domingo, 8 de fevereiro de 2015

Os silêncios do Amor

Os silêncios do Amor.

Os silêncios do amor são muitos. Já viu a beleza da mãe, que contempla em silêncio amoroso o seu filho; ou os silêncios carinhosos e eloquentes dos que se querem bem?  Não vamos falar de todos os belos silêncios. Apenas vamos pensar em dois:

A) A atenção. 

É a capacidade (a amabilidade) de escutar em silêncio, sem interromper. Já víamos que essa atitude é de respeito pelo outro e de caridade cristã. E dá alegria ao que, em boa fé, está a conversar conosco. Além disso, há pessoas muito solitárias que precisam, mais do que do alimento, de um coração que as escute com interesse.
Gosto de lembrar que faz muitos anos, quando eu era um padre novinho, ia visitar com frequência – por razões de trabalho – um velho bispo, que gostava de contar coisas da sua infância e juventude. Nas entrevistas, ele falava o tempo todo, e eu escutava sem dizer palavra, com um silêncio reverencial. Passados uns tempos, quase caí da cadeira quando soube, por um padre amigo, que o bispo dissera de mim que tinha “uma conversa muito agradável”. Se a única coisa que fazia era escutar!

B) O sacrifício silencioso. 

É maravilhosa a pessoa que sabe sofrer e sacrificar-se em silêncio, sem queixar-se nem por palavras, nem por olhares, nem por gestos.
Conheci muitas pessoas santas, que nunca reclamavam: nem da dor, nem do tempo, nem da comida, nem da doença. Como é agradável o convívio com elas. Fazem lembrar a atitude de Jesus durante a Paixão. Sofria e calava, por amor a nós. No meio de dores e injustiças brutais, Jesus, no entanto, permanecia calado (Mt 26, 63).
Há casos heroicos, verdadeiros reflexos de Cristo na Paixão. E há casos simples (também heroísmos ocultos) que podem ser imitados por todos. No mosteiro de Lisieux, onde morava Santa Teresinha, havia um freira que, sem se aperceber disso, tinha constantemente atitudes e comentários desagradáveis. Santa Teresinha propôs-se escutá-la e aceitar as suas inconscientes impertinências com grande paciência e sempre sorrindo. E a outra, ingênua como ela só, acabou comentando: “Não sei o que vê a irmã Teresa, que gosta tanto de mim”.
Não poderíamos encerrar bem este capítulo se nos esquecêssemos de falar do principal: que os maravilhosos silêncios de amor que fazem a vida agradável ao próximo, só podem nascer de um outro silêncio profundo, de um silêncio que purifica, aquece e transforma o coração: o silêncio com Deus, o silêncio da meditação, da oração íntima e cheia de amor, de humildade e de fé.
Tomara que nós pudéssemos repetir o que escrevia Ernest Psichari, neto de Ernest Renan, o famoso propagandista do ateísmo, após a sua conversão: “A esses grandes espaços de silêncio, de silêncio com Deus , que atravessam a minha vida, devo eu afinal tudo o que em mim possa haver de bom. Pobres daqueles que não conheceram o silêncio! Porque o silêncio é o mestre do amor”.
VIVAT CHRISTUS REX






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