sábado, 30 de julho de 2016

São Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino – Tratado sobre a temperança.

Pensamento tomista sobre a temperança e a curiosidade tratado na Suma Teológica II-II questões 161 e 167.

São Tomás distingue dois tipos de "curiositas". Uma é aquela que diz respeito ao conhecimento intelectual e outra é aquela que toca no conhecimento sensitivo. São Tomás com a sua natural clareza e simplicidade, nos mostra que sendo o objeto a conhecer alheio às nossas necessidades espirituais e conveniências terrenas, pode facilmente ser nocivo à alma.

O desejo de conhecimento pelo mero prazer de dilatar a inteligência, pode levar o homem à perversão, pois o aparta de seu fim último que é Deus Nosso Senhor.

Num segundo momento, São Tomás indica os principais defeitos da "curiositas", a saber:

1º) Quanto ao aspecto intelectual, é um vício o desejo de conhecer as coisas pelo mero prazer pessoal de autoprojeção ou, pior ainda, quando esse “conhecer” leva a pessoa a se considerar outro deus. Uma verdadeira abominação, contrária à reta razão. Nesse caso, o sujeito se esquece que a verdade capital é amar a Deus sobre todas as coisas e, mediante isso, salvar a própria alma. Resultado: há uma degringolada rápida e fatídica no abismo do intelectualismo, nascendo daí o ateísmo, ou seja, a negação da existência de Deus.

2º) Quanto aos sentidos, existe nos indivíduos uma natural tendência para querer conhecer as coisas que os rodeiam. Depois do pecado original, tais coisas podem facilmente converter-se em supérfluas ou até prejudiciais para a alma – por exemplo, um olhar indiferente que excita a concupiscência – nesse caso a curiosidade se transforma num vício, pois penetra no conhecimento para deturpá-lo. Cabe ressaltar que, muitas das vezes, as coisas criadas se apresentam de maneira apática e neutra, porém, no campo das tendências, podem exercer uma grande influência sobre os indivíduos, arrastando-os para o erro e a corrupção.

Resumindo, muitas vezes nos preocupamos com futilidades e tolices, colocando-as no centro de nossas vidas, em detrimento do próprio Deus que é nossa causa primeira e fim último. Dele viemos e para Ele iremos!

De que adianta interessar-se pelas criaturas e esquecer-se do Criador?
VIVAT CHRISTUS REX








sexta-feira, 29 de julho de 2016

Santo Agostinho

Santo Agostinho (354-430) - Bispo de Hipona (norte de África) - Doutor da Igreja.

Sermões sobre o Evangelho de João, n.º 49, 15.

“Quem acredita em Mim, viverá”.

Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim não morrerá para sempre. Que quer isto dizer? Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido como Lázaro, viverá, porque Deus não é um Deus de mortos, mas um Deus de vivos. Já a propósito de Abraão, de Isaac e de Jacob, os patriarcas há muito mortos, Jesus tinha dado a mesma resposta aos judeus: 'Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob'; não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos (Lc 20,38). Por isso, acredita e, ainda que estejas morto, viverás! Mas, se não acreditares, ainda que estejas vivo, na verdade estás morto. De onde vem a morte da alma? Vem do fato de a fé já lá não estar. De onde vem a morte do corpo? Vem do facto de a alma já lá não estar. A alma da tua alma é a fé.

Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido no seu corpo, terá a vida na sua alma até que o próprio corpo ressuscite para nunca mais morrer. E quem vive na sua carne e acredita em Mim, ainda que tenha de morrer durante algum tempo no seu corpo, não morrerá para a eternidade, devido à vida do Espírito e à imortalidade da ressurreição.

É isto que Jesus quer dizer na sua resposta a Marta. Acreditas nisto? Sim, Senhor, respondeu ela, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo. E, acreditando nisto, acredito que és a ressurreição, acredito que és a vida, acredito que quem acredita em Ti, ainda que tenha morrido, viverá; acredito que quem está vivo e acredita em Ti não morrerá para sempre.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Santa Catarina de Sena

Santa Catarina de Sena (1347-1380) - Ordem terceira dominicana - Doutora da Igreja - Livro: O Dialogo, cap. 39

"Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida" (Jo 3,36).

Deus fala a Santa Catarina de Sena:

No dia do juízo final, quando o Verbo, meu Filho, revestido da minha majestade, vier julgar o mundo com o seu poder divino, não virá como aquele pobre miserável que era quando nasceu do seio da Virgem, num estábulo, no meio dos animais, ou como quando morreu entre dois ladrões. Nessa altura o meu poder estava oculto nele; como homem, deixei-O sofrer penas e tormentos. Não é que a minha natureza divina estivesse separada da sua natureza humana, mas deixei-O sofrer como homem para expiar os vossos pecados. Não, não é assim que Ele virá no momento supremo: Ele virá com todo o seu poder e todo o esplendor da sua própria pessoa.

