sexta-feira, 31 de maio de 2013

São Josemariá Escrivá de Balaguer.

São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975) - Presbítero - Fundador da Opus Dei.
 
Cristo que passa:

«Donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?»
Cristo urge-nos. Cada um de vós há-de ser, não só apóstolo, mas apóstolo de apóstolos, arrastando outros convosco, movendo os demais para que também eles dêem a conhecer Jesus Cristo. Talvez algum de vós me pergunte como pode dar esse conhecimento às pessoas. E eu respondo-vos: com naturalidade, com simplicidade, vivendo como viveis, no meio do mundo, entregues ao vosso trabalho profissional e aos cuidados da vossa família. [...] A vida corrente pode ser santa e cheia de Deus; o Senhor chama-nos a santificar o trabalho quotidiano, porque aí está também a perfeição do cristão. Consideramo-lo [...] contemplando a vida de Maria.

Não nos esqueçamos de que a quase totalidade dos dias que Nossa Senhora passou na Terra decorreram de forma muito semelhante à vida diária de muitos milhões de mulheres, ocupadas em cuidar da sua família, em educar os seus filhos, em levar a cabo as tarefas do lar. Maria santifica as mais pequenas coisas, aquilo que muitos consideram erradamente como não transcendente e sem valor: o trabalho de cada dia, os pormenores de atenção com as pessoas queridas, as conversas e as visitas por motivo de parentesco ou de amizade... Bendita normalidade, que pode estar cheia de tanto amor de Deus!

Na verdade, é isso o que explica a vida de Maria: o amor. Um amor levado até ao extremo, até ao esquecimento completo de si mesma, contente por estar onde Deus quer que esteja e cumprindo com esmero a vontade divina. Isso é o que faz com que o mais pequeno dos seus gestos nunca seja banal, mas cheio de significado. Maria, nossa Mãe, é para nós exemplo e caminho. Havemos de procurar ser como Ela nas circunstâncias concretas em que Deus quis que vivêssemos.

VIVANT CHRISTUM REGEM


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Papa Francisco.

PAPA FRANCISCO.

Praça de São Pedro - Quarta-feira, 29 de Maio de 2013.

Queridos irmãos e irmãs,

Quero falar-vos hoje da Igreja, família de Deus. A Igreja tem a sua raiz no desejo de Deus chamar todos os homens à comunhão consigo, no desígnio de fazer da humanidade a única família dos seus filhos. Na plenitude dos tempos, Deus mandou Seu Filho, Jesus Cristo, para nos comunicar a vida divina. Foi na Cruz, do lado aberto de Cristo de onde jorraram sangue e água, símbolos dos Sacramentos da Eucaristia e do Batismo, que a Igreja teve a sua origem; e foi no dia de Pentecostes, recebendo o dom do Espírito Santo, que Ela se manifestou ao mundo, anunciando o Evangelho e difundindo o amor de Deus. Portanto, não tem sentido dizer que se aceita Cristo e não a Igreja, pois é somente por meio da Igreja que podemos entrar em comunhão com Cristo e com Deus.






VIVANT CHRISTUM REGEM

terça-feira, 28 de maio de 2013

A Oração - A Preguiça.

O homem do silêncio (Orante) sobe o monte e contempla a Face de Deus ao contemplar a vida que se faz. O homem da inquietude (preguiçoso) permanece em seus prazeres, que são deuses, ao realizar a todos seus desejos.

 
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São Bernardo.

São Bernardo (1091-1153). Monge Cisterciense - Doutor da Igreja.

Cem vezes mais agora.

Semeai a justiça, diz o Senhor, e recolhei a esperança da vida.Mas não te remete para o último dia, em que tudo vos será dado realmente e já não através da esperança; Ele fala do presente. Na verdade a nossa alegria será grande, infinita, quando começar a verdadeira vida. Mas desde já a esperança duma tão grande alegria não pode acontecer sem alegria: Sedes alegres na esperança, diz o apóstolo Paulo (Rm 12,12). E David não diz que estará na alegria mas que já a experimentou no dia em que esperou entrar na casa do Senhor (cf Sl 122,1). Ainda não possuía a vida, mas já tinha colhido a esperança da vida: experimentou a verdade da Escritura que diz que, não apenas a recompensa, mas a expectativa dos justos dá alegria (Pr 10,28). Esta alegria acontece na alma daquele que semeou a justiça pela convicção que tem de que os seus pecados foram perdoados. [...]

