quinta-feira, 1 de junho de 2017

Doutrina - Alguns termos utilizado na Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana

DOUTRINA.

Significado de alguns termos usados na Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana:
  • HERESIA. 
  • DOGMA. 
  • BLASFÊMIA. 
  • ANATEMA. 
  • SACRILÉGIO.
  • TRANSUBSTANCIAÇÃO.
  • EPICLESE.
  • ANAMNESE.
HERESIA:
Heresia significa escolha, opção, e é um termo com origem no grego haíresis Uma heresia consiste na negação ou dúvida pertinaz, por parte de um cristão, de alguma verdade que se deve crer com fé divina. As heresias apareceram ao longo da história da Igreja pela negação ou recusa voluntária de uma ou mais afirmações de fé. Por sua transcendência teológica e política, são destacadas as heresias relativas à:
  • Natureza e missão de Cristo:
Arianismo, nestorianismo e monofisismo entre outras;

Liberdade do homem e à ação de Graça:

Pelagianismo, protestantismo entre outras;

Em relação a luta entre o bem e o mal:

Maniqueísmo, catarismo entre outras;
  • Em relação á função, à vida e constituição da Igreja:
Valdenses, hussitas, protestantismo entre outras.

A partir do século IV os concílios ecumênicos passaram a ser o principal instrumento eclesiástico para a definição da ortodoxia e condenação das heresias e desde o século XVI a vigilância doutrinal passou a ser exercida pelo Santo Ofício desde 1908 e da Doutrina da Fé a partir de 1965. Em alguns casos a Igreja impõe penas canônicas, sendo que a mais importante é a excomunhão.
  • Heresias Cristológicas:
Heresias cristológicas são ideias e doutrinas a respeito de Jesus Cristo que vão contra os ensinamentos da Igreja Católica. Algumas dessas doutrinas heréticas são: Docetismo, adocionismo, arianismo, apolinarismo, nestorianismo, monofisismo e monotelismo.

DOGMA:
Dogma é um termo de origem grega que significa literalmente “o que se pensa é verdade”. Os dogmas proclamados pela Igreja Católica devem ser aceitos como verdades reveladas por Deus através da Bíblia. São irrevogáveis e nenhum membro da Igreja, nem mesmo o Papa, tem autoridade para os alterar. Os Dogmas da Santa Madre Igreja Católica são:
  • Dogmas sobre Deus:
A Existência de Deus;
A Existência de Deus como Objeto de Fé;
A Unicidade de Deus;
Deus é Eterno;
Santíssima Trindade.
  • Dogmas sobre Jesus Cristo:
Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência;
Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam;
Cada uma das duas naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria operação física;
Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus;
Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício;
Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua morte na cruz;
Ao terceiro dia depois de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos;
Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direita de Deus Pai.
  • Dogmas sobre a Criação do Mundo:
Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada;
Caráter temporal do mundo;
Conservação do mundo.
  • Dogmas sobre o Ser Humano:
O homem é formado por corpo material e alma espiritual;
O pecado de Adão se propaga a todos seus descendentes por geração, não por imitação;
O homem caído não pode redimir-se a si próprio.
  • Dogmas Marianos:
A Imaculada Conceição de Maria;
Maria, Mãe de Deus;
A Assunção de Maria;
A Virgindade de Maria.
  • Dogmas sobre o Papa e a Igreja: 
A Igreja foi fundada pelo Deus e Homem Jesus Cristo;
Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos e como cabeça visível de toda Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado de jurisdição;
O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja, não somente em coisas de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja;
O Papa é infalível sempre que se pronuncia ex catedra; A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes.
  • Dogmas sobre os Sacramentos:
Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo;
A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento;
A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo;
A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a salvação;
A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo;
Cristo está presente no sacramento do altar pela Transubstanciação de toda a substância do pão em seu corpo e toda substância do vinho em seu sangue;
A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo;
A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo;
O matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento.
  • Dogmas sobre as Últimas Coisas (Escatologia):
A Morte e sua origem; O Céu (Paraíso);
O Inferno; O Purgatório;
O Fim do mundo e a Segunda Vinda de Cristo;
A Ressurreição dos Mortos no Último Dia; O Juízo Universal.