Aos justos, inspirará um temor respeitoso e, ao mesmo tempo, um grande júbilo. Não é que a sua face mude: a sua face é imutável, em virtude da natureza divina, porque Ele é um comigo; e também é imutável em virtude da natureza humana, uma vez que assumiu a glória da ressurreição. Ele parecerá terrível aos olhos dos condenados, porque os pecadores vê-Lo-ão com o olhar de temor e perturbação que têm dentro de si próprios.

Não é isso que se passa com a visão doente? No sol brilhante vê apenas trevas, enquanto o olho são vê nele a luz. Não é que a luz tenha algum defeito; não é o sol que muda. O defeito está no olho do cego. É assim que os condenados verão o meu Filho: entre trevas, ódio e confusão. Mas será por culpa da sua própria enfermidade e não por causa da minha majestade divina, com a qual o meu Filho aparecerá para julgar o mundo.

sábado, 23 de julho de 2016

Encontrar e estar com nosso Senhor

A Espiritualidade dos Padres do deserto.

Reflexão - Encontrar e estar com nosso Senhor.

Adentramos na solidão (Cruz), antes de tudo, para encontrar nosso Senhor e estar com Ele, e somente nele. Nossa principal incumbência na solidão, portanto, não é prestar uma indevida atenção às muitas faces que nos assaltam, mas manter os olhos de nossa mente e nosso coração sobre aquele que é o nosso Divino Salvador. Somente no contexto da Graça podemos enfrentar nossos pecados; somente na circunstância da cura ousamos mostrar nossas feridas; somente por meio de uma honesta atenção a Cristo podemos abandonar nossos medos e encarar a nossa verdadeira natureza. Conforme nos damos conta de que não somos nós quem vivemos, mas é Cristo que vive em nós, e de que é Ele o nosso verdadeiro eu, podemos lentamente deixar que nossas compulsões se desfaçam e começar a experimentar a liberdade dos filhos de Deus.
VIVAT CHRISTUS REX








quinta-feira, 21 de julho de 2016

Em Jesus se cumpre toda a revelação

Em Jesus se cumpre toda a Revelação.

Sabemos que em Jesus Cristo se cumprem todas as profecias que falam do Messias no Antigo Testamento – e sabemos que são muitas profecias: contam-se mais de trezentas.

Essas profecias anunciam a sua pessoa, as suas ações, a sua doutrina. O cumprimento de todas elas é um dos motivos que nos levam a saber que a Bíblia é inspirada pelo Espírito Santo.

Jesus sabe que as profecias messiânicas se referem a Ele. Ao ler Isaías na sinagoga de Nazaré, Ele afirma: “Hoje se cumpre diante de vós esta escritura” (Lc 4, 21). Aos fariseus que se recusavam a crer nele, Jesus diz: “Perscrutai as Escrituras, já que nelas esperais ter a vida eterna; elas dão testemunho de mim” (Jo 5, 39).

O evangelista Mateus se propõe, em seu evangelho, demonstrar que Jesus é o Messias, baseando-se nas profecias do Antigo Testamento.

São profecias que anunciam o Cristo centenas de anos antes do seu nascimento e que, até do ponto de vista estatístico, exigiriam intervenção divina para tamanho índice de acerto.

Uma pequena mostra:

Ele será descendente da tribo de Judá

Gênesis 49,10: “Não se apartará o cetro de Judá, nem o bastão de comando dentre seus pés, até que venha aquele a quem pertence por direito, e a quem devem obediência os povos”.

Lucas 3,33: “…filho de Aminadab, filho de Arão, filho de Esron, filho de Farés, filho de Judá…”

Nascerá em Belém

Miqueias 5,1: “Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado”.

Mateus 2,1: “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém”.

Nascerá de uma virgem

Isaías 7,14: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco”.

Mateus 1,18: “Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo”.

Haverá matança de inocentes em Belém

Jeremias 31,15: “Eis o que diz o Senhor: ouve-se em Ramá uma voz, lamentos e amargos soluços. É Raquel que chora os filhos, recusando ser consolada, porque já não existem”.

Mateus 2,16: “Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos”.

Fugirá para o Egito

Oseias 11,1: “Israel era ainda criança, e já eu o amava, e do Egito chamei meu filho”.

Mateus 2,14: “José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito”.

