdido e decidia parar com os erros. Em muitas e muitas ocasiões ele ficava na porta da Igreja esperando que aquela alma chegasse, e ao chegar ele a tomava pelas mãos e conduzia-a, passando na frente de todos que ali estavam esperando por quase uma semana, e dizia a todos: "Está alma retorna à casa do Pai".


sexta-feira, 5 de abril de 2019

São Francisco de Assis

São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone - São Francisco de Assis Assis / 5 de julho de 1182 - 3 de outubro de 1226).

Não devemos ser sábios segundo a carne.

Não devemos ser sábios e prudentes segundo a carne, mas antes sejamos simples, humildes e puros. E mantenhamos nossos corpos em opróbrio e desprezo, pois somos por nossa própria culpa míseros e cheios de podridão, asquerosos e vermes, segundo diz o Senhor pelo Profeta: “Eu sou um verme, já não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe”. Nunca devemos aspirar a sobrepor-nos aos outros, mas antes sejamos por amor de Deus os servos e “súditos de toda criatura humana”.

E todos os homens e mulheres que assim agirem e perseverarem até o fim verão “repousar sobre si o Espírito do Senhor”, e Ele fará neles sua moradia permanente, e eles serão filhos do Pai celestial, cujas obras fazem. E eles são esposos, irmãos e mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma crente está unida a Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está nos céus. Somos suas mães, se com amor e consciência pura e sincera o trazemos em nosso coração e nosso seio e o damos à luz por obras santas que sirvam de luminoso exemplo aos outros. Como é honroso e santo ter no céu em Pai! Como é santo, consolador e deleitável ter no céu um esposo! Como é santo, e como é querido, agradável, aprazível, humilde, tranquilizador doce, amorável e sobre todas as coisas desejável ter tal irmão que entregou sua vida por suas ovelhas e por nós orou ao Pai, dizendo: Pai santo, guarda em teu nome os que me deste.

Pai, todos quantos no mundo me deste, eram teus, mas tu nos destes. E as palavras que me deste eu lhas dei a eles e receberam-nas e ficaram sabendo que em verdade saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. Rogo por eles, não pelo mundo. Abençoa-os e santifica-os. Também eu por causa deles me santifico a mim mesmo, para que eles sejam santificados para a união, como nós somos um. E quero, Pai, que, onde eu estiver, estejam eles comigo, para que vejam a minha glória no teu Reino.

quinta-feira, 28 de março de 2019

São João Crisóstomo

São João Crisóstomo (c. 345-407) - Presbítero de Antioquia - Bispo de Constantinopla - Doutor da Igreja

Sermão sobre o diabo tentador:

"Na sua penúria, ofereceu tudo o que possuía para viver".

Dou-te a conhecer os cinco caminhos da conversão: o primeiro é o arrependimento pelos nossos pecados; depois, o perdão concedido às ofensas do próximo; o terceiro consiste na oração; o quarto, na esmola; o quinto, na humildade.
Não fiques, pois, inativo, mas toma cada dia todos estes caminhos. São caminhos fáceis e não podes apresentar como pretexto a tua miséria.

Pois, mesmo que vivas na maior pobreza, podes abandonar a cólera, praticar a humildade, rezar assiduamente e arrepender-te dos teus pecados. Uma vez que estejas no caminho da conversão, dá o que possuis. Nem a pobreza vos impeça de cumprir este mandamento. Veja o exemplo da viúva que deu as duas moedas que tinha.

Esta é a maneira de curarmos as nossas feridas: apliquemos, pois, estes remédios. Tendo retomado a saúde da alma, aproximar-nos-emos da mesa santa e, com alegria, iremos ao encontro do Rei da Glória, Cristo. Ganhemos os bens eternos pela Graça, a Misericórdia e a Bondade de Jesus Cristo Nosso Senhor.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Santa Catarina de Sena


Livro - O Diálogo.

Santa Catarina de Senna.

Exortação de Deus: Não julgar o interior do homem

Quando estiveres orando diante de mim por alguém e acontecer de perceberes a luz da graça numa pessoa e em outra não, parecendo-te que esta última está envolta em trevas, não deves concluir que a segunda se acha em pecado mortal. Teu julgamento seria muitas vezes errado.