BLASFÊMIA:
É uma ofensa direcionada a Deus, um insulto à Relegião e a tudo o que é sagrado. É a difamação do nome de Deus. Blasfêmia é também uma palavra ou ato injurioso contra qualquer pessoa.

ANATEMA:
É a excomunhão, execração, reprovação enérgica. Do grego “Anáthema” (coisa posta de lado), formada da preposição “aná” (de lado) mais “tithemí” (colocar).
Eis alguns espécimes de anatematismos pronunciados pelo Concílio de Trento em 1551:
"Se alguém negar que todos e qualquer um dos fiéis cristãos, de um e outro sexo, ao chegarem ao uso da razão, estão obrigados todos os anos a comungar ao menos na Páscoa, como manda a Santa Mãe Igreja, seja anátema" (cânon 9 do capítulo VIII do Decreto sobre a Eucaristia, em "A Fé Católica" nB 9149).
"Se alguém disser que só a fé é preparação suficiente para receber o sacramento da Santíssima Eucaristia, seja anátema" (cânon 10 do mesmo capítulo Decreto em "A Fé Católica" n3 9150).
"Se alguém disser que o cânon da Missa contém erros e, por isso, deve ser abolido, seja anátema" (cânon 6 do cap. VI do mesmo Decreto em "A Fé Católica" nB 9180).
  • Fundamentação Bíblica:
Etimologicamente falando, anátema é vocábulo grego que significa "o que é colocado no alto". No grego clássico designava a oferenda “votiva” ou os “ex-votos”, que, outrora como hoje estão nas paredes dos templos.
No Antigo Testamento o vocábulo ocorre por vezes com seu significado original. Mais frequentemente tem sentido totalmente diverso; deixa de ser uma oferenda sagrada, para tornar-se objeto maldito, destinado, em muitos casos, ao extermínio. Corresponde ao que os judeus chamavam "herém". Tal era o caso dos povos estrangeiros, inimigos de Israel e idólatras; ver Dt 7, 1-6; era o caso dos próprios israelitas quando cediam ao culto dos falsos deuses; cf. Dt 13, 12-17. Os animais e os objetos inanimados podiam também tornar-se anátema, caso servissem à idolatria; eram então entregues à destruição (cf. Lv 27, 28s) ou consagrados ao serviço do verdadeiro Deus; cf. Lv 27, 21.
Após o exílio (587-538 a.C.) as consequências do anátema eram menos rigorosas; quem fosse punido por tal pena era excluído da comunidade dos fiéis e perdia a posse dos seus bens; cf. Esdras 10, 8: "Quem não comparecesse dentro de três dias, veria todos os seus bens votados ao anátema e seria excluído da assembleia dos exilados".
No Novo Testamento a palavra "anátema" ocorre seis vezes. Conserva o sentido original de oferenda sagrada em Lc 21, 5:
"Como alguns estavam dizendo a respeito do Templo que era ornado de pedras preciosas e ofertas votivas, Jesus disse". Todavia mais frequentemente o anátema é objeto de maldição, como decorre de 1Cor 12, 3; 16, 22; Gl 1, 8s; Rm 9, 3. Em At 23, 14, o vocábulo faz parte de um modo de falar semita (Dt 13, 15; 20,17) que significa "desejar para si a maldição de Deus, isto é, comprometer-se solenemente sob pena de anátema".