Pregará na Galileia, nas proximidades do rio Jordão

Isaías 8,23: “No passado ele humilhou a terra de Zabulon e de Neftali, mas no futuro cobrirá de honras o caminho do mar, a Transjordânia e o distrito das nações”.

Isaías 9,1: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz”.

Mateus 4,12-16: “Quando, pois, Jesus ouviu que João fora preso, retirou-se para a Galiléia. Deixando a cidade de Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, à margem do lago, nos confins de Zabulon e Neftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: A terra de Zabulon e de Neftali, região vizinha ao mar, a terra além do Jordão, a Galiléia dos gentios, este povo, que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz; e surgiu uma aurora para os que jaziam na região sombria da morte”.

Será desprezado pelos judeus

Isaías 53,3: “Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele”.

João 1,11: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”.

Entrará triunfalmente em Jerusalém montado num jumento

Zacarias 9,9: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta”.

João 12,13-15: “Saíram-lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel! Tendo Jesus encontrado um jumentinho, montou nele, segundo o que está escrito: Não temas, filha de Sião, eis que vem o teu rei montado num filho de jumenta”

Será traído por um dos seus

Salmo 40,10: “Até o próprio amigo em que eu confiava, que partilhava do meu pão, levantou contra mim o calcanhar”.

Marcos 14,10: “Judas Iscariotes, um dos Doze, foi avistar-se com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus”.

Será vendido por 30 moedas de prata

Zacarias 11,12: “Eu disse-lhes: Dai-me o meu salário, se o julgais bem, ou então retende-o! Eles pagaram-me apenas trinta moedas de prata pelo meu salário”.

Mateus 26,15: “Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de prata”.

O preço será devolvido

Zacarias 11,13: “O Senhor disse-me: Lança esse dinheiro no tesouro, esta bela soma, na qual estimaram os teus serviços. Tomei as trinta moedas de prata e lancei-as no tesouro da casa do Senhor”.

Mateus 27,6-7: “Os príncipes dos sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado, porque se trata de preço de sangue. Depois de haverem deliberado, compraram com aquela soma o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros”.

Julgado, manterá silêncio

Isaías 53,7: “Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca”.

Mateus 26,62-63: “Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti? Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus?”

Sofrerá pelos outros

Isaías 53,4-5: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”.

Mateus 8,16-17: “Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os espíritos e curou todos os enfermos. Assim se cumpriu a predição do profeta Isaías: Tomou as nossas enfermidades e sobrecarregou-se dos nossos males”.

Será crucificado com malfeitores

Isaías 53,12: “Eis por que lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens, e intercedendo pelos culpados”.

Mateus 27,38: “Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda”.

Suas mãos e pés serão perfurados

Salmo 21,17: “Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores. Traspassaram minhas mãos e meus pés”.

João 20,28: “Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!”

Será escarnecido e desprezado

Salmo 21,6-9: “A vós clamaram e foram salvos; confiaram em vós e não foram confundidos. Eu, porém, sou um verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe. Todos os que me vêem zombam de mim; dizem, meneando a cabeça: Esperou no Senhor, pois que ele o livre, que o salve, se o ama”.

Mateus 27,39-40: “Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam: Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”

Para beber, lhe darão vinagre

Salmo 68,22: “Puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para beber”.

João 19,29: “Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca”.

Nenhum de seus ossos será quebrado

Salmo 33,21: “Ele protege cada um de seus ossos, nem um só deles será quebrado”.

João 19,33: “Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas”

Seu lado será transpassado

Zacarias 12,10: “Suscitarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de boa vontade e de prece, e eles voltarão os seus olhos para mim. Farão lamentações sobre aquele que traspassaram, como se fosse um filho único; chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito”.

João 19,34: “…um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água”.

Sortearão suas vestes

Salmo 21,19: “Repartem entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica”.

Marcos 15,24: “Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando a sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um”.

Será sepultado em uma tumba de ricos

Isaías 53,9: “Foi-lhe dada sepultura ao lado de fascínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira”.

Mateus 27,57-60: “À tardinha, um homem rico de Arimateia, chamado José, que era também discípulo de Jesus, foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora”.

Ressuscitará!

Salmo 15,10: “Porque vós não abandonareis minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que vosso Santo conheça a corrupção”.

Mateus 28,9: “Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: Salve! Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés”.

Ascenderá ao céu

Salmo 67,19: “Subindo nas alturas levastes os cativos; recebestes homens como tributos, aqueles que recusaram habitar com o Senhor Deus”.

Lucas 24,50-51: “Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu”.
VIVAT CHRISTUS REX








quarta-feira, 20 de julho de 2016

O poder da Misericórdia

O poder da Misericórdia.

Breve reflexão - O Padre e o assassino.