Quem quer que, de entre vós, após o início amargo da conversão, tem a felicidade de se sentir aliviado pela esperança dos bens que espera [...], já recolheu, desde esse momento, o fruto das suas lágrimas. Esse viu Deus e ouvi-O dizer: Dai-lhe do fruto das suas mãos (Pr 31,31). Como é que aquele que saboreou e viu como o Senhor é bom (cf Sl 34,9) pode deixar de ver a Deus? O Senhor Jesus é suave e amável para àquele que recebe dele, não apenas a remissão dos pecados, mas também o dom da santidade e, ainda melhor, a promessa da vida eterna. Feliz daquele que fez tão bela colheita. [...] O profeta diz em verdade: Aqueles que semeiam em lágrimas, recolherão com alegria (Sl 126,5). [...] Nenhum lucro nem honraria terrestre nos parecerá acima da nossa esperança e dessa alegria de esperar, já desde agora profundamente enraizada nos nossos corações: Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5).


segunda-feira, 27 de maio de 2013

São Clemente de Alexandria.

São Clemente de Alexandria (150-c. 215).

Os ricos podem salvar-se. 

Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?
Ignorar a Deus é morrer; pois a vida reside apenas em conhecê-Lo, viver Nele, amá-Lo e procurar assemelhar-se a Ele. Se quereis a vida eterna, [...] procurai antes de mais conhecê-Lo, ainda que ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-Lo (Mt 11,27). Em Deus, conhecei a grandeza do Redentor e a Sua graça inestimável; pois, diz o apóstolo João, a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (1,17). [...] Se a Lei de Moisés pudesse dar-nos a vida eterna, porque teria o nosso Salvador vindo ao mundo e sofrido por nós, desde o nascimento até à morte, percorrendo toda uma vida humana? Porque se teria este jovem, que tão bem cumpria desde a juventude os mandamentos da Lei, lançado aos Seus pés para Lhe pedir a imortalidade?

Este jovem observava a Lei na sua totalidade, e a ela se ligara desde a juventude. [...] Mas percebe bem que, se nada falta à sua virtude, lhe falta contudo a vida. É por isso que vem pedi-la Àquele que pode dar-lha; está seguro de estar em regra com a Lei, mas nem por isso deixa de implorar ao Filho de Deus. [...] As amarras da Lei não o defendem adequadamente das oscilações do navio, pelo que ele deseja abandonar esta navegação perigosa e lançar âncora no porto do Salvador.

Jesus não lhe censura a falta de cumprimento da Lei, mas olha-o com afeto, emocionado com a sua aplicação de bom aluno. Contudo, diz-lhe que é ainda imperfeito [...]: é bom trabalhador da Lei, mas preguiçoso para a vida eterna. A Lei santa é como um pedagogo que orienta para os mandamentos perfeitos de Jesus (Ga 3,24) e para a Sua graça. Jesus é o cumprimento da lei, para justificar todo aquele que crê Nele (Rm 10,4).

VIVANT CHRISTUM REGEM


domingo, 26 de maio de 2013

Hierarquia Angélica.

A Hierarquia Angélica

1. Arcanjos:
Que nos abrasem no amor a Deus, 
inflamem nosso coração no carinho a Maria. 
Que só nos entreguemos louvemos e sirvamos a Deus.

2. Anjos:
Que nos ajudem nas tentações, 
contra a fé, pureza e escrúpulos.

3. Serafins:
Que nos abrasem no amor a Deus, 
inflamem nosso coração no carinho a Maria. 
Que só nos entreguemos louvemos e sirvamos a Deus.

4. Querubins:
Que nos ajudem nas tentações, 
contra a fé, pureza e escrúpulos.

5. Tronos:
Que esclareçam e iluminem os governantes, 
Bispos e responsáveis por comunidades religiosas e civis.

6. Dominações:
Que esclareçam os hereges, ateus, 
incrédulos e cristãos pouco fervorosos.

7. Virtudes:
Que melhorem nossa vida espiritual, 
dando-nos coragem e força 
para cumprirmos as boas resoluções.

8. Potestades:
Que remova os obstáculos 
que possam impedir a execução dos desígnios de Deus, 
desfazendo as armadilhas e ciladas do inimigo. 
Que inspirem também os sacerdotes a se santificarem.

9. Principados:
Que defendam e protejam nosso país, cidade e igreja. 
Que ajam como instrumento de Deus 
na realização dos milagres.


VIVANT CHRISTUM REGEM


Santo Atanásio.

Santo Atanásio de Alexandria (293-373) foi o primeiro e grande defensor da Igreja contra os arianos. Desde criança este Santo já demonstrou ter dons e talentos especiais, e mais tarde a sua educação foi aperfeiçoada pelos Arcebispos da Alexandria, Pedro e Alexandre.

Santo Antônio, o Grande, cuja vida Santo Atanásio escreveu, exerceu uma grande influência sobre ele.

