quinta-feira, 30 de julho de 2015

Inteligência e Sensibilidase

A aliança da inteligência, que tem por objetivo a verdade,  com a sensibilidade que move o coração humano em busca da beleza e da vontade, dará ao homem moderno, rico intelectualmente falando, porém angustiado e inseguro no seu viver,  maior e mais real possibilidade de opção, nos momentos de profunda crise moral como a em que vivemos.

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quarta-feira, 29 de julho de 2015

A NUVEM DO NÃO-SABER

Livro - A NUVEM DO NÃO-SABER - "a oração dos pobres".

"Uma ligeira impugnação do erro de afirmar que não existe melhor meio de humilhar-se a si próprio do que trazer à memória a sua própria pecaminosidade".

Tenha a firme convicção de que existe a espécie de humildade perfeita acima mencionada e que através da Graça é possível adquiri-la nesta vida. Digo isto para refutar o erro daqueles que declararam não existir causa mais perfeita de humildade do que aquela que brota da consciência de nossa miséria e de nossos pecados praticados.

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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Santo Agostinho - O Livre-Arbítrio

A COMPREENSÃO DE LIBERDADE NA OBRA O LIVRE-ARBÍTRIO DE SANTO AGOSTINHO.

1. O DESÍGNIO DA OBRA O LIVRE-ARBÍTRIO
   
O Livre-Arbítrio é uma obra prima da literatura e do pensamento de Santo Agostinho, após a sua conversão ao Cristianismo e ter adotado esse mesmo como doutrina. Destarte, em 387, ao regressar de Milão para a África com a finalidade de viver segundo o Evangelho numa comunidade de pobreza e refletir sobre as verdades reveladas, estando em Óstia, morre-lhe a mãe. É nessa cidade que Evódio, o interlocutor do livro O Livre-Arbítrio, é mencionado pela primeira vez nos escritos de Santo Agostinho.
Evódio, conterrâneo de Agostinho, viera para Milão em serviço oficial e ali reconhecera a verdade do Cristianismo, fazendo-se batizar. “Tendo se relacionado com Agostinho, nunca mais o deixou, entregando-se de alma e coração ao propósito de se dar com ele o idêntico ideal de vida”. A partir deste encontro, Agostinho muda o destino da sua viagem e vai temporariamente para Roma, onde inicia um diálogo com Evódio. Deste, principia a obra O Livre Arbítrio, na qual, Agostinho finaliza em 391, na cidade de Hipona, na África. Portanto, obra O Livre Arbítrio é de Agostinho, o “último dos diálogos filosóficos publicados por ele, sendo também um dos mais notáveis”.
A obra O Livre-Arbítrio foi escrita sob forma de diálogo, que se dá entre Agostinho e seu amigo Evódio, e trata sobre a vontade livre do homem e a origem do mal. Além disso, Agostinho comenta outros temas, essencialmente, o livre-arbítrio é um bem concedido por Deus e a liberdade está em agir bem para aceitar o Bem.
O Livre-Arbítrio de Santo Agostinho é dividido em três livros, que são intitulados: O pecado provém do Livre-Arbítrio; a prova da existência de Deus que é fonte de todo o bem. Deus não é o autor do mal, mas do Livre-Arbítrio que é um bem; e louvor a Deus pela ordem universal, da qual o Livre-Arbítrio é um elemento positivo, ainda que sujeito ao pecado.
   