Um padre estava andando por uma estrada solitária em um dia quente, quando de repente dos arbustos salta um homem que o olha ameaçadoramente com uma arma na mão!

O homem diz ao padre:

"Eu matei 99 homens, e você será o 100º".

O padre diz a ele:

"Eu estou pronto para morrer; mas por favor, antes de atirar em mim, dá-me um pouco de água para beber. Estou com tanta sede".

O assassino ficou confuso por um momento, e então direcionou o padre, na mira de uma arma, a um riacho nos arbustos onde ele deu ao sacerdote água para beber. Enquanto o padre estava bebendo a água, o assassino morreu de um ataque cardíaco.

Os anjos do céu vieram para escoltar a alma deste assassino para o céu, mas os demônios disputaram com eles:

"Este homem assassinou 99 homens e cometeu muitos outros pecados menores. Sua alma pertence a nós".

Mas os anjos responderam aos demônios:

"Mas ele também realizou dois grandes feitos para o Evangelho de Cristo, que superaram todos os seus pecados veniais e mortais! Primeiro, ele confessou seus 99 assassinatos a um padre e, segundo, ele deu água a quem tinha sede".

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Adolphe Tanquerey

Adolphe Tanquerey (1854-1932) Sacerdote Doutor em Direito Canônico - Doutor em Teologia Dogmática - Mestre em Espiritualidade.
Excerto do livro - "A Divinização do Sofrimento".
Do ponto de vista natural, pode-se dizer que o sofrimento decorre da própria natureza do homem.

Todo ser dotado de sensibilidade está sujeito à dor, assim como à alegria. Quando os objetos ou as pessoas estão em harmonia com sua sensibilidade, ela experimenta prazer; quando, ao contrário, ferem essa sensibilidade, ele sofre. É possível, portanto, sofrer sem culpa própria.

Mas a fé nos ensina que o sofrimento entrou no mundo por causa do pecado. Por um ato de bondade infinita e essencialmente gratuita, Deus havia preservado o homem da dor.

Criado em lugar de delícias, ele devia, se fosse fiel a Deus, passar deste Paraíso terrestre diretamente para o Céu, para nele gozar por toda a eternidade, de uma felicidade sem sombras.

O pecado de Adão, transmitido a seus descendentes, veio transtornar este belo plano. Com o pecado, a dor e a morte entraram no mundo, não somente como uma consequência natural da sensibilidade, mas também como um castigo pelo pecado.

Era justo: pois, tendo o homem pecado por um amor desordenado ao prazer, para satisfazer o seu orgulho e a sua sensualidade, era bom que ele sofresse para expiar a sua falta, e para sentir-se mais inclinado a evitar toda a transgressão, vendo que há uma justiça imanente e que o culpado é punido por seu pecado.

Assim, o sofrimento que parece ser um mal, torna-se um bem na ordem moral, uma reparação e um preventivo contra novas transgressões.

Essa ideia se torna mais clara com o grande mérito da Redenção.

Para reparar a ofensa infinita cometida contra Deus por nossos primeiros pais e por sua posteridade, o Filho de Deus consente em fazer-se homem, e tornar-se o representante da Humanidade culpada, em assumir sobre si o peso de nossas iniquidades, em expiá-las por trinta e três anos de sofrimentos e, sobretudo, pela imolação no Calvário.

Assim, o sofrimento é reabilitado, enobrecido e divinizado. Já não é mais somente um castigo mas um ato de obediência aceito voluntária e generosamente por amor, um ato que, na pessoa de Jesus Cristo, tem um valor infinito.

Por ele, Jesus glorifica a Deus muito mais do que o pecado que O havia ofendido, e coloca o homem, sob vários pontos de vista, a um estado superior ao de Adão inocente.

Esse ato tem para nós, portanto, as mais felizes consequências. Associando nossos sofrimentos aos seus, Nosso Senhor lhe confere um valor incomensurável.

Eles se tornam, não mais um castigo, mas uma reparação: nós havíamos pecado por desobediência e por egoísmo; ao sofrer com Jesus e por suas intenções, reparamos nossa falha por um ato de obediência e de amor.

Mas, além disso, utilizamos o sofrimento para progredir na santidade: cada dor pacientemente suportada por amor a Jesus aproxima-nos de Deus e aumenta nosso amor por Ele.

E aumenta, ao mesmo tempo, a glória que nos caberá no Céu: como afirma São Paulo, nossas tribulações são breves e fáceis de suportar, em comparação com a glória imensa e eterna que receberemos em recompensa!

Por isso o apóstolo se alegra em suas enfermidades e se gloria em suas tribulações, feliz por uni-las às do Cristo Jesus e completar assim Sua Paixão, para o maior bem da Igreja e das almas.