"Foram procurados os chefes dos sacerdotes e os anciãos e disseram-lhes: Acabamos de jurar solenemente, isto é, sob anátema, que não tomaremos alimento enquanto não matarmos Paulo" (At23, 14).
Em suma, nota-se que o Novo Testamento segue a tradução do Antigo dita "dos LXX", atribuindo a anátema um sentido de punição.
Note-se ainda que o costume de excluir alguém da comunidade por motivo de seu comportamento foi herdado pelos cristãos a partir da sinagoga judaica, que praticava esse tipo de sanção; cf. Jo 9,22; 12,42; 16, 2; 1Cor 5, 9-11; 2Ts 3, 14; Cl 2, 5-11. Em Qumran os monges essênios (judeus) faziam o mesmo.
A exclusão não era pena meramente vingativa, mas tinha finalidade medicinal, visando proporcionar ao delinquente a ocasião de refletir e converter-se; tenha-se em vista o texto de São Paulo em 1Cor 5, 3-5:
"Quanto a mim, ausente de corpo, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim procedeu (mal). É preciso que, em nome do Senhor Jesus, estando vós e o meu espírito reunidos em assembleia, com o poder do Senhor Jesus, entreguemos tal homem a Satanás para a perda da sua carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor".
"Entregar a Satanás" significa, no caso, entregar ao poder que Deus outorga ao Adversário. Dessa punição o Apóstolo espera a conversão do delinquente.
Ocorrência semelhante acha-se em 2Cor 2, 5-11.
O próprio Senhor Jesus prevê a exclusão dos pecadores escandalosos em Mt 18, 16s:
"Toda a questão seja decidida pela palavra de duas ou três testemunhas. Caso não lhes der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano".
  • No Direito Canônico:
Nos textos mais antigos é difícil perceber o significado preciso de anátema e excomunhão; parecem ser sinônimos.
Pela primeira vez no Direito Eclesiástico aparece o vocábulo "anátema" no cânon 52 do Concílio regional de Elvira (Espanha) por volta do ano 300; o termo "excomunhão" ocorre também pela primeira vez no cânon 58 do mesmo Concílio; parece significar a privação da Eucaristia.
Em 567 o Concílio regional de Tours (França) utiliza os dois termos em sentido diverso; anátema é maldição severa, ao passo que excomunhão é simplesmente a exclusão da comunhão.
No século IX o cânon Engeltrudam entende excomunhão como privação do consórcio dos fiéis, ao passo que compreende o anátema como privação dos bens espirituais da Igreja ou do Corpo Místico de Cristo, o que explicita a gravidade da pena de exclusão.
Com o tempo caiu em desuso a palavra "anátema", de modo que hoje em dia só se fala de excomunhão para designar a privação não somente da Eucaristia, mas de todos os bens espirituais que a comunhão com o Corpo Místico de Cristo proporciona aos fiéis.
Distinguem-se uma da outra a excomunhão “latae sententiae” (decorrente da prática mesma do delito) e a excomunhão “ferendae sententiae” (dependente de processo judicial). À primeira categoria pertencem os seguintes delitos:

Profanação da S. Eucaristia (cânon 1367);
Violação do sigilo da confissão sacramental (cânon 1388 § 1s);
Violência cometida contra o Sumo Pontífice (cânon 1370);
Ordenação de Bispo sem autorização da Santa Sé (cânon 1382);
Absolvição de cúmplice em pecado contra o sexto mandamento (cânon 1378, § 1S);
Delitos de apostasia da fé, instauração de heresia ou cisma (cânon 1364);
Aborto (cânon 1398) – “O aborto está incluído neste rol, pois é o homicídio de um inocente que a sociedade contemporânea tende a banalizar”.

SACRILÉGIO:
Desrespeito às normas e preceitos da Religião; pecado cometido contra aquilo que é sagrado. Desonra e difamação direcionada as coisas sagradas.
Falta de respeito contra o que deveria ser respeitado e admirado; ato condenável.

TRANSUBSTANCIAÇÃO:
O concílio de Trento ensina a este respeito:
“Mas desde que Jesus Cristo Nosso Redentor, disse que era verdadeiramente seu corpo o que ele oferecia sob a espécie de pão, a Igreja de deus tem crido perpetuamente, e o mesmo declara agora de novo este mesmo Santo concílio, que pela consagração do pão e do vinho, se converte toda a substancia do corpo de nosso Senhor Jesus Cristo, e toda a substância do pão na substância de seu sangue, cuja conversão, a Igreja Católica chama oportuna e apropriadamente de Transubstanciação.” (Concílio de Trento Cap. IV. Da transubstanciação).
  • A este respeito também diz o Catecismo da Igreja Católica:
“Os sinais essenciais do Sacramento Eucarístico são o pão de trigo e o vinho de uva, sobre os quais é invocada a bênção do Espírito Santo, e o sacerdote pronuncia as palavras da consagração ditas por Jesus durante a ultima ceia: ‘Isto é o meu Corpo entregue por vós. Este é o cálice do meu Sangue (...)’” (CIC Parágrafo 1412).
“Por meio da consagração opera-se a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. Sob as espécies consagradas do pão e do vinho, Cristo mesmo, vivo e glorioso está presente de maneira verdadeira, real e substancial, seu Corpo e seu Sangue, com sua alma e sua divindade.” (CIC Parágrafo 1413).
A este respeito diz Santo Inácio de Antioquia (110 D.C):
Discípulo de Pedro e Paulo, segundo bispo de Antioquia e mártir durante o reinado de Trajano por volta de 107 d.C. Quando ele foi condenado à morte foi ordenado ir da Síria para Roma para ser martirizado. No caminho de Roma escreveu sete epístolas às igrejas de Éfeso, Magnésia, Trália, Filadélfia, Esmirna, Roma e uma carta a São Policarpo.
Em relação à Eucaristia Santo Inácio é sempre apresentada muito clara e nítida. Chama a Eucaristia de “remédio da imortalidade” e afirma categoricamente: “A Eucaristia é a carne e nosso Salvador Jesus Cristo”. Condena firmemente as Docetistas que afirmavam que Jesus não tinha um corpo real, mas apenas aparente, e por este erro, diz Santo Inácio, não queriam fazer parte da Eucaristia e morriam espiritualmente por se afastarem do dom de Deus.
“... para obedecermos ao bispo e ao presbitério numa concórdia indivisível, partindo um mesmo pão, que é o remédio da imortalidade, antídoto contra a morte, mas vida em Jesus Cristo para sempre.” (Epístola aos Efésios IX, 20).
“Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes.” (Epístola aos Filadelfios III).
“Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d’Ele, que é Amor incorruptível.” (Epístola aos Romanos VI ).
“Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando. Ser-lhes-ia bem mais útil praticarem a caridade, para também ressuscitarem.” (Epístola aos Esmirniotas VII).
“Por legítima seja tida tão somente a Eucaristia, feita sob a presidência do bispo ou por delegado seu. Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus também nos assegura a presença da Igreja Católica. Sem o bispo, não é permitido nem batizar nem celebrar o ágape. Tudo, porém, o que ele aprovar será também agradável a Deus, para que tudo quanto se fizer seja seguro e legítimo.” (Epístola aos Esmirniotas).

EPICLESE:
Na teologia cristã EPICLESE – (do grego antigo: ἐπίκλησις - epíklesis, fusão das palavras pí e kaleô: "chamar sobre") – é a oração de invocação que pede a descida do Espírito Santo nos Sacramentos. É especialmente importante e fundamental na missa, acontece depois do canto do Santo, em que o sacerdote pede que o Espírito Santo desça sobre a comunidade e as oferendas do pão e do vinho. O Catecismo da Igreja Católica possuí vários cânones e instruções sobre a necessidade e o meio de aplicar a epiclese. Notamos a Oração de EPICLESE nos momentos abaixo:

Epiclese na celebração da Unção enfermos – CIC 1519.
Epiclese na celebração do Matrimônio – CIC 1624.
Epiclese centro da celebração Eucarística – CIC 1106.
Oração "Pai-nosso" síntese da Epiclese – CIC 2770.

ANAMNESE:
Do grego “ana”, trazer de novo e “mnesis”, memória. Na teologia, é a parte da Missa onde se recorda – (de maneira vivencial, tornando presente) – a paixão, morte, ressurreição, ascensão de Cristo, na Oração eucarística. É o que diz o Missal no n. 55 da Instrução Geral sobre o Missal, p. 44.
Na anamnese – (recordação viva) – que segue, a Igreja faz memória da Paixão, da Ressurreição e da volta gloriosa de Cristo Jesus; ela apresenta ao Pai a oferenda de seu Filho que nos reconcilia com ele – CIC 1354


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