Após ter se aprofundado nos estudos das Escrituras Sagradas e obras dos Santos Padres e Doutores da Igreja, bem como a literatura clássica da antiguidade, Santo Atanásio assumiu um cargo muito importante naquela época: o de arcediácono junto do bispo Alexandre. Em particular, durante o século IV, houve grandes Padres e Doutores que defenderam a Igreja na época em que ela foi, por muito tempo, profundamente abalada pela heresia de Ário (este herege renegava a natureza divina de nosso Senhor Jesus Cristo).

Durante sua vida tão agitada e sacrificada, Santo Atanásio escreveu muitas obras em defesa da Ortodoxia e ensinamentos para os fiéis. As suas obras, traduzidas para o russo, foram editadas em quatro volumes. Até hoje os pensamentos, as refutações e apologias de Santo Atanásio têm um grande significado para todos nós, pois a sua linguagem é muito rica.

Atanásio foi o sucessor do bispo de Alexandria, embora tivesse apenas 31 anos, e dirigiu a Igreja de Alexandria por 46 anos, período de muito sofrimento e perseguição. Os arianos não lhe deram descanso, que, com o apoio do imperador, espalharam muitas calúnias contra Atanásio, que por cinco vezes teve de fugir de sua sede episcopal. Refugiava-se no deserto onde conheceu e conviveu com o grande Santo Antão. Durante cinco anos ficou lá escondido, saindo somente à noite para dirigir sua igreja e consolar seus fiéis. Atanásio foi firme e inquebrantável com seus numerosos escritos, manteve viva a fé no Verbo Encarnado. Faleceu reconhecido por toda a Igreja, com 77 anos. E como reconhecimento de seu trabalho, fidelidade e fundamentais obras escritas para a Santa Igreja foi declarado Doutor da Igreja.

O Credo de Santo Atanásio, com quarenta artigos, é um tanto longo. Apesar de a data ser incerta, este credo foi elaborado para combater o arianismo e reafirmar a doutrina cristã-católica da Santíssima Trindade. Foi incluído na liturgia, é autêntica profissão de fé e é totalmente reconhecido pela Igreja Católica.

Uma ORAÇÃO a ser pronunciada todos os dias em todos os momentos assim como nossos PAIS na FÉ o faziam, e assim como, na Carta Apostólica sob forma Motu Próprio com a qual o Papa Emérito Bento XVI nos exorta a fazermos.

Hoje devemos professar nossa FÉ com a mesma força e intensidade com que o mundo professa seus mais diversos ódios.

Credo de Santo Atanásio:

Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.
Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória e coeterna a majestade.
Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.
O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.
O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.
O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
E contudo não são três eternos, mas um só eterno.
Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.
Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
E contudo não são três deuses, mas um só Deus.
Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.
E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.
Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.
O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.
O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.
De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.
Mas, para alcançar a salvação é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.
Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.
E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.
Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.
Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.
Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.
E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.
Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.

 
VIVANT CHRISTUM REGEM

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sábado, 25 de maio de 2013

São Simeão.


Simeão o Novo Teólogo - Monge rego - (949-1022). 

Tudo o que o Pai tem é Meu.

Tu brilhaste, manifestaste como luz de glória 
A luz inacessível da Tua essência, Salvador, 
E iluminaste esta alma mergulhada nas trevas. [...] 
Alumiados pela luz do Espírito, 
Os homens olham o Filho, vêem o Pai 
E adoram a Trindade das Pessoas, o Deus único. [...] 

Porque o Senhor [Cristo] é o Espírito (2Cor 3,17), 
Espírito é também Deus, o Pai do Senhor, 
Verdadeiramente um só Espírito, pois Ele é indiviso. 
Aquele que O possui, possui em verdade aos três, 
Mas distintamente a cada um. [...] 
Pois o Pai existe, e como poderá ser Filho? 
Pois Ele é ingerado por essência. 
Há o Filho, e como Se tornará Espírito? 
O Espírito é Espírito – e como aparecerá Pai? 

O Pai é Pai, porque gera incessantemente. [...] 
O Filho é Filho porque incessantemente é gerado 
E foi gerado antes de todos os tempos. 
Surgiu sem ser cortado da Sua raiz. 
Mas está simultaneamente à parte sem estar separado 
E inteiro e uno com o Pai Vivo 
E Ele próprio é Vida e a todos dá a Vida (Jo 14,6; 10,28). 
Tudo o que o Pai tem, tem o Filho. 
Tudo o que o Filho tem, tem o Pai. 
Quando vejo o Filho, vejo o Pai. 
Vemos o Pai semelhante em tudo ao Filho, 
Salvo que um gera e o outro é incessantemente gerado. [...] 
Como surge do Pai o Filho? Tal e qual como a palavra sai do espírito. 
Como Se separa Dele? Tal e qual como da palavra, a voz. 
Como toma corpo? Tal e qual como a palavra que se escreve [...]. 