Milhões de santos, caminhando nas pegadas do Mestre, sofreram e sofrem com alegria; dentre eles, muitos se ofereceram como vítimas, seja à Justiça divina para expiar suas faltas e as dos outros, seja ao Amor, para serem consumidos pela Divina Caridade, para viver e morrer como mártires e assim ter uma parte maior na eterna visão e no eterno amor.
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sábado, 16 de julho de 2016

Santa Teresa de Ávila

Teresa de Ávila, O.C.D., conhecida como Santa Teresa de Jesus - (1515-1582).

“O Senhor sabe o que cada pessoa pode fazer e, quando se encontra com uma alma forte, não cessa de impor nela a sua vontade” “Senhor, como são amenos os vossos caminhos! Mas, quem os palmilhará sem medo?”

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Santa Catarina de Sena - Respeito devido aos sacerdotes

Santa Catarina de Sena - Livro “O Diálogo” - Capitulo 28 - Páginas 237-240.

Respeito devido aos sacerdotes.

Filha querida, ao manifestar-te a grande virtude daqueles pastores, quero colocar em evidência a dignidade dos meus ministros. Pelo pecado de Adão, as portas da eternidade fecharam-se, mas o meu Filho abriu-as com a chave do seu sangue. Ao sofrer a paixão e morte, ele destruiu vossa morte e vos lavou no sangue. Sim, foram seu sangue e sua morte que, em virtude da união da natureza divina com a humana, deram acesso ao céu. E a quem deixou Cristo tal chave? Ao apóstolo Pedro e a seus sucessores, os que vieram e que virão depois dele até o dia do juízo final.

Todos possuem a mesma autoridade de Pedro; nenhum pecado a diminui, do mesmo modo que não destrói a santidade do sangue de Cristo e dos Sacramentos. Já disse que o sol eucarístico não tem manchas e que o mal cometido por quem o administra ou recebe não apaga sua luz. Não, o pecado não danifica os sacramentos da santa Igreja, não lhes diminui a força; prejudica a graça e aumenta a culpa somente em quem os ministra ou recebe indignamente.

Na terra, quem possui a chave do sangue, é o Cristo-na-terra. Certa vez eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos devem ter pelos "ministros, bons ou maus que eles sejam", e quanto me desagrada que alguém os ofenda. Pus diante de ti a jerarquia da Igreja sob a figura de uma dispensa contendo o sangue de meu Filho. No sangue estava a virtude de todos os sacramentos e a vida dos fiéis. À porta daquela despensa, vias o Cristo-na-terra, encarregado de distribuir o sangue e fazer-se ajudar por outros no serviço de toda a santa Igreja. Quem ele escolhia e ungia, logo se tornava ministro. Dele procedia toda a ordem clerical; ele dava a cada um sua função no ministério do glorioso sangue. E como dispunha dos seus auxiliares, possuía a força de corrigi-los nos seus defeitos.

De fato, é assim que eu quero que aconteça. Pela dignidade e autoridade confiada a meus ministros, retirei-os de qualquer sujeição aos poderes civis. A lei civil não tem poder legal para puni-los; somente o possui aquele que foi posto como senhor e ministro da lei divina.

Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”!

Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores”! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que têm pelo sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação de suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como alimento. Cada vez que o conceito relativo aos meus ministros não coloca em mim sua principal justificativa, torna-se inconsistente e a pessoa neles vê somente muitos defeitos e pecados. De tais defeitos falarei em outro lugar. Mas quando o respeito se fundamenta em mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; como disse, a grandeza da eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos sacerdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-me ofendido.
VIVAT CHRISTUS REX








sexta-feira, 15 de julho de 2016

São João Paulo II

São João Paulo II.

O triunfo da Mãe do Filho de Deus sobre satanás.

São João Paulo II, ao referir-se a Imaculada Conceição, faz precisamente referência ao triunfo da Virgem Maria, Mãe do Filho de Deus, sobre satanás:

"O Filho de Maria obteve a vitória definitiva sobre Satanás e fez beneficiária antecipadamente a sua Mãe, preservando-a do pecado. Como consequência, o Filho lhe concedeu o poder de resistir ao demônio, realizando assim no mistério da Imaculada Conceição o mais notável efeito de sua obra redentora. O apelativo cheia de graça e o Proto-Evangelho, ao atrair nossa atenção até a santidade especial de Maria e até o fato de que foi completamente liberada do influxo de Satanás, nos fazem intuir no privilégio único concedido a Maria pelo Senhor o início de uma nova ordem, que é fruto da amizade com Deus e que implica, em consequência, uma inimizade profunda entre a serpente e os homens".

