sábado, 5 de novembro de 2016

Tertuliano de Cartago - Apologista

Tertuliano de Cartago - Nome completo: Quintus Septimius Florens Tertullianus (160-220).

Certamente esta é a obra mais importante de Tertuliano, escrita no ano 197 e dirigida aos governantes do Império Romano. Tertuliano nasceu em Cartago no ano 155 dC e aí exercia sua profissão de advogado quando, em 193, converteu-se ao Cristianismo, passando a exercer também a atividade de catequista junto à Igreja.

Sua inteligência e sólida formação jurídica foram claramente demonstradas nesta obra, em que defende os cristãos, apelando por seu direito de liberdade religiosa, perante o Império Romano cruel e perseguidor. Seus argumentos são expostos de forma lógica e polêmica, visando o convencimento das autoridades a quem é dirigida, questionando a "justiça" aplicada contra os cristãos, transportando a apologética do terreno filosófico para o jurídico.

"Com admirável habilidade, Tertuliano censura os processos jurídicos, em voga, do Poder do Estado 'gentio' contra os cristãos: é suficiente o crime do 'nomem christianum' (nome cristão), para acarretar a condenação. A todos os criminosos concede-se o direito de defesa; aos cristãos, não. Àqueles, a tortura tenta arrancar uma confissão; aos cristãos, uma apostasia. As suspeitas iníquas espalhadas contra os cristãos, Tertuliano as repele como mentiras, expondo, em contraposição, o essencial concernente à fé cristã e à vida das comunidades. Concluindo, declara ser o Cristianismo uma filosofia; mas os filósofos gentios não são obrigados, como os cristãos, a sacrificar e podem até negar os deuses impunemente. Todavia, as crueldades gentílicas não prejudicarão os cristãos; ao contrário, 'o sangue dos cristãos é como semente que brota'"
(B.Altaner/A.Stuiber).

"Raramente um discurso de defesa cristão conhecera semelhante precisão de argumentos jurídicos, semelhante rudeza de ironia, semelhantes aspereza de lógica, onde os argumentos são desferidos como golpes certeiros, as fórmulas marteladas, os dilemas inelutáveis, sem concessões à posição dos poderes públicos ou dos filósofos. Para ele [Tertuliano] não basta convencer o adversário: arrasa-o, pisa-o, humilha-o"
(A.Hamman).

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Capitulo XX.

Para concluir nossa digressão, transmitimo-vos isto de maior importância. Apontamo-vos o poder de nossas Escrituras, se não por sua antiguidade, no caso de duvidardes que sejam tão antigas como dizemos, pela prova que damos de que são divinas. Assim, podereis vos convencer disso de uma vez por todas, sem que nos estendamos mais.

Vossos mestres, o mundo, a antiguidade e os acontecimentos estão todos à vossa vista. Tudo aquilo que vos cerca, estou na vossa dianteira anunciando. Tudo o que vos cerca e agora vedes foi previamente anunciado. Tudo o que agora vedes já foi anteriormente predito aos ouvintes humanos. A destruição de cidades da terra, a submersão de ilhas pelos mares, guerras que trouxeram convulsões internas e externas, o embate de reinos contra reinos, as epidemias de fome e de pestes, os massacres em certos lugares, as desolações disseminadas das mortalidades, a exaltação dos pobres e humildes sobre os orgulhosos, a decadência da honestidade, a disseminação do pecado, os instrumentos da ambição deslavrada dos bens, as próprias estações e atividades elementares naturais escapando a seus normais cursos, monstros e prodígios tomando o lugar de formas naturais - isso tudo foi previsto e predito antes que acontecesse. Enquanto sofremos as calamidades, estamos lendo sobre elas nas Escrituras. Se verificarmos, elas estão sendo confirmadas.

Sim, a verdade de uma profecia, julgo, é a demonstração de seu acontecimento posterior. Daí termos entre nós uma fé confirmada a respeito do eventos que vêm como coisas já confirmadas, porque foram preditas e igualmente cumpridas em nosso dia a dia. Elas foram proferidas pelas mesmas vozes, escritas nos mesmos livros - o mesmo Espírito as inspirou.

Constantemente há alguém predizendo os acontecimentos futuros. O tempo é um só para a profecia que prediz o futuro. Entre os homens, talvez, há uma distinção dos tempos, já que o seu cumprimento vem depois. Sendo eventos do futuro, nós os consideramos como presentes e, então, quando se fazem presentes, nós os consideramos como pertencendo ao passado. Como podemos ser censurados, dizei-nos, porque acreditamos nas coisas que virão como se já tivessem acontecido, com essas provas para nossa fé nesses dois instantes.
VIVAT CHRISTUS REX








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