segunda-feira, 12 de junho de 2017

São João Cassiano (360-435)

Nosso segundo combate é contra o espírito da prostituição e a concupiscência da carne, que começa a atormentar o homem desde a primeira idade. É um combate imenso e difícil, pois comporta uma dupla luta. Enquanto que os outros vícios são combatidos apenas na alma, este deve sê-lo simultaneamente na alma e no corpo: assim, é preciso travar contra ele um duplo combate. Com efeito, o jejum corporal não é bastante para adquirir a castidade perfeita e a verdadeira pureza, se não existir ao mesmo tempo também a contrição do coração, uma prece dirigida a Deus com perseverança, uma meditação contínua das Escrituras, a fadiga e o trabalho manual, tudo aquilo que pode reprimir os impulsos flutuantes da alma e desviá-la das imaginações vergonhosas. Mas, sobretudo, é preciso a humildade da alma, pois, sem ela, não é possível dominar a prostituição, tanto quanto os outros vícios.

É preciso, antes de mais nada, guardar com o maior cuidado o coração dos pensamentos impuros. Pois, como disse o Senhor, “é do coração que saem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição e todo o resto”. De fato, o jejum não nos foi ordenado apenas para atormentar o corpo, mas também para manter o intelecto sóbrio e vigilante; este, obscurecido pelo excesso de comida, é incapaz de supervisionar os pensamentos. Certamente, é preciso mostrar o maior zelo no jejum corporal, mas também na guarda dos pensamentos e na meditação espiritual; senão é impossível elevar-se ao cume da castidade e da pureza. É preciso então, como diz o Senhor, purificar primeiro o interior do copo e do prato, a fim de que o exterior fique puro.

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