Outras vezes, ao pedires por uma mesma pessoa, de uma feita a verás luminosa e tua alma sentir-se-á fortalecida naquele amor de caridade pelo qual o homem participa do bem do outro; numa outra vez, o espírito daquela pessoa parecerá distante de mim, como que em trevas e pecado, fato que tornará penosa tua oração em seu favor, ao quereres conservá-la diante de mim.

Este último fato pode acontecer, às vezes, devido à presença de pecados naquele por quem oras; mas na maioria dos casos será por outras razões. Fui eu, Deus eterno, que me afastei da pessoa. Conforme expliquei ao tratar dos estados da alma (18.1.2), retiro-me das almas a fim de que elas progridam no meu amor. Embora a alma continue em estado de graça, ausento-me quanto às consolações e deixo o espírito na aridez, tristonho e vazio. Quando alguém ora por tal pessoa, costumo transmitir-lhe esses mesmos sentimentos. Quero que ambos, unidos, se entreajudem no afastamento da nuvem que pesa sobre aquela alma.

Como vês, filha querida, seria iníquo e digno de repreensão, se alguém julgasse que a alma está em pecado mortal somente porque a fiz ver envolta em dificuldades, privada de consolações espirituais que possuía antes. Tu e meus servidores deveis esforçar-vos por conhecer-vos melhor, bem como, por conhecer-me. Quanto a julgamentos semelhantes, deixai-os para mim. A mim, o que me pertence; vós, sede compassivos e desejosos de minha glória e da salvação dos outros homens. Manifestai as virtudes e repreendei os vícios, tanto em vós como nos outros, segundo a maneira como indiquei acima (24.5.1). Desse modo chegareis até mim, após entender e viver a mensagem do meu Filho, a qual consiste na preocupação consigo mesmo, não com os demais. É assim que deveis agir, se pretendeis praticar a virtude desinteressadamente e perseverar na última e perfeitíssima iluminação (24.3), repleta de desejo santo, isto é, de zelo pela minha glória e pela salvação do próximo.


domingo, 10 de março de 2019

Clemente de Alexandria ou Tito Flávio Clemente (150 - 215)

Clemente de Alexandria ou Tito Flávio Clemente (150 - 215) - Escritor - Teólogo - Apologista - Mitógrafo Cristão.

Simplicidade e Suficiência.

A simplicidade, com efeito, pensa na santidade, equilibrando os excessos, e por meio de quaisquer coisas, tira do supérfluo o necessário. É que o simples, como seu nome mesmo indica, não sobressai, nem se inflaciona, nem se exalta em coisa alguma; é sempre plana, suave, igual e não supérfluo e, por isso, suficiente. No entanto, a suficiência é certo hábito ou disposição pela qual se chega ao próprio, sem que nada falte nem sobre. A mãe da suficiência é a justiça; nutre a "autarquia" ou virtude de bastar-se a si mesmo, o que contribui para a vida feliz. Haja pois, em vossos pulsos o ornato santo, a facilidade em dar aos outros, e as obras do governo de vossa casa. E, é assim que, quem dá ao pobre, empresta a Deus (Pr 19, 17). E, As mãos dos valentes se enriquecem (Pr 10, 4). Valentes são os que depreciam o dinheiro, e não hesitam em dá-los aos necessitados. Que em teus pés apareça uma prontidão fervorosa para fazer o bem numa viagem à caminho da justiça. Os pendentes e colares serão o pudor e a temperança. Tais são as jóias que Deus funde.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O Menor, Aquele que se Esvaziou

Não obstante, o próprio Jesus se colocou entre os “anawin” (do hebraico, que quer dizer “aquele que se curva”, isto é, o pobre de espírito) e se ofereceu como modelo (Mt 11, 26), mais ainda, reconhecemos sua humildade radical em sua kenósis (do grego esvaziamento, aniquilamento) diante do projeto do Pai: “Ele existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome, para que, em o Nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua confesse: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai” (cf. Fl 2, 6-11).

De tudo que falamos podemos então entender como humilde aquele que se coloca como um “anawin” diante de Deus, confiante na Sua providência e servo diante dos irmãos. Diferente do soberbo, que confia apenas em si mesmo, o humilde, sabe que possui virtudes e que estas são provenientes de Deus para o bem do próximo. É por isto, por exemplo, que vai ensinar o Catecismo da Igreja Católica que a humildade é a virtude essencial para se possuir vida de oração (cf. n. 2559).
Resta-nos a pergunta: Como hei de chegar á humildade? A resposta imediata é: ‘Pela graça de Deus.’ Somente a graça divina nos pode dar a visão clara da nossa própria condição e a consciência da grandeza de Deus que da origem a humildade.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A Batalha contra a sensualidade

Quero, pois, que cada um de vós se divida em duas partes, como inimigas mortais uma da outra: a razão e a sensualidade. A razão deverá armar-se com a espada do ódio (pelo pecado) e do amor (pela virtude). Não deverá ser uma guerra feita de moleza, mas como vigor, porque ocorre matar a sensualidade, que nos faz perder a graça e nos afasta de Deus. Algumas vezes a sensualidade finge-se de morta, para cairmos em falta maior. Ela parecerá estar morta em nós, não sugerindo nenhuma tentação. Então nossas ações e pensamentos se elevam com fervor a Deus. Parece-nos estar no céu.

Mas, se enfraquecermos a luta, se depusermos a espada e nos descuidarmos, a sensualidade se erguerá mais forte do que nunca, fazendo-nos cair miseravelmente.

Quero que assumais essa guerra, meus filhos, com a intenção de nunca fazer a paz. Ao contrário, que continuamente aumentemos a batalha, dando à sensualidade o que lhe desagrada e jamais o que é do seu agrado. O cão de guarda da consciência dará latidos para acordar a razão, de maneira que o menor sentimento passe pelo coração, sem ser previamente avaliado pela razão. Assim, que nenhum sentimento errado fique sem ser punido e repreendido. A maldosa sensualidade deve ser escrava da razão e esta, sua senhora.

Mas, se fordes negligentes e tíbios, jamais vencereis esta inimiga, a sensualidade, nem os outros dois inimigos, o demônio e o mundo. Foi por isso que disse desejar vos ver lutadores fortes, e sempre vencedores. Coragem, filhos! Tomais aquela espada e conservai-a sempre nas mãos do livre-arbítrio até o dia da morte, pois naquele dia desaparecerá este último inimigo, deixado por Deus para nossa utilidade, ou seja, para que se adquiram as virtudes com suor e o auxílio da graça divina. Nada mais acrescento.

(Cartas de Santa Catarina de Sena - nº 332-3, págs. 1094 e 1095)


São Tomás de Villanueva



"Quem você teme, pecador, se já detestou os teus pecados? Como é possível condená-lo aquele que morreu para o salvar? Se você volta a seus pés, como o rejeitará aquele que veio do céu para procurá-lo quando você fugia dele?”


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Catecismo da Igreja Católica

cf. Catecismo da Igreja Católica - CIC § 1009.

"A obediência de Jesus transformou em bênção a maldição da morte."

Cristo deixou-nos o fecundo exemplo que através da "OBEDIÊNCIA" transformamos qualquer condição ou situação! Não existe fora da "OBEDIÊNCIA" nenhuma forma possível de transformação. Fora da "OBEDIÊNCIA" nos deparamos com enganos e ilusões!

CASTELO INTERIOR ¦ MORADAS

Santa Teresa de Ávila se apoia principalmente em quatro citações bíblicas:

“Na casa do meu Pai há muitas moradas” (João 14, 2) – Esta passagem, segundo a santa, evoca o “Castelo Interior”.

“Quem me ama guardará a minha palavra; meu Pai o amará e viremos a ele e nele faremos a nossa morada” (João 14, 23) – Está passagem é um resumo do itinerário espiritual que ela explica.

“Minhas delícias estão nos filhos dos homens” (Provérbios 8, 31) – Nesta passagem ela entende o Amor que Deus tem por nós.

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1, 26) – Nesta passagem ela explica que fomos criados para amar como Deus ama, porque Deus é amor. A vontade de Deus é que nós nos amemos como Ele nos ama.

A primeira morada é o portal de entrada na vida espiritual. Nós a cruzamos mediante a decisão de buscar a Deus em nós, apoiando-nos n’Ele, já que a pior das misérias, para Santa Teresa de Jesus, é viver sem Deus e até imaginar que podemos fazer o bem sem Deus. Os quatro frutos da primeira morada, que amadurecerão ao longo do nosso caminho espiritual, são a liberdade, a humildade, o desprendimento e, acima de tudo, a caridade, que é o fim e a culminação.