2. O PECADO PROVÉM DO LIVRE-ARBÍTRIO
   
No livro I de O Livre-Arbítrio, Agostinho e Evódio proclamam que o homem possui a vontade-livre (livre-arbítrio) e essa é um bem que procede da graça de Deus. Porém, Agostinho infere o seguinte enigma: “Peço que me digas se Deus não é autor do mal”. No diálogo, eles chegam à conclusão que Deus não é o autor do mal, mas que o mal vem do livre arbítrio do homem. “Para Agostinho, porém, o livre- arbítrio significa o ato de livre decisão ou opção”. Por isso, o mal não vem de Deus, mas vem da escolha que o homem faz através da sua vontade.
Mas, se Deus nos deu o livre arbítrio pelo qual nós também podemos pecar, não será Deus, também, o autor do mal? Agostinho vai dizer que não. Pois, Agostinho tem certeza que o Criador só fez coisas boas, Deus é o criador de tudo e viu que tudo era muito bom, por isso, se Deus tivesse criado o mal, até o mal seria um bem.
Para Agostinho, a causa do mal deve ser procurada no próprio homem, mais precisamente, deve ser procurada no interior desse, e não somente em seus atos externos. Assim, o mal é visto como um exercício de vontade, cuja fonte deve ser buscada na vida interior.    
Visto que o mal não vem de Deus e que o livre arbítrio é um bem, pois vem de Deus, a investigação passa a buscar a causa do pecado. O problema está na vontade, porque é ela que escolhe. Assim, no capitulo X do Livro I, Agostinho nos fala que a mente domina as paixões e a virtude está acima de qualquer vício. Além disso, nenhuma outra realidade torna a mente escrava das paixões, senão a própria vontade e o seu livre-arbítrio. O Ser supremo, dotado de virtude excelsa, não constrange a mente humana a ser escrava das paixões. Portanto, não há outra realidade que torne a mente cúmplice da paixão a não ser a própria vontade.
A vontade tem a soberania de si mesma, é dona de si mesma. Entretanto, o ato mau pode ser atribuído a ela. Para Agostinho, a boa vontade é a que nos faz viver com retidão e honestidade, estimulando-nos a alcançar o cume da sabedoria. Esta, por sua vez, é o reino da lei eterna em nós e é por ela que nossa razão domina plenamente todas as tendências inferiores. Destarte, a boa vontade envolve a vivência das virtudes. E é essa o hábito do bem, isto é, a disposição estável para agir bem, o que toca a vontade do agente corporal. As quatro virtudes são: prudência, fortaleza, temperança e justiça.
Desse modo, a razão é superior à vontade, sendo assim, pela reta razão podemos agir bem. Destarte, agir bem é que traz felicidade e todos querem uma vida feliz, mas então porque nem todos fazem bom uso do livre arbítrio?
Assim, pois, quando dizemos que os homens são infortunados por sua vontade, não o dizemos por eles quererem ser infortunados, mas por estarem possuídos duma vontade a que tem de seguir-se forçosamente a desventura, mesmo a descontento dos mesmos. Sendo assim, à conclusão precedente não se opõe o facto de todos os homens quererem ser venturosos e não o alcançarem, pois nem todos querem viver com retidão, e só a esta vontade é devida a vida venturosa.
O que significa então fazer mau uso da vontade? Significa escolher coisas más? Mas se tudo o que foi criado é bom, podem existir coisas más? Não, as coisas não são más em si, o que é mau é o uso que fazemos delas. Diz Agostinho:
Sendo isto assim, achas por ventura que a prata e o ouro devem ser incriminados por causa dos avaros, ou os alimentos por causa dos glutões, ou o vinho por causa dos ébrios, ou as formas femininas por causa dos prostibulários e adúlteros, e assim outras coisas? Sobretudo ao veres que o médico usa bem do fogo e o envenenador usa criminosamente do pão.
Evódio – É absolutamente verdade que não se devem incriminar as realidades mesmas, mas os homens que delas usam mal.
Dessa forma, a definição da essência do pecado mostra que procede do livre- arbítrio. Assim sendo, o mal moral ( pecado), más ações, provém da má vontade (livre- arbítrio), e esse mal consiste no afastamento das coisas divinas e realmente duráveis. Portanto, no primeiro livro fica definido que o mal não vem de Deus, mas sim do livre arbítrio da vontade quando esse faz mau uso das coisas.

3.  DEUS: NÃO É AUTOR DO MAL, MAS DO LIVRE- ARBÍTRIO QUE É UM BEM

Assim inicia Evódio o segundo livro: “O quanto me parece ter compreendido no livro anterior, é que nós só possuímos o livre-arbítrio da vontade, mas acontece ainda que é unicamente por ele que pecamos”. Destarte, Agostinho acredita que o livre-arbítrio é um bem, e sendo assim só pode provir de Deus, pois este é a fonte de todo o bem.
Porém, se é por esta liberdade de juízo que o homem peca e sendo o pecado um mal, ter-se-ia dois problemas fundamentais: o primeiro, se realmente esse que Agostinho aqui atesta como sendo um bem de fato o é; o segundo, se é por ter essa capacidade de livre arbitrariedade que o homem peca, como pode essa capacidade ter sido dada por Deus, já que esse é fonte exclusiva de todo o bem e não do mal?
A fim de constatar a veracidade da existência de Deus, Agostinho busca crer para entender e entender para crer, ou seja, busca o complemento entre fé e razão para dar conta da veracidade: "se crer não fosse uma coisa e compreender outra, e se não devêssemos, primeiramente, crer nas sublimes e divinas verdades que desejamos compreender, seria em vão que o profeta teria dito: ‘Se não o credes não entendereis" (Is 7,9).
A investigação de Agostinho tem como ponto indubitável o fato de o livre-arbítrio ser um bem concedido ao homem por Deus. Por isso, ele provará a existência de Deus. Desse modo, o itinerário para se chegar à prova da existência de Deus, tem em Agostinho, como princípio a investigação sobre o único ser que pode fazer tal investigação, ou seja, o homem. Portanto, Agostinho prova a existência de Deus afirmando três realidades: existir, viver e entender. Dessas três, a mais excelente é a última.  Assim, Agostinho expressa: “E admitimos, igualmente, que a melhor das três é a que só o homem possui, juntamente com as duas outras, isto é, a inteligência, que supõem nela o existir e o viver”.
Agostinho parte do homem porque, para ele, partindo da criatura mais completa chega-se ao criador perfeito. Neste sentido, o pensamento de Agostinho possui uma escala de valores ascendente: compete aos sentidos exteriores captarem e absorverem as características dos objetos exteriores; ao sentido interior cabe direcionar os sentidos exteriores a buscar ou não os objetos exteriores; e por fim, à razão cabe assimilar e processar as informações absorvidas e transformá-las em conhecimento. Em síntese, a escala ascendente de importância no homem aqui tratada é: sentidos exteriores, sentido interior, e razão.
A razão, para Agostinho, é o que há de mais sublime na natureza. Portanto, na escala de seres não há nada que esteja acima da razão. Porém, existem, segundo Agostinho, verdades que estão acima da razão: os números e a sabedoria.  Portanto, “quanto verdadeiras e imutáveis são aquelas leis dos números, das quais, como dizias anteriormente, apresentam-se de modo imutável e universal a todos os que as consideram, e tanto são igualmente verdadeiras e imutáveis as regras da sabedoria.”
Sendo o número e a sabedoria verdades únicas e imutáveis, para Agostinho, ele mostra que existe uma Verdade suprema e indubitável, da qual provém outras verdades. Essa Verdade é Deus, do qual é proveniente o livre-arbítrio do homem. Agostinho menciona:
Eis no que consiste a nossa liberdade: estarmos submetidos a essa verdade. É ela o nosso Deus mesmo, o qual nos liberta da morte, isto é, da condição de pecado. Pois a própria Verdade que se fez homem, conversando com os homens, disse àqueles que nela acreditavam: ‘Se permanecerdes na minha palavra sereis, em verdade, meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’ (Jo 8,31-32).
     
