quarta-feira, 25 de julho de 2018

Fazer a vida amável - O Silêncio

FAZER A VIDA AMÁVEL 

O SILÊNCIO 

Para fazer aos outros a vida amável, tão importante quanto à palavra cordial e o diálogo é o silêncio. A caridade para com o próximo exige saber calar. “Não abras a boca senão quando estiveres certo de que as tuas palavras serão mais belas que o teu silêncio”.

Silêncios medicinais

Existem muitas palavras que tornam desagradável a vida aos que escutam. São Paulo exorta assim os Efésios: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil e, sempre que for possível benfazeja aos outros” (Ef 4, 29). “Palavras más” não são apenas as palavras maldosas que ferem ou causam dano ao próximo (insulto, humilhação, calúnia, mentira [1]), mas as que – ainda que banais – de algum modo incomodam e tornam desagradável o convívio. É comum que bastantes pessoas se dediquem quase habitualmente a aborrecer os outros com a sua língua e nem suspeitem disso. Façamos um exame de algumas dessas possíveis palavras nossas, que estão precisando de que lhes apliquemos a medicina do silêncio.

a) Palavras emocionais:

Quantos repentes! Quantas respostas bruscas, quantas censuras de pequenas falhas, feitas na hora, quantas exclamações nervosas e pouco delicadas; quantas avaliações precipitadas (“então, você esqueceu!”); quantos comentários impensados e imprudentes tornam desagradável o relacionamento. É preciso lutar para exercitar-nos no silêncio medicinal. Segurar a língua é uma mortificação Santa e difícil, mas necessária. “O silêncio torna-nos melhores – dizia a grande educadora Lubienska de Lenval –, o silêncio é uma conquista de nós próprios”, um ato de autodomínio que pode ser alcançado pouco a pouco, com a Graça de Deus, se nos exercitamos em lutar por dominar a língua. Bem afirmava o místico alemão Tauler que “o silêncio é o anjo da guarda da fortaleza”. Só a alma espiritualmente forte consegue dominar emoções que espirram em palavras impensadas.

b) Torrentes de palavras:

A loquacidade incontrolada, a tagarelice da pessoa que fala, fala, fala, e não deixa falar, não escuta, nem se apercebe de que está sufocando os demais. “Depois de ver em que se empregam , por completo, muitas vidas (língua, língua, língua, com todas as suas consequências), parece-me mais necessário e mais amável o silêncio” (Livro – Caminho – Ponto nº. 447). O filósofo Kirkegaard deve ter sofrido com esses tsunamis verbais, porque, já cansado, dizia: “Se eu fosse médico e me pedissem um conselho, responderia: “calem-se; façam calar os homens”. A muitos faria bem propor-se repetir todos os dias – e até muitas vezes ao dia – aquela oração do Salmo: “Senhor, ponha uma sentinela na minha boca!” (Sl 39, 2 Vg).

c) Palavras vaidosas:

Há pessoas que sempre tem que meter “colherada” e dar a sua opinião em tudo, mesmo que ninguém a peça. Pessoas que cortam a palavra dos outros e fazem prevalecer a deles para demonstrar que o outro está mal informado, ou sabe pouco, ou não sabe se explicar bem, ou não tem razão, ou diz um disparate. É muito desagradável a atitude das pessoas que se obstinam “em ser o sal de todos os pratos” (Livro – Caminho – Ponto nº 48), e passam a vida dando “lições magistrais” sobre todos os assuntos de conversa. Aí já não se trata somente de lutar para controlar a língua, mas de pedir a Deus que nos ajude a aprofundar seriamente na virtude da humildade, pois o vício de “pontificar” é vaidade e orgulho.

d) Palavras secas:

Há pessoas que habitualmente falam de modo, seco, áspero, cortante e breve. Se alguém as adverte, retrucam: “Mas eu não tenho raiva de ninguém, não estou zangado, é o meu modo de falar”. A resposta é: “É justamente este ‘seu modo’ antipático que tem que mudar, se você quer fazer a vida agradável aos outros vivendo a caridade cristã. Um pouco de suavidade afetuosa não lhe faria mal nenhum”.

Os silêncios do Amor

Os silêncios do Amor são muitos. Não vamos falar de todos os “belos silêncios”. Apenas vamos pensar em dois:

a) O silêncio caracterizado pela Atenção:

É a capacidade (a amabilidade) de escutar em silêncio, sem interromper. Já víamos que essa atitude é de respeito pelo outro e de caridade cristã. E dá alegria ao que, em boa fé, está a conversar conosco. Além disso, há pessoas muito solitárias que precisam, mais do que do alimento, de um coração que as escute com interesse. Gosto de lembrar de uma história: “Havia um Padre novinho que ia visitar com frequência – por razões de trabalho – um Bispo idoso, que gostava de contar coisas da sua infância e juventude. Nas entrevistas, ele falava o tempo todo, e o Padre o escutava sem dizer nenhuma palavra, com um silêncio reverencial. Passados uns tempos, o Padre ficou impressionado quando soube, por outro Padre amigo, que o Bispo dissera que tinha “conversas muito agradáveis com um jovem Padre que ia visitá-lo”, se a única coisa que o Padre fazia era escutar!

b) O sacrifício silencioso:

É maravilhosa a pessoa que sabe sofrer e sacrificar-se em silêncio, sem queixar-se nem por palavras, nem por olhares, nem por gestos. Há muitas pessoas santas, que nunca reclamam: “nem da dor, nem do tempo, nem da comida, nem da doença”. Como é agradável o convívio com estas Santas pessoas. Elas fazem lembrar a atitude de Jesus durante a Paixão. Sofria e Calava, por amor a nós. No meio de dores e injustiças brutais, Jesus, no entanto, permanecia calado (Mt 26, 63). Há casos heroicos, verdadeiros reflexos de Cristo na Paixão [2]. E há casos simples (também heroísmos ocultos) que podem ser imitados por todos. No mosteiro de Lisieux, onde morava Santa Teresinha, havia uma freira que, sem se aperceber disso, tinha constantemente atitudes e comentários desagradáveis. Santa Teresinha propôs-se escutá-la e aceitar as suas inconscientes impertinências com grande paciência e sempre sorrindo. E a outra, ingênua como ela só, acabou comentando: “Não sei o que vê a irmã Teresa, que gosta tanto de mim”. Não poderíamos encerrar bem esta formação se nos esquecêssemos de falar do principal: “que os maravilhosos silêncios de Amor que fazem a vida agradável ao próximo, só podem nascer de outro silêncio profundo, de um silêncio que purifica, aquece e transforma o coração: o silêncio com Deus, o silêncio da meditação, da oração íntima, continua e cheia de Amor, de humildade e de fé”. Lutemos para repetir o que escrevia “Ernest Psichari”, após a sua conversão: “A esses grandes espaços de silêncio – de silêncio com Deus – que atravessam a minha vida, devo eu afinal tudo o que em mim possa haver de bom. Pobres daqueles que não conheceram o silêncio! Porque o silêncio é o mestre do Amor”.


terça-feira, 17 de julho de 2018

ESVAZIAMENTO - ANIQUILAMENTO

ANAWIN - KENÓSIS

Não obstante, o próprio Jesus se colocou entre os “anawin” (do hebraico, que quer dizer “aquele que se curva”, isto é, o pobre de espírito) e se ofereceu como modelo (Mt 11, 26), mais ainda, reconhecemos sua humildade radical em sua kenósis (do grego esvaziamento, aniquilamento) diante do projeto do Pai: “Ele existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome, para que, em o Nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua confesse: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai” (cf. Fl 2, 6-11). 

De tudo que falamos podemos então entender como humilde aquele que se coloca como um “anawin” diante de Deus, confiante na Sua providência e servo diante dos irmãos. Diferente do soberbo, que confia apenas em si mesmo, o humilde, sabe que possui virtudes e que estas são provenientes de Deus para o bem do próximo. É por isto, por exemplo, que vai ensinar o Catecismo da Igreja Católica que a humildade é a virtude essencial para se possuir vida de oração (cf. n. 2559).

Resta-nos a pergunta: Como chegaremos á humildade? A resposta imediata é: ‘Pela graça de Deus.’ Somente a graça divina nos pode dar a visão clara da nossa própria condição e a consciência da grandeza de Deus que da origem a humildade.


terça-feira, 10 de julho de 2018

São Padre Pio de Pietrelcina

São Padre Pio de Pietrelcina.

"O que é a felicidade se não a posse de todo tipo de bem! O que torna o homem totalmente feliz? Mas é possível nesta terra que alguém seja totalmente feliz? Não, claro que não. O homem teria sido totalmente feliz caso tivesse se mantido fiel ao seu Deus. Mas, uma vez que o homem está cheio de crimes, ou seja, cheio de pecados, nunca pode ser totalmente feliz nesta vida. Creia, apenas no Céu se encontra a felicidade: No Céu não há perigos de perder Deus, não há sofrimentos, não há morte, mas há a Eterna vida com Jesus Cristo.”

"Muitos filhos vem chorar suas desventuras e eu os acolho com terno Amor, mas poucos filhos choram verdadeiramente por seus inúmeros e pesados pecados. Muitos choram por que não conseguem o que desejam! Pobres Almas! Choram pelo que é efêmero, choram pelo que é pequeno e frágil como uma pedra de gelo diante do Sol."

”Exorto-vos a chorarem amargamente por suas misérias, chorarem intensamente por causa desta vida medíocre que levam. Chorem por terem levado o Cristo à Cruz por causa de seus pesados pecados e chorem ainda mais por açoitarem dia a dia o Cristo com suas pérfidas mentiras e falsidades. Chorem por verdades e não por mentiras as quais o mal semeia seus pequeninos corações. Arranquem este joio e plantem as sementes da verdade e reguem com abundantes e incessantes lágrimas este solo que é vosso coração. Rasgai o solo de vosso coração assim como se faz quando a terra é gradeada. Abra profundos sulcos doloridos e joguem lá as sementes da verdade e quando elas frutificarem verás quanto tempo perdeu chorando por mentiras e pérfidos sonhos. Estes frutos, os frutos da verdade darão sabor e sentido ás suas lágrimas!”


São Padre Pio de Pietrelcina

domingo, 8 de julho de 2018

Santo Isaac, o Sírio

COMENTÁRIO DE SANTO ISAAC O SÍRIO SOBRE O DEVIDO RESPEITO E OBEDIÊNCIA A AÇÃO DE DEUS NA VIDA DOS ESCOLHIDOS.

SANTO ISAAC O SÍRIO - DISCURSOS ESPIRITUAIS - 1ª SÉRIE DE DISCURSOS

INTRODUÇÃO - Está dito que só a ajuda de Deus salva. Quando um homem sabe que não há mais nenhum socorro, reza muito! E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde, porque não se pode rezar e pedir sem se ser humilde e sem se humilhar: “Não desprezarás, ó Deus, um coração oprimido e humilhado” (Sl 50,19). Com efeito, enquanto o coração não se torna humilde e se humilhar, é-lhe impossível escapar à dispersão; a humildade e a humilhação faz o coração virar-se sobre si mesmo.

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Padre Francesco Bemonte

Padre Francesco Bemonte - Presidente da Associação Internacional de Exorcistas. São Pio de Pietrelcina, como também o beato carmelita e...