Como dar nome ao Criador de tudo? 
Nomes, ações, expressões, 
Tudo surgiu no mundo por ordem de Deus 
Porque Ele deu nomes às Suas obras 
E a cada realidade a designação devida. [...] 
Mas quanto ao Seu próprio nome, jamais O conhecemos, 
Somente o nomeamos por «Deus inexprimível», como dizem as Escrituras (cf Gn 32,30). 
Então, se Ele é inexprimível, se não tem nome, 
Se é invisível, se é misterioso, 
Se é inacessível, único acima de toda a palavra, 
Acima de todo o pensamento não apenas dos homens, 
Mas também do dos anjos, 
«Fez das trevas o Seu véu» (Sl 17,12). 
Tudo o mais aqui na Terra pertence às trevas 
Mas só Ele, como a luz, está fora das trevas.
VIVANT CHRISTUM REGEM

Beato Papa João Paulo II.

Beato Papa João Paulo II (1920-2005).

Os dois serão um só.

Quando Cristo, antes da Sua morte, no limiar do mistério pascal, reza dizendo: «Pai Santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um como Nós» (Jo 17,11), pede também de certa forma, e talvez de maneira especial, pela unidade dos esposos e das famílias. Ele reza pela unidade dos Seus discípulos, pela unidade da Igreja; ora, o mistério da Igreja é comparado ao matrimónio por São Paulo (Ef 5,32).

Assim, não só a Igreja deposita na família uma grande parte dos seus cuidados, mas também considera o sacramento do matrimónio, de certa forma, como o seu modelo. No amor de Cristo, seu Esposo, que nos amou até à morte, a Igreja contempla os esposos e as esposas que prometeram amar-se durante toda a vida, até à morte. E considera que tem o dever particular de proteger este amor, esta fidelidade e esta honestidade, assim como todos os bens que dela decorrem para a pessoa humana e a sociedade. É a família que propriamente dá vida à sociedade; é na família que, pela educação, se forma a estrutura da própria humanidade, de todos os homens deste mundo.

No Evangelho, [...] o Filho fala assim ao Pai: «Dei-lhes as palavras que Tu me tinhas dado: eles receberam-nas [...], e acreditaram que foste Tu que me enviaste. [...] Tudo o que é Meu é Teu e tudo o que é Teu é Meu» (v.8-10). Não é certo que o eco deste diálogo está patente no coração dos homens de todas as gerações? Que estas palavras constituem, em si próprias, o tecido da própria vida e da história de todas as famílias e, através da família, de todos os homens? [...] «Eu rezo por eles [...], por aqueles que Me deste, pois são Teus» (v.9).
 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Exortação á vida interior.

Exortação á vida interior.

Da privação de toda consolação.
 
1. Não é dificultoso desprezar as consolações humanas, quando gozamos das divinas. Grande coisa, porém, e mui meritória, é poder estar sem consolação, tanto divina como humana, sofrendo de boa mente o desamparo do coração, sem em nada buscar-se a si mesmo, nem atender ao seu próprio merecimento. Que maravilha será estares alegre e devoto, quando te assiste a graça! De todos é almejada esta hora. E mui suave andar, levado pela graça de Deus. E que maravilha não sentir a carga aquele que é sustentado pelo Onipotente e acompanhado do guia supremo!
 
2. Gostamos de ter qualquer consolação, e é penoso ao homem despojar-se de si mesmo. O glorioso mártir São Lourenço venceu o mundo em união com seu pai espiritual, porque desprezou todos os atrativos do século e sofreu com paciência, por amor de Cristo, que o separassem do Supremo Pontífice São Xisto a quem ele muito amava! Assim, com a amor de Deus, ele subjugou o amor da criatura, e ao alívio humano preferiu o beneplácito divino. Daí aprende tu a deixar, às vezes, por amor de Deus, um parente ou amigo querido. Nem tanto te aflijas se te abandonar algum amigo, sabendo que todos, finalmente, nos havemos de separar uns dos outros.
 
3. Só com renhido e longo combate interior aprende o homem a dominar-se plenamente e pôr em Deus todo o seu afeto. Quando o homem confia em si, facilmente desliza nas consolações humanas. Mas o verdadeiro amigo de Cristo e fervoroso imitador de suas virtudes não se inclina às consolações nem busca tais doçuras sensíveis; antes, procura exