sábado, 2 de julho de 2016

O mal da maledicência

O mal da maledicência.
São Tiago Capitulo 3 dando ênfase dos versículos 8 ao 18. 1. Meus irmãos, não haja muitos entre vós a se arvorar em mestres; sabeis que seremos julgados mais severamente, 2. porque todos nós caímos em muitos pontos. Se alguém não cair por palavra, este é um homem perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo. 3. Quando pomos o freio na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, governamos também todo o seu corpo. 4. Vede também os navios: por grandes que sejam e embora agitados por ventos impetuosos, são governados com um pequeno leme à vontade do piloto. 5. Assim também a língua é um pequeno membro, mas pode gloriar-se de grandes coisas. Considerai como uma pequena chama pode incendiar uma grande floresta! 6. Também a língua é um fogo, um mundo de iniquidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida. 7. Todas as espécies de feras selvagens, de aves, de répteis e de peixes do mar se domam e têm sido domadas pela espécie humana. 8. A língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero. 9. Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. 10. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim. 11. Porventura lança uma fonte por uma mesma bica água doce e água amargosa? 12. Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo a fonte de água salobra não pode dar água doce. 13. Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre com um bom proceder as suas obras repassadas de doçura e de sabedoria. 14. Mas, se tendes no coração um ciúme amargo e gosto pelas contendas, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. 15. Esta não é a sabedoria que vem do alto, mas é uma sabedoria terrena, humana, diabólica. 16. Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios. 17. A sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento. 18.O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz. São Tiago 4, 11. 11. Meus irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de seu irmão, ou o julga, fala mal da lei e julga a lei. E se julgas a lei, já não és observador da lei, mas seu juiz. O que é a maledicência. No dicionário encontramos as seguintes expressões sobre maledicência: “Qualidade de maldizente; ação maldizente; detração; difamação; murmuração; ladrado; maldizer”. Na Bíblia as palavras maldizentes e maledicência são consideradas como maldição e injustiça e encontram-se no mesmo nível dos males abominados por Deus. Entre outras passagens bíblicas, encontram-se citadas por São Paulo em I Cor 6, 9-10, referindo-se aos que "não herdarão o Reino de Deus". E ainda em Col 3, 8-9: "Deixai de lado todas essas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca, vós vos despistes do homem velho com seus vícios". É atitude considerada injusta por Deus e, portanto maléfica, uma vez que se trata do uso de palavras para dizer coisas más, falar mal de alguém que não está presente, denegrindo sua pessoa, sua vida! O mal dizer ou a maledicência é um ato injusto porque é uma traição. Mesmo que as coisas ditas sejam verdadeiras, desde que não declaradas na presença da pessoa que está sendo julgada - desnudada com palavras - é uma traição, é fruto de uma injustiça praticada contra ela. E o Senhor abomina essa atitude com palavras severas de exortação chamando de pecador quem age assim, conforme encontramos escrito no salmo 49, 16-17; 19-21: "Ao pecador porém, Deus diz: Porque recitas meus mandamentos e tens na boca as palavras da minha aliança. Tu que aborreces os meus ensinamentos e rejeitas as minhas palavras? Dás plena licença à tua boca para o mal e a tua língua trama fraudes. Tu te assentas para falar contra o teu irmão (alusão a Cristo – Somos irmãos de Cristo); cobres de calúnia o filho de tua mãe (alusão a Maria – Somo filhos de Maria). Eis o que fazes, e eu hei me calar? Pensas que eu sou igual a ti? Não, mas vou te repreender e te lançar em rosto teus pecados. Compreendei bem isto, vós que esqueceis de Deus". Com essa palavra tão dura o Senhor nos diz que não permite a maledicência, a difamação, a fofoca, pois tudo isso tem origem nas fontes do mal. E tudo que fazemos de mal ao irmão acaba por ferir o Senhor, o Sumo Bem! Esquecemos de Deus, como diz o salmo, nos deixando arrastar no pecado da língua que é, na verdade, falar do que transborda nosso coração. Jesus nos alertou sobre isso quando disse que "a boca fala do que transborda o coração" (Mat 12, 34). O que permito que encha o meu coração? Que pensamentos consinto nele? São Bernardo assim deixou escrito: "Não são os maus pensamentos que me fazem perder a Deus e sim os maus consentimentos". Pensar mal de alguém, fazer mau juízo de alguém é fruto da minha iniquidade. Mas aliciá-lo, permitir que ele me domine é fruto do meu pecado; fruto da minha natureza pecadora que me faz ver com "olho mau". E em vez de reconhecer a trave que está nos meus olhos, fico procurando "argueiros nos olhos dos irmãos", espalhando depois as malícias do que vejo. "Dando plena licença à minha boca para o mal" usando palavras maliciosas para com a minha língua que, segundo São Tiago, é "inflamada pelo inferno" (Tg 3, 6), contaminar os outros com o veneno da maledicência. Qual é a causa da maledicência, da difamação? A Palavra do Senhor nos responde levando-nos a compreender que falamos mal dos irmãos porque os julgamos através do que vemos e ouvimos, isto é, das aparências. O que também o Senhor nos exorta a evitar através dessas palavras vindas do coração de Jesus transbordante de compaixão pelos irmãos: "Não julgueis pelas aparências. Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo a ninguém" (Jo, 24; 8, 15). Por isso Ele escandalizou aqueles maledicentes (pra não dizer fofoqueiros), que se julgavam justos e condenavam e difamavam entre si a mulher que Lhe lavou os pés com lagrimas e enxugou com os cabelos. Com a “boca da qual destila mel” Jesus levantou Sua voz em defesa daquela mulher de má fama para falar com a “língua do amor”: "Deixai-a. Ela fez o que pode" (Mar 14, 6a; 8,a). "Não permitas à tua boca fazer pecar a tua a carne", está escrito em Eclesiastes 5, 5. Toda vez que deixo isso acontecer, toda vez que julgo alguém e espalho a outros esse julgamento, estou me deixando arrastar pelo mal. Estou dando ao senhor do mal, o Maligno, a oportunidade de regozijar-se por ver a minha língua sendo usada para os seus propósitos: Entristecer, dividir, destruir a paz e alegria dos corações. E se de tal forma isso tem acontecido, se em meu coração têm reinado os pensamentos maledicentes, sejam para fazê-los transbordar pela minha boca, ou para encher os meus ouvidos com a maledicência dos outros, estou correndo o perigo de que isso se transforme em vício, como tantos outros; o que torna mais difícil livrar-me das seduções do Maligno que quer promover a discórdias e a injustiças entre os irmãos. Principalmente entre aqueles que responderam ao chamado de Deus e se uniram para, como Igreja e na Igreja, testemunharem o Seu amor no mundo. "De uma mesma boca procede a benção e a maldição" (Tg 3, 10). Esse é um grande perigo que corremos por ter respondido ao chamado de Deus para seguir o Seu caminho e ajudar outros homens e mulheres a caminharem na Sua direção. Por isso é necessário saber o que diz a Palavra do Senhor em relação a este mal. Principalmente o que a Palavra diz em relação a “fazer comentários” a respeito dos irmãos de Comunidade Fraterna, para que não corramos o risco de horas pregar o nome de Deus e, em outras horas, permitir que o "veneno mortífero" se instale na língua e se espalhe através dela, arrastando os outros para a maldição. Colocando-se no lugar do irmão, como me sentiria ao saber que o meu nome e a minha pobreza humana, meus erros, meus pecados, estão passando de boca em boca? Por isso é importante estar alerta ao Senhor quando nos fala: Filho (a), "sê vigilante em todas as tuas obras e mostra-te prudente em tuas conversações. Não faças a ninguém o que para ti não desejas. Conserva sempre em teu coração o pensamento de Deus" (Tob 4, 16; 6). Essas palavras nos fazem entender que com o nosso coração cheio do pensamento de Deus não há lugar para os pensamentos maus sujando o coração com julgamentos e condenações. Todos somos fracos e pecadores, mas, todos somos amados por Deus com amor infinito e somos lavados e perdoados pelo Sangue de Cristo. O Senhor espera de nós o zelo pela imagem do irmão, pede a cada um de nós para honrar o irmão e não denegri-lo, feri-lo. Como se fará isso? Como vencer as tentações dos julgamentos e da maledicência? Com a Palavra o Senhor vem em nosso socorro e diz: "Orai sem cessar" (I Tess 5, 17); "Bendize o Senhor em todo tempo, e pede-Lhe para que sejam retos os teus caminhos e que tenham êxito todos os teus passos e todos os teus projetos" (Tob 4, 20). “Enchei-vos do Espírito e não satisfareis as obras da carne” (Gal 5, 16). Oremos: Obrigado, Senhor e Deus! Pedimos que nos inunde com Teu Espírito e faça de nossos corações o Teu altar para que nele seja rechaçado todo pensamento de julgamento e condenação que geram a maledicência. Consagramos a Ti Senhor nossas bocas e línguas para que por elas só transbordem palavras de bênçãos para edificar, pacificar e levar alegria a todos por quem morreste de Amor. Ensina-nos a amar os irmãos como a nós mesmos, como é o Teu desejo, e a resguardar com zelo a imagem de cada um que passar por nossas vidas. Ensina-nos a Te encontrar em cada um que Tu fizeste nosso irmão e irmã, ensina-nos a contemplar a Tua imagem refletida em suas faces! Amém!

VIVAT CHRISTUS REX 







Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

Padre Francesco Bemonte

Padre Francesco Bemonte - Presidente da Associação Internacional de Exorcistas. São Pio de Pietrelcina, como também o beato carmelita e...