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Jesus Manso e Humilde de Coração

O Cristianismo está fundamentado na humildade e mansidão de coração, por que o seu fundador, Jesus Cristo, manso e humilde de coração, é o Senhor e Mestre de toda a História, de todos os tempos e por toda a eternidade.

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Padres do Deserto

Padres do Deserto.

Portanto, não relaxe, mas enquanto você ainda tem tempo, trabalhe, seja humilde, obedeça, submeta-se, e Deus estará ao seu lado. Pois Ele concede graça aos humildes e resiste aos soberbos (Provérbios 3; 34). Diga continuamente "Jesus, ajuda-me"; e Ele o ajudará.
VIVAT CHRISTUS REX








segunda-feira, 11 de julho de 2016

São Bento

Paulo VI (1897-1978) - Papa de 1963 a 1978 -Carta apostólica «Pacis nuntius»

São Bento, patrono da Europa.

Mensageiro da paz, artesão da unidade, mestre da civilização, e principalmente arauto da religião de Cristo e fundador da vida monástica no Ocidente – eis os títulos que justificam a fama de São Bento, abade. Numa altura em que o Império Romano estava a chegar ao fim e em que as regiões da Europa se afundavam nas trevas e outras regiões desconheciam ainda a civilização e os valores espirituais, ele permitiu, pelo seu esforço constante e assíduo, que se erguesse sobre este continente a aurora de uma nova era. Foram principalmente ele e os seus filhos que, com a cruz, o livro e a charrua, levaram o progresso cristão às populações que iam do Mediterrâneo à Escandinávia, da Irlanda às planícies da Polônia.

Com a cruz, isto é, com a lei de Cristo, firmou e desenvolveu a organização da vida pública e privada. Convém recordar que ensinou aos homens a primazia do culto divino com o Ofício divino, ou seja, a oração litúrgica e assídua. […] Depois, com o livro, ou seja, a cultura: numa altura em que o patrimônio humanista corria o risco de se perder, São Bento, conferindo renome e autoridade a tantos mosteiros, salvou a tradição clássica dos antigos com providencial solicitude, transmitindo-a intacta à posteridade e restaurado o amor pelo saber.

E finalmente com a charrua, quer dizer, com a agricultura e outras iniciativas análogas, conseguiu transformar terras desertas e incultas em campos férteis e jardins graciosos. Unindo a oração ao trabalho manual, de acordo com a célebre injunção «Ora et labora» («Reza e trabalha»), enobreceu e elevou o trabalho do homem. Foi por tudo isto que o Papa Pio XII saudou em São Bento o «pai da Europa».

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terça-feira, 5 de julho de 2016

Dom Tonino Bello

Dom. Tonino Bello (1935-1993).

"...usamos roupas com o selo de conforto e qualidade, mas os gestos do relacionamento humano permanecem desajeitados, com desconforto e sem harmonia.
Deliciamos nossa pele com perfumes aromáticos de alto nível, mas nosso face exala ambiguidade, indiferença com a vida do irmão.
Colocamos em nossa bocas as mais recentes e requintadas iguarias, mas as palavras que saem de nossa boca distilam falsidade e enganações..."

Dom. Tonino Bello (18 de Março de 1935 - 20 de Abril de 1993) - Bispo de Molfetta, Giovinazzo, Terlizzi e Ruvo - Presidente da Pax Christi Itália - A Congregação para as Causas dos Santos iniciou o processo de beatificação.

VIVAT CHRISTUS REX








segunda-feira, 4 de julho de 2016

Perseverança em Cristo

Paz e Bem!

Os filhos da Santa Igreja dizem:

"Eu Desejo a perseverança de meu coração em Cristo, mas não consigo, é um caminho duro demais".

Para entendermos este duro caminho:

"Como pode se desejar a perseverança do coração em Cristo se tanto a porta quanto o caminho que dão acesso ao coração estão apodrecidos, corroídos! Acaba por chegar ao coração apenas as imundícies da maledicência. A porta é a boca e o caminho é a lingua que devem de ser resguardadas com toda a violência possível para que o coração em segurança alcance a Perseverança em Cristo".