A segunda, terceira e quarta moradas permitirão aprofundar na vida espiritual entendida como caminho rumo a Deus, como busca de Deus e participação progressiva na vida divina. Este dom é gratuito, mas temos que estar determinados a recebê-lo e fazer desse recebimento o centro da nossa vida, purificando, assim, o lugar de nós onde habita Deus. 

É Deus quem nos faz passar de uma morada à outra, quando quer e da forma que quer.

A segunda morada diz respeito à purificação da nossa relação com o mundo. A arma utilizada para triunfar aqui é a fé em Cristo e a confiança na Sua vinda para nos libertar (cf. Gálatas 5, 1).

A terceira morada está ligada ao esclarecimento da relação com nós mesmos. Corremos o risco de ser como aquele jovem rico que teve um bom começo, mas que termina todo triste. O desafio desta terceira morada é reconhecer-nos como um “servo qualquer”, que recebe tudo de Deus.

A quarta morada aprofunda a nossa relação com Deus. Uma grande paz vai se instaurando progressivamente nas profundidades da nossa alma. A confiança, a humildade e a gratidão são realidades que vão sendo vividas cada vez mais profundamente.

A quinta morada marca uma transição. Não passamos da quarta à quinta da mesma forma que tínhamos passado da segunda à terceira ou da terceira à quarta. Consideramos a nossa vida não tanto como um caminho rumo a Deus, mas experimentamos Deus vivendo em nós, como explica a frase de São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim!” (Gálatas 2, 20). O desejo de amar é mais intenso; ao receber uma vida nova, perdemos os nossos antigos pontos de referência e as nossas seguranças habituais.

A sexta morada consiste nos “compromissos espirituais”. Há uma alternância de sofrimentos ligados ao sentimento de ausência de Deus e a experiências muito profundas da presença de Cristo. Aqui intervém uma dilatação ainda mais profunda do coração e do desejo de Deus. A arma utilizada aqui é sempre a volta à santa humanidade de Cristo: Jesus se une a nós em nossa debilidade humana para transformá-la, para revitalizar o nosso desejo de amar em comunhão com Ele.

A sétima morada, enfim, é o ponto de culminação definido pela união com Deus no “matrimônio espiritual”. Este matrimônio espiritual foi concedido a Santa Teresa de Jesus em 18 de novembro de 1572. A união com Deus é uma participação profunda no desejo de Deus de salvar todas as pessoas. Através do matrimônio espiritual, tudo fica transformado e se recebe um renovado desejo de viver assumindo a própria condição e os próprios compromissos terrenos de maneira ainda mais concreta e sem fugir da realidade.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Isaac o Sírio

Isaac o Sírio (século VII) - Monge perto de Mossul.

A ovelha perdida.

Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, não tenho um coração que empreenda partir à tua procura, nem arrependimento, nem ternura, nada daquilo que devolve aos filhos a sua herança. Mestre, não tenho lágrimas para Te implorar. Tenho o espírito obscurecido pelas coisas desta vida, sem forças para tender para Ti na sua dor. O meu coração permanece frio nas provas, sem que as lágrimas do amor por Ti consigam aquecê-lo. Mas Tu, Senhor Jesus Cristo, meu Deus, tesouro dos bens, dá-me um arrependimento total e um coração dorido, a fim de que parta à tua procura com toda a minha alma, pois sem Ti ficarei privado de todo o bem; ó bom Deus, dá-me a tua graça. Que o Pai, que, fora do tempo, na eternidade, Te gerou no seu seio, renove em mim as formas da tua imagem.
Eu abandonei-Te, não me abandones Tu. Saí de Ti; vem Tu à minha procura. Conduz-me às tuas pastagens; conta-me entre as ovelhas do teu rebanho eleito. Como a elas, alimenta-me com a erva verde dos teus mistérios divinos, cuja morada é um coração puro, esse coração que transporta em si o esplendor das tuas revelações, a consolação e a doçura daqueles que se esforçaram por Ti nos tormentos e nos ultrajes. Possamos ser dignos de tal esplendor, pela tua graça e o teu amor pelo homem, Tu, que és o nosso Salvador, Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém

Postagem em destaque

Padre Francesco Bemonte

Padre Francesco Bemonte - Presidente da Associação Internacional de Exorcistas. São Pio de Pietrelcina, como também o beato carmelita e...