Dessa forma, a argumentação nos evidencia a prova da existência de Deus:

Deus, pois, existe! Ele é a realidade verdadeira e suma, acima de tudo. E eu julgo que essa verdade não somente é objeto inabalável de nossa fé, mas que nós chegamos a ela, pela razão, como sendo uma verdade certíssima, ainda que sua visão não nos seja muito profunda, pelo conhecimento.
Agostinho afirma que todo tipo de bem procede de Deus: “[...] todos os bens, sejam eles quais forem, do maior ao menor, não procedem se não de Deus.”. Mas se tudo o que provém de Deus é um bem, como pode o livre-arbítrio ser um bem se é pela condição dele que o homem peca? Agostinho, afirma:
Ora, essas duas verdades: que Deus existe e que todos os bens vêm dele, nós já admitimos com fé inabalável. Entretanto, nós a expusemos de tal forma que a terceira verdade também se torna plenamente evidente, a saber: que a vontade livre deve ser contada entre os bens recebidos de Deus.  
O livre-arbítrio é um bem para Agostinho porque é por ele que o homem tem a capacidade de escolher fazer o bem voluntariamente, tornando seu espírito mais pleno e próximo de Deus. Porém, a inquietude agostiniana insere o profundo questionamento: sendo o livre-arbítrio o que possibilita o surgimento do pecado, e sendo ele proveniente de Deus, então é Deus a causa do pecado?
Portanto, o enigma continua: “Explica-me agora, se é possível, a razão por que Deus concedeu ao homem o livre arbítrio da vontade, pois que se ele o não recebesse, não poderia pecar”. Com base nestes preceitos, como é possível que Deus, criador de tudo e somente do bem, iria dar ao homem, a obra prima da sua criação, algo que o levasse a fazer o mal e conseqüentemente não ter uma vida venturosa?
Na verdade, se o homem é certo bem, e o quisesse proceder virtuosamente, teria que possuir vontade livre, sem a qual não poderia proceder virtuosamente. Na verdade, pelo fato de que também por meio da vontade livre se peca, não se deve supor que foi para isso que Deus a concedeu. Há, pois razão suficiente para ela dever ser dada, já que sem ela o homem não pode viver virtuosamente. Ora, se for concedida a vontade livre para alguém dela pecar, recai o castigo sobre ele da parte de Deus. Destarte, seria injusto que isto se faria, no caso de a vontade livre ter sido dada não só para se viver honestamente, mas também para pecar.
Dentro dessa perspectiva, Agostinho argumenta a seguinte questão: como se infligiria justamente castigo a quem tivesse usado da vontade para aquele fim, para o qual ela foi concedida? Ora quando Deus pune quem peca, que outra coisa te parece Ele dizer, senão isto:
Por que é que não usaste da vontade livre para o fim para que eu te dei, isto é, para proceder honestamente? Por outro lado, como existiria essa bondade, com que a mesma justiça se enaltece ao condenar os pecados e dignificar as boas ações, se o homem estivesse privado do livre arbítrio da vontade? Com efeito, o que não se faria por própria vontade livre, tanto seria injusto o castigo como o prêmio.  Ora não podia deixar de haver justiça, tanto na pena como no prêmio, pois esse é um dos bens que procedem de Deus. Deus devia, pois dar ao homem a vontade livre.
Neste livro, Agostinho argumentou sobre a prova da existência de Deus, confirmando que o livre arbítrio é dom de Deus. Após provar a existência de Deus, Agostinho e Evódio constróem fundamentos com mais confiança sobre a tese de que o livre-arbítrio é um bem e, por isso, provém de Deus e o tipo de bem que é o livre-arbítrio. A conclusão é que o livre arbítrio é um bem médio o qual dá possibilidade ao homem aderir tanto um bem superior, o que o torna venturoso, assim como dá a possibilidade de aderir a um bem inferior, que leva o homem a desventura.
   