AD MAIOREM DEI GLORIAM

sábado, 2 de julho de 2016

O mal da maledicência

O mal da maledicência.
São Tiago Capitulo 3 dando ênfase dos versículos 8 ao 18. 1. Meus irmãos, não haja muitos entre vós a se arvorar em mestres; sabeis que seremos julgados mais severamente, 2. porque todos nós caímos em muitos pontos. Se alguém não cair por palavra, este é um homem perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo. 3. Quando pomos o freio na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, governamos também todo o seu corpo. 4. Vede também os navios: por grandes que sejam e embora agitados por ventos impetuosos, são governados com um pequeno leme à vontade do piloto. 5. Assim também a língua é um pequeno membro, mas pode gloriar-se de grandes coisas. Considerai como uma pequena chama pode incendiar uma grande floresta! 6. Também a língua é um fogo, um mundo de iniquidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida. 7. Todas as espécies de feras selvagens, de aves, de répteis e de peixes do mar se domam e têm sido domadas pela espécie humana. 8. A língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero. 9. Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. 10. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim. 11. Porventura lança uma fonte por uma mesma bica água doce e água amargosa? 12. Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo a fonte de água salobra não pode dar água doce. 13. Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre com um bom proceder as suas obras repassadas de doçura e de sabedoria. 14. Mas, se tendes no coração um ciúme amargo e gosto pelas contendas, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. 15. Esta não é a sabedoria que vem do alto, mas é uma sabedoria terrena, humana, diabólica. 16. Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios. 17. A sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento. 18.O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz. São Tiago 4, 11. 11. Meus irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de seu irmão, ou o julga, fala mal da lei e julga a lei. E se julgas a lei, já não és observador da lei, mas seu juiz. O que é a maledicência. No dicionário encontramos as seguintes expressões sobre maledicência: “Qualidade de maldizente; ação maldizente; detração; difamação; murmuração; ladrado; maldizer”. Na Bíblia as palavras maldizentes e maledicência são consideradas como maldição e injustiça e encontram-se no mesmo nível dos males abominados por Deus. Entre outras passagens bíblicas, encontram-se citadas por São Paulo em I Cor 6, 9-10, referindo-se aos que "não herdarão o Reino de Deus". E ainda em Col 3, 8-9: "Deixai de lado todas essas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca, vós vos despistes do homem velho com seus vícios". É atitude considerada injusta por Deus e, portanto maléfica, uma vez que se trata do uso de palavras para dizer coisas más, falar mal de alguém que não está presente, denegrindo sua pessoa, sua vida! O mal dizer ou a maledicência é um ato injusto porque é uma traição. Mesmo que as coisas ditas sejam verdadeiras, desde que não declaradas na presença da pessoa que está sendo julgada - desnudada com palavras - é uma traição, é fruto de uma injustiça praticada contra ela. E o Senhor abomina essa atitude com palavras severas de exortação chamando de pecador quem age assim, conforme encontramos escrito no salmo 49, 16-17; 19-21: "Ao pecador porém, Deus diz: Porque recitas meus mandamentos e tens na boca as palavras da minha aliança. Tu que aborreces os meus ensinamentos e rejeitas as minhas palavras? Dás plena licença à tua boca para o mal e a tua língua trama fraudes. Tu te assentas para falar contra o teu irmão (alusão a Cristo – Somos irmãos de Cristo); cobres de calúnia o filho de tua mãe (alusão a Maria – Somo filhos de Maria). Eis o que fazes, e eu hei me calar? Pensas que eu sou igual a ti? Não, mas vou te repreender e te lançar em rosto teus pecados. Compreendei bem isto, vós que esqueceis de Deus". Com essa palavra tão dura o Senhor nos diz que não permite a maledicência, a difamação, a fofoca, pois tudo isso tem origem nas fontes do mal. E tudo que fazemos de mal ao irmão acaba por ferir o Senhor, o Sumo Bem! Esquecemos de Deus, como diz o salmo, nos deixando arrastar no pecado da língua que é, na verdade, falar do que transborda nosso coração. Jesus nos alertou sobre isso quando disse que "a boca fala do que transborda o coração" (Mat 12, 34). O que permito que encha o meu coração? Que pensamentos consinto nele? São Bernardo assim deixou escrito: "Não são os maus pensamentos que me fazem perder a Deus e sim os maus consentimentos". Pensar mal de alguém, fazer mau juízo de alguém é fruto da minha iniquidade. Mas aliciá-lo, permitir que ele me domine é fruto do meu pecado; fruto da minha natureza pecadora que me faz ver com "olho mau". E em vez de reconhecer a trave que está nos meus olhos, fico procurando "argueiros nos olhos dos irmãos", espalhando depois as malícias do que vejo. "Dando plena licença à minha boca para o mal" usando palavras maliciosas para com a minha língua que, segundo São Tiago, é "inflamada pelo inferno" (Tg 3, 6), contaminar os outros com o veneno da maledicência. Qual é a causa da maledicência, da difamação? A Palavra do Senhor nos responde levando-nos a compreender que falamos mal dos irmãos porque os julgamos através do que vemos e ouvimos, isto é, das aparências. O que também o Senhor nos exorta a evitar através dessas palavras vindas do coração de Jesus transbordante de compaixão pelos irmãos: "Não julgueis pelas aparências. Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo a ninguém" (Jo, 24; 8, 15). Por isso Ele escandalizou aqueles maledicentes (pra não dizer fofoqueiros), que se julgavam justos e condenavam e difamavam entre si a mulher que Lhe lavou os pés com lagrimas e enxugou com os cabelos. Com a “boca da qual destila mel” Jesus levantou Sua voz em defesa daquela mulher de má fama para falar com a “língua do amor”: "Deixai-a. Ela fez o que pode" (Mar 14, 6a; 8,a). "Não permitas à tua boca fazer pecar a tua a carne", está escrito em Eclesiastes 5, 5. Toda vez que deixo isso acontecer, toda vez que julgo alguém e espalho a outros esse julgamento, estou me deixando arrastar pelo mal. Estou dando ao senhor do mal, o Maligno, a oportunidade de regozijar-se por ver a minha língua sendo usada para os seus propósitos: Entristecer, dividir, destruir a paz e alegria dos corações. E se de tal forma isso tem acontecido, se em meu coração têm reinado os pensamentos maledicentes, sejam para fazê-los transbordar pela minha boca, ou para encher os meus ouvidos com a maledicência dos outros, estou correndo o perigo de que isso se transforme em vício, como tantos outros; o que torna mais difícil livrar-me das seduções do Maligno que quer promover a discórdias e a injustiças entre os irmãos. Principalmente entre aqueles que responderam ao chamado de Deus e se uniram para, como Igreja e na Igreja, testemunharem o Seu amor no mundo. "De uma mesma boca procede a benção e a maldição" (Tg 3, 10). Esse é um grande perigo que corremos por ter respondido ao chamado de Deus para seguir o Seu caminho e ajudar outros homens e mulheres a caminharem na Sua direção. Por isso é necessário saber o que diz a Palavra do Senhor em relação a este mal. Principalmente o que a Palavra diz em relação a “fazer comentários” a respeito dos irmãos de Comunidade Fraterna, para que não corramos o risco de horas pregar o nome de Deus e, em outras horas, permitir que o "veneno mortífero" se instale na língua e se espalhe através dela, arrastando os outros para a maldição. Colocando-se no lugar do irmão, como me sentiria ao saber que o meu nome e a minha pobreza humana, meus erros, meus pecados, estão passando de boca em boca? Por isso é importante estar alerta ao Senhor quando nos fala: Filho (a), "sê vigilante em todas as tuas obras e mostra-te prudente em tuas conversações. Não faças a ninguém o que para ti não desejas. Conserva sempre em teu coração o pensamento de Deus" (Tob 4, 16; 6). Essas palavras nos fazem entender que com o nosso coração cheio do pensamento de Deus não há lugar para os pensamentos maus sujando o coração com julgamentos e condenações. Todos somos fracos e pecadores, mas, todos somos amados por Deus com amor infinito e somos lavados e perdoados pelo Sangue de Cristo. O Senhor espera de nós o zelo pela imagem do irmão, pede a cada um de nós para honrar o irmão e não denegri-lo, feri-lo. Como se fará isso? Como vencer as tentações dos julgamentos e da maledicência? Com a Palavra o Senhor vem em nosso socorro e diz: "Orai sem cessar" (I Tess 5, 17); "Bendize o Senhor em todo tempo, e pede-Lhe para que sejam retos os teus caminhos e que tenham êxito todos os teus passos e todos os teus projetos" (Tob 4, 20). “Enchei-vos do Espírito e não satisfareis as obras da carne” (Gal 5, 16). Oremos: Obrigado, Senhor e Deus! Pedimos que nos inunde com Teu Espírito e faça de nossos corações o Teu altar para que nele seja rechaçado todo pensamento de julgamento e condenação que geram a maledicência. Consagramos a Ti Senhor nossas bocas e línguas para que por elas só transbordem palavras de bênçãos para edificar, pacificar e levar alegria a todos por quem morreste de Amor. Ensina-nos a amar os irmãos como a nós mesmos, como é o Teu desejo, e a resguardar com zelo a imagem de cada um que passar por nossas vidas. Ensina-nos a Te encontrar em cada um que Tu fizeste nosso irmão e irmã, ensina-nos a contemplar a Tua imagem refletida em suas faces! Amém!

VIVAT CHRISTUS REX 







sexta-feira, 1 de julho de 2016

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Padre Francesco Bemonte - Presidente da Associação Internacional de Exorcistas. São Pio de Pietrelcina, como também o beato carmelita e...