4. LOUVOR A DEUS PELA ORDEM UNIVERSAL, DA QUAL O LIVRE-ARBÍTRIO É UM ELEMENTO POSITIVO.

O terceiro livro da obra O Livre – Arbítrio tem como finalidade encontrar a verdadeira resposta do porquê o homem se afastou de Deus, pois, “todo ser é digno de louvor, conforme os graus de perfeição”. Desse modo, Evódio que está convencido de que a má vontade é a causa do pecado do homem, busca encontrar clareza de onde vem o impulso para a vontade se afastar do bem. Sobre isto, comenta Costa:
Não seria ela uma causa natural ou necessitária, já que o livre-arbítrio tem em si a possibilidade natural de inclinar-se para o mal? Se assim for, então o homem não é responsável pelo mal, uma vez que nasceu com tal disposição natural. Em outras palavras, é verdadeiramente livre o homem?
Agostinho insiste no fato de que a vontade pode nos levar a pecar, pelo desejo que as criaturas tem de buscar os prazeres do corpo, e esse desejo pode ser por nós controlado. O próprio Evódio admite que isso esteja resolvido:
Quanto ao impulso da vontade para os bem superiores, nem deveria ser inculpado quando se volta para os bens inferiores. Semelhantemente, não deveria ser de modo nenhum exortado a querer alcançar os bens eternos, desprezando estes inferiores, e a não querer mal-viver, mas a querer bem-viver. Ora se alguém acha que o homem não deve ser exortado a isso, merece ser relegado do número dos homens.
Mas, Evódio ainda não está certo de como pode ser o homem livre, se na prova da existência de Deus, ficou comprovado de que Deus é onisciente, ou seja, conhece tudo antecipadamente. Então, como é que eu sou livre para escolher se Deus já sabe o que vai acontecer? Sobre isso, comenta Costa: se Deus conhece antecipadamente todas as coisas futuras, ou se acontece necessariamente o que ele prevê, como pode o homem ser verdadeiramente livre, se tudo quanto ele faz, Deus já sabia de antemão que haveria de fazer? Não seria o homem um ser programado a fazer necessariamente o que Deus sabia que haveria de fazer? Nesse caso o homem não é responsável pelos seus pecados, já que se Deus sabia que o primeiro homem havia de pecar.
Agostinho afirma que presciência e liberdade não são contraditórias, pois Deus apenas sabe que a pessoa vai pecar ou fazer o bem, porém ele não tira a liberdade da pessoa optar. Se alguém for fazer o mal ou o bem Ele sabe antecipadamente o que tal pessoa vai fazer, mas isso não significa que essa pessoa não tenha a possibilidade de escolha. Agostinho esclarece isso: “tu conheces pela tua presciência o que outrem vai fazer por sua própria vontade, assim Deus, não forçando ninguém a pecar, prevê contudo os que por sua própria vontade vão pecar.
Desse modo, Agostinho conclui que o livre arbítrio é a única causa do pecado, pois nada nos obriga a fazer o mal, da mesma forma que é pelo livre arbítrio que agimos bem e somos livres. Fica definido, então, que o homem não é determinado nem para o mal e nem para o bem.
   
5.  A COMPREENSÃO DE LIBERDADE NO PENSAMENTO DE SANTO AGOSTINHO
   
Para Agostinho a liberdade consiste em optar por fazer o bem, ou melhor, quando se faz bom uso da vontade se chega à Verdade que é Deus. Só assim o homem será verdadeiramente livre. Destarte, todas as coisas são bens, já que Deus é criador de todas as coisas e Ele sendo justo e bom só poderia ter criado coisas boas. Porém, existem bens que são inferiores e bens que são superiores. O livre-arbítrio é um bem médio através do qual se pode optar pelos bens inferiores e, nesse caso, fazer o mal, por se afastar do sumo bem que é Deus, ou optar pelos bens superiores para se chegar à Verdade.
Eis no que consiste a nossa liberdade: estarmos submetidos a essa Verdade. È ela o nosso Deus mesmo, o qual nos liberta da morte, Ito é, da condição do pecado. Pois a própria verdade que se fez homem, conversando com os homens, disse àqueles que nela acreditava: “se permanecerdes na minha palavra sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8, 31.32). Com efeito, nossa alma de nada goza com liberdade se não  gozar com segurança.
A liberdade, segundo Agostinho, só é possível com ajuda da graça de Deus. Ele entende por graça a disposição que a vontade tem de agir bem. Para sermos bons necessitamos da força de Deus e, para Agostinho é só nEle que seremos  verdadeiramente livres e conseqüentemente felizes. A felicidade é estar com Deus e, para isso, a graça é indispensável.
Nesse mesmo sentido, mas enfatizando ainda mais a importância da graça para alcançar a verdadeira liberdade, afirma Gilson: “No estado de decadência em que se encontra, a alma não pode se salvar por suas próprias forças. O homem pode cair espontaneamente, isto é, por seu livre-arbítrio, mas seu livre arbítrio não lhe basta para tornar a se erguer. É que, então,  não se trata mais de um querer; além disso, é preciso poder. O momento decisivo da história pessoal de Agostinho fora a descoberta do pecado de sua incapacidade de reerguer-se sem a graça da Redenção e seu sucesso em faze-lo com esse socorro divino”.
Em suma, a verdadeira liberdade em Santo Agostinho é aceitar a graça de Deus. O poder de escolha (livre-arbítrio) ainda não é liberdade. A liberdade se dá somente quando a vontade se volta para o bem. O Livre-Arbítrio nos dá a possibilidade de seguir ou não a vontade de Deus, porém, só será livre realmente aquele que, com a ajuda divina, optar por fazer a vontade de Deus. Destarte, todas as coisas são bens, já que Deus é criador de todas as coisas e, Ele sendo justo e bom só poderia ter criado coisas boas.
   
6. ENTENDIMENTO

Em um primeiro momento, foi comentado que o pecado provém do livre arbítrio, que é dom de Deus. O pecado é fruto do livre- arbítrio, pois este é o poder de escolha bem ou mal. Mas Deus concedeu ao homem essa vontade livre com a finalidade de acolher a sua graça e agir bem.
No segundo momento, foi demonstrada a prova da existência de Deus que é fonte de todo o bem. Deus não é o autor do mal, mas do livre-arbítrio que é um bem. A investigação de Agostinho tem como ponto indubitável o fato de o livre-arbítrio ser um bem concedido ao homem por Deus.
Num terceiro momento, mostrou-se o louvor a Deus pela ordem universal, da qual o livre-arbítrio é um elemento positivo, ainda que sujeito ao pecado.
No último ponto, observamos uma síntese sobre a compreensão de liberdade no pensamento de Santo Agostinho. Assim, a verdadeira liberdade é aceitar a graça de Deus. O poder de escolha (livre-arbítrio) ainda não é liberdade. A liberdade se dá somente quando a vontade se volta para o bem. O livre-arbítrio nos dá a possibilidade de seguir ou não a vontade de Deus, porém, só será livre realmente aquele que, com a ajuda divina, optar por fazer a vontade de Deus.
Portanto, conclui-se que liberdade em Agostinho consiste em optar por fazer o bem, ou melhor, quando se faz bom uso da vontade se chega à Verdade que é Deus, só assim o homem será verdadeiramente livre. É esta a nossa liberdade: submetermo-nos a essa Verdade, que é Jesus Cristo: “se permanecerdes na minha palavra sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8, 31.32). Com efeito, nossa alma de nada goza com liberdade se não gozar com segurança.
   

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia.

AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 1996. (Os Pensadores).

O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995.  (Os Pensadores).

O Livre Arbítrio. 2. ed. Braga faculdade de filosofia, 1990.

O livre Arbítrio. Tradução Nair de Assis Oliveira. São Paulo. Paulus, 1995.

BÍBLIA. Português. A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

COSTA, Marcos Roberto Nunes. Conseqüências da problemática relação entre o livre-arbítrio Humano e a Providência Divina na solução Agostiniana do Mal.

HAHN, José Carlos. A divergência entre Agostinho e os maniqueus acerca do problema do mal na obra O livre arbítrio.

LORENZO, Alvarez et al. Lexicon – Dicionário Teológico Enciclopédico.

MACEDO, Welligton Carvalho. O Livre-Arbítrio como um bem e proveniente de Deus de acordo com o livro II da obra o livre- Arbítrio de Santo Agostinho.

MARTINS FILHO, Ives Granda da Silva. Manual esquemático de história da filosofia.

SCAPIN, Eloi Piovesan. O conceito de liberdade humana em O Livre Arbítrio de Santo Agostinho.

Santo Agostinho

Santo Agostinho (354-430) - Bispo de Hipona (norte de África) - Doutor da Igreja.

Ele veste os céus de nuvens, prepara a chuva para a terra; faz brotar a erva sobre os montes e as plantas úteis ao homem. (Sl 146, 8)

Os milagres realizados por Nosso Senhor Jesus Cristo são obras verdadeiramente divinas; eles dispõem a inteligência humana para conhecer Deus a partir do que é visível, pois os nossos olhos tornaram-se incapazes de O ver em consequência da sua própria natureza. Com efeito, os milagres que Deus opera para governar o universo e organizar toda a sua criação, à força de se repetirem, perderam de tal modo o seu valor, que quase ninguém se dá ao trabalho de reparar que obra maravilhosa e surpreendente Ele realiza num qualquer grãozinho de semente.
É por isso que, na sua benevolência, Ele Se reserva a possibilidade de realizar, no momento escolhido, algumas ações fora do curso normal das coisas. É que aqueles que menosprezam as maravilhas de todos os dias ficam estupefatos à vista de obras que saem do normal, e todavia nem reparam naquelas. Governar o universo é na verdade um milagre maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães! E contudo ninguém se espanta com isso. Com efeito, quem alimenta ainda hoje o universo senão Aquele que, com alguns grãos, cria as ceifas?
Cristo age, pois, em Deus. É pelo seu poder divino que faz sair abundantes colheitas de um pequeno número de grãos, e foi por esse mesmo poder que multiplicou os cinco pães. As mãos de Cristo estavam cheias de poder. Esses cinco pães eram como que sementes que, mesmo não tendo sido lançadas à terra, foram multiplicadas por Aquele que fez o céu e a terra.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Santo Efrém

Santo Efrém, o Sírio. Discípulo de um Bispo e Santo.

Poucos dados seguros temos acerca de sua infância. De acordo com alguns dos seus biógrafos, sua mãe era cristã, mas o pai, sacerdote pagão, proibiu-lhe educar o filho segundo as Leis do Evangelho. Não conseguindo ele, porém, evitar que florescesse na alma do menino uma profunda inclinação para o Cristianismo, expulsou-o de casa.

Efrém acorreu então ao Bispo, São Tiago, que o acolheu como a um filho: deu-lhe profunda formação catequética e ministrou-lhe o santo Batismo. Notando, com alegria, quanto o rapaz se sobressaía por sua inteligência e sabedoria, concedeu-lhe, aos 18 anos, a ordenação diaconal.

Pouco depois, entre maio e junho de 325, teve lugar o I Concílio de Nicéia, marco histórico na luta contra as insidiosas doutrinas de Ário. Sabe-se que São Tiago participou dele e se crê que o jovem diácono também compareceu como secretário do santo Bispo.

Encerrada a assembleia, Efrém passou a dar aulas na escola teológica aberta em Nísibe, como meio de combater as heresias que proliferavam por aquelas ruas e praças. Dedicou-se então de alma e corpo a esta tarefa e, em pouco tempo, conseguiu elevar a um alto grau o nível de formação de seus alunos. Com grande perspicácia e sabedoria, travou uma batalha sem tréguas na defesa da verdadeira Fé, cujo resultado não se fez esperar: muitas almas retornaram ao caminho da salvação.

Os três assédios de Nísibe.

Enquanto crescia a fama de santidade de Efrém, bem como a ­admiração dos seus concidadãos, Sapor II, rei persa e inimigo da Cruz de Cristo, ansiava por conquistar a cidade das mãos dos romanos. Por três vezes tentou assediá-la e nas três vezes foi repelido pelos cristãos. Foi por esta época que Efrém compôs as conhecidas Carmina Nisibena - Canções de Nísibe -, nas quais "canta em termos e figuras bíblicas as gestas e peripécias ocorridas na cidade de Nísibe para defender sua Fé Católica e não cair sob o domínio dos pagãos da Pérsia".
Conta-se que, durante um desses assédios, a população viu o diácono Efrém subir nas muralhas da cidade e traçar com determinação um grande sinal da Cruz, com o qual amaldiçoava as tropas do rei invasor. Em seguida, como que guiadas por uma mão invisível, nuvens de moscas e outros insetos se abateram sobre o exército inimigo. Entraram eles nas trombas dos elefantes, nas orelhas e narinas dos cavalos de guerra e bestas de carga, e provocaram um alvoroço tal que determinou a retirada das tropas.
Entretanto, o que os arrogantes esforços militares dos persas não conseguiram obter, foi-lhes entregue sem esforço, alguns anos mais tarde, pelo imperador Joviano, como parte do preço de um tratado de paz. Forçados a escolher entre o exílio, a escravidão ou a morte nas mãos dos pagãos, os cristãos viram-se obrigados a retirar-se de sua terra.

Teologia e poesia se encontram.

Efrém partiu em direção a Edessa e ali se instalou em uma gruta aberta num alcantilado dos arredores, decidido a dedicar-se por inteiro à contemplação e ascese. Neste privilegiado local escreveu a maior parte de suas obras, todas elas revestidas de grande riqueza teológica e adornadas por uma peculiaridade: a poesia. A especificidade da obra de Santo Efrém, sublinha Bento XVI em audiência geral, "é que nele teologia e ­poesia se encontram. Querendo aproximar-nos da doutrina, devemos insistir desde o início sobre este aspecto: isto é, o fato de que ele faz teologia de forma poética. A poesia permite-lhe aprofundar a reflexão teológica através de paradoxos e imagens". Não tardaram os eclesiásticos de Edessa a notar a sabedoria e santidade incomuns daquele ermitão e logo o convidaram a estruturar a incipiente escola teológica da cidade. Vendo a devastação causada em seus habitantes, pelas seitas heréticas que nela abundavam, o santo asceta aceitou.
Iniciou-se assim uma nova etapa de seu apostolado. Em pouco tempo reuniu em torno de si numerosos discípulos, aos quais se empenhava em dar sólida formação. Numa carta dirigida a um deles, aconselhava: "Meu filho, fixa-te na humildade e farás com que as virtudes de Deus te acompanhem. É incomensurável a beleza do homem humilde. Não há paixão, qualquer que seja, capaz de dominar este homem, e não há medida para a sua beleza".

Citarista do Espírito Santo e bardo de Maria.

Não foi fácil a luta do santo diácono contra as heresias, e poucos foram os resultados iniciais. Prosseguiu ele, todavia, sem perder o ânimo e, inspirado pelo Espírito Santo, encontrou um meio eficaz para propagar a boa doutrina na disputa contra os hereges: através da liturgia. Não foi sem razão, pois, conforme ensina o Papa Pio XI, "para instruir o povo nas coisas da Fé e atraí-lo por meio delas às íntimas alegrias do espírito, as comemorações anuais dos sagrados mistérios são mais eficazes que quaisquer ensinamentos, por mais autorizados que sejam, do Magistério eclesiástico". Tais comemorações nasceram e se desenvolveram "no transcurso dos séculos, conforme a necessidade e a utilidade do povo cristão iam pedindo, isto é, quando era preciso robustecê-lo contra um perigo comum ou defendê-lo contra os insidiosos erros da heresia, ou com frequência para animá-lo e incentivá-lo, a fim de que conhecesse e venerasse com maior devoção algum mistério da Fé ou algum benefício da divina bondade". Cheio de eloquência, sabedoria e santidade, compôs ele poesias e canções, pervadidas de beleza, de riqueza doutrinária e de unção sobrenatural, para serem cantadas nas assembleias. Reuniu para isso um grupo de virgens cristãs, favorecidas com especiais dotes musicais, e ensinou-lhes a declamar os poemas e cantar os hinos por ele compostos. Em breve tempo, estas poesias e canções ressoavam melodiosamente por toda a cidade. Devido à genialidade das composições, as pessoas as memorizavam com facilidade. Deste modo, difundiu-se por todos os rincões de Edessa o perfume dos ensinamentos evangélicos. Seus versos - apesar de simples e acessíveis ao povo, feitos para serem cantados no meio de todo mundo - tinham tanto encanto, formosura e densidade de doutrina, que Santo Efrém passou para a História da Igreja como a cítara do Espírito Santo. Dir-se-ia, comenta Plinio Corrêa de Oliveira, "que o Espírito Santo não só falava pela boca dele, mas cantava pelos sons harmoniosos de sua laringe e fazia vibrar a graça nas almas, ao diapasão da cítara com que ele cantava". Estes magníficos dons poéticos e musicais se direcionavam muitas vezes para uma luminosa Estrela que brilhava com especial fulgor na mente e no coração de Efrém: Maria Santíssima. Nutria por Ela uma devoção profunda e terna, que o acompanhou a cada passo. Em louvor à Virgem Mãe compôs um incontável número de orações e de melodias, as quais proclamavam, já naqueles remotos tempos, glórias e privilégios de Maria que o Magistério infalível da Igreja haveria de definir mais tarde.

O encontro de dois grandes Santos.

A par de Santo Efrém, brilhavam por este tempo três outros grandes astros da História da Igreja, denominados Padres Capadócios: São Basílio Magno, São Gregório de Nissa e São Gregório Nazianzeno. Três Bispos que, tal como o diácono de Edessa, dedicaram a vida para defender dos erros das heresias o rebanho posto sob sua guarda. Ecos da fama de santidade de um deles, São Basílio, chegaram a Efrém, o qual empreendeu uma longa viagem a Cesareia da Capadócia para conhecê-lo pessoalmente. E o santo Bispo, por sua vez, ficou tomado de entusiasmo ao ver a fulgurante santidade de seu visitante. Deste encontro surgiu uma estreita amizade que uniu para sempre os dois varões de Deus. Santo Efrém tirou muito proveito espiritual desta permanência junto a São Basílio e retornou a Edessa com muita gratidão para com a Divina Providência, por ter-lhe concedido tamanha graça. Por várias vezes quis Basílio conferir ao diácono a ordenação sacerdotal, inclusive elevá-lo à dignidade episcopal, mas sem êxito algum, pois este se considerava indigno de tão alto ministério.

Um esplendor que se irradiou pelo mundo.

Por volta do ano 378, enviou Deus a Efrém uma derradeira prova, destinada a coroar de modo magnífico sua existência de incansável luta em favor da Santa Igreja. Edessa foi assolada por uma terrível peste, que levou à eternidade muitos de seus habitantes e deixou numerosos outros prostrados no leito de dor. Tais circunstâncias abriram para o santo diácono um novo campo de batalha, no qual se consagraria de maneira generosa a Cristo: a assistência aos enfermos. Ele, que até então muito fizera pelas almas, passou a ocupar-se também dos corpos. Entregou-se com admirável empenho à rude labuta de socorrer aqueles infelizes. Atendia-os nas necessidades, animava-os nos sofrimentos, confortava-os nas angústias. Infatigável em tão caritativo labor, sentiu em si, certa manhã, os sintomas da peste. Era, em seu interior, a voz de Nosso Senhor Jesus Cristo chamando-o para receber no Céu o "prêmio demasiadamente grande" (Gn 15, 1). Transidos de dor, seus discípulos o assistiram durante a enfermidade. Já nos umbrais da morte, o santo mestre dá-lhes ainda uma última lição. Pede ele que, em vez de honras funerárias, seja-lhe oferecido algo muito mais valioso: as santas orações, o suave aroma do incenso espiritual que se eleva a Deus em favor de sua alma, o maior bem que se pode fazer a quem se apresenta ante o juízo divino. Assim coroou Efrém uma vida marcada pela entrega completa em favor da verdadeira doutrina, da salvação das almas, enfim, da glorificação da Santa Igreja Católica. Ele foi, nas palavras de São João Crisóstomo, "o açoite do preguiçoso, consolo dos aflitos, formador e estímulo da juventude, modelo dos monges, guia dos penitentes, espada e tormento para os hereges, escrínio de virtudes, templo e lugar de repouso do Espírito Santo". Por isso, o esplendor de sua santidade irradiou-se em breve por todo o mundo. De fato, afirma São Gregório de Nissa, "ele é conhecido em quase todos os lugares onde brilha o Sol".

Hino de Santo Efrém à Virgem Maria Deu-nos um fruto cheio de doçura.

Convida-me a Virgem a cantar o mistério que contemplo com admiração. Dai-me, ó Filho de Deus, vosso admirável dom, pelo qual eu afine minha lira e consiga pintar a imagem toda bela da vossa bem-amada Mãe. Permanecendo virgem, a Virgem Maria dá ao mundo seu Filho, amamenta Aquele que alimenta as nações, carrega em seu casto seio o sustentador do universo. Ela é Virgem e Mãe, que Lhe falta ser?
Santa de corpo e toda formosa de alma, pura de espírito, reta de inteligência, perfeita de sentimentos, casta, fiel, pura de coração, comprovada, Ela é cheia de todas as virtudes. Rejubile-se em Maria toda a estirpe das virgens, pois uma dentre elas deu à luz Aquele que sustenta toda a criação, Aquele que libertou da servidão o gênero humano. Em Maria encha-se de júbilo o velho Adão, ferido pela serpente. Dá-lhe Maria uma descendência que lhe permite esmagar a serpente maldita e o cura de sua mortal ferida. Regozijem-se os sacerdotes na Virgem bendita. Ela deu ao mundo o Sacerdote eterno, que é ao mesmo tempo Vítima. Ele pôs fim ao antigo sacrifício, oferecendo-Se como a Vítima que aplaca o Pai. Alegrem-se em Maria todos os profetas. N'Ela se cumpriram suas visões, realizaram-se suas profecias, confirmaram-se seus oráculos. 

domingo, 19 de julho de 2015

Salutar alegria

Nestes dias os homens vivem, alguns uma salutar alegria e outros um tormento constante.
Aos que buscam a Face Redentora de Cristo na dor e na morte diária para os bens deste mundo são reservadas e dispensadas inefáveis alegrias e a vida eterna, aos que rendem-se ao amor egoísta e mesquinho deste mundo, resta-lhes o sabor amargo do desespero pela morte que se aproxima!
Morrer em Cristo é renascer para a eternidade, morrer na subjetividade, na verdade do homem, é render-se a perdição eterna!

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domingo, 12 de julho de 2015

Beato Charles Eugène de Foucauld

Beato Charles Eugène de Foucauld (1858 - 1916).

Perdoa-me e ajuda-me, meu Deus! Faz morrer em mim o homem velho, vil, tíbio, ingrato, infiel, indeciso e enfraquecido, e cria em mim um coração novo, caloroso, corajoso, agradecido, fiel, forte, decidido e enérgico. Consagro-te todos os instantes que me resto viver. Faz com que meu futuro seja totalmente contrário do meu passado, que o redima, que seja inteiramente entregue a fazer a tua vontade, que em todos os instantes te glorifique na medida exigida pela tua vontade. Amém

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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Credo de Santo Atanásio

Credo de Santo Atanásio - Simbolo QUICUMQUE.

Santo Atanásio de Alexandria (293-373) foi o primeiro e grande defensor da Igreja contra os arianos. Desde criança este Santo já demonstrou ter dons e talentos especiais, e mais tarde a sua educação foi aperfeiçoada pelos Arcebispos da Alexandria, Pedro e Alexandre.

Santo Antão, o Grande, cuja vida Santo Atanásio escreveu, exerceu uma grande influência sobre ele.

Após ter se aprofundado nos estudos das Escrituras Sagradas e obras dos Santos Padres e Doutores da Igreja, bem como a literatura clássica da antiguidade, Santo Atanásio assumiu um cargo muito importante naquela época: o de arcediácono junto do bispo Alexandre. Em particular, durante o século IV, houve grandes Padres e Doutores que defenderam a Igreja na época em que ela foi, por muito tempo, profundamente abalada pela heresia de Ário (este herege renegava a natureza divina de nosso Senhor Jesus Cristo).

Durante sua vida tão agitada e sacrificada, Santo Atanásio escreveu muitas obras em defesa da Ortodoxia e ensinamentos para os fiéis. As suas obras, traduzidas para o russo, foram editadas em quatro volumes. Até hoje os pensamentos, as refutações e apologias de Santo Atanásio têm um grande significado para todos nós, pois a sua linguagem é muito rica.
Atanásio foi o sucessor do bispo de Alexandria, embora tivesse apenas 31 anos, e dirigiu a Igreja de Alexandria por 46 anos, período de muito sofrimento e perseguição. Os arianos não lhe deram descanso, que, com o apoio do imperador, espalharam muitas calúnias contra Atanásio, que por cinco vezes teve de fugir de sua sede episcopal. Refugiava-se no deserto onde conheceu e conviveu com o grande Santo Antão. Durante cinco anos ficou lá escondido, saindo somente à noite para dirigir sua igreja e consolar seus fiéis. Atanásio foi firme e inquebrantável com seus numerosos escritos, manteve viva a fé no Verbo Encarnado. Faleceu reconhecido por toda a Igreja, com 77 anos. E como reconhecimento de seu trabalho, fidelidade e fundamentais obras escritas para a Santa Igreja foi declarado Doutor da Igreja.

O Credo de Santo Atanásio, com quarenta artigos, é um tanto longo. Apesar de a data ser incerta, este credo foi elaborado para combater o arianismo e reafirmar a doutrina cristã-católica da Santíssima Trindade. Foi incluído na liturgia, é autêntica profissão de fé e é totalmente reconhecido pela Igreja Católica.
 
Uma ORAÇÃO a ser pronunciada todos os dias em todos os momentos assim como nossos PAIS na FÉ o faziam, e assim como, na Carta Apostólica sob forma Motu Próprio com a qual o Papa Emérito Bento XVI nos exorta a fazermos.
 
Hoje devemos professar nossa FÉ com a mesma força e intensidade com que o mundo professa seus mais diversos ódios.
 
Credo de Santo Atanásio: QUICUMQUE.
 
Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.
Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória e coeterna a majestade.
Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.
O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.
O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.
O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
E contudo não são três eternos, mas um só eterno.
Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.
Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
E contudo não são três deuses, mas um só Deus.
Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.
E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.
Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.
O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.
O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.
De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.
Mas, para alcançar a salvação é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.
Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.
E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.
Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.
Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.
Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.
E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.
Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.

VIVAT CHRISTUS REX






sexta-feira, 3 de julho de 2015

São Cipriano de Cartago.

São Cipriano de Cartago (200-258).

Irmãos, quem seria pois tão criminoso e obstinado na sua paixão pela discórdia, que imaginasse que se pode questionar e que ousasse ele próprio rasgar a unidade de Deus, as vestes do Senhor, a Igreja de Cristo? (Jo 19, 24) Pois não é certo que Deus faz ouvir, no seu Evangelho, esta advertência: Haverá um só rebanho e um só pastor (Jo 10, 16)? Depois disto, ainda haverá alguém pense que, num mesmo lugar, pode haver vários pastores e vários rebanhos? Vede como também o apóstolo Paulo nos recomenda esta unidade: Peço-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo: mantende-vos de acordo uns com os outros, para que não haja divisões. Sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar (1Cor 1, 10). Suportai-vos uns aos outros no amor. Mantende entre vós laços de paz, para conservardes a unidade do Espírito (Ef 4, 2-3).
E tu julgas que podes permanecer de pé e vivo se abandonares a Igreja para estabeleceres algures a tua morada e afastares dela a tua habitação? Pois não diz Ele no Êxodo, a propósito da Páscoa, que o cordeiro, imolado em prefiguração de Cristo, deve ser comido numa mesma casa? (Ex 12, 46) Não podemos deitar fora a carne de Cristo, o santo do Senhor; para os crentes, não há outra morada senão a Igreja. Esta casa, esta habitação de família unida, é designada pelo Espírito Santo quando diz num salmo: Deus faz habitar numa mesma casa os corações unânimes. É na casa de Deus, na Igreja de Cristo, que vivem os que os corações unânimes; é aí que podem permanecer na paz e na simplicidade.



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Padre Francesco Bemonte

Padre Francesco Bemonte - Presidente da Associação Internacional de Exorcistas. São Pio de Pietrelcina, como também o beato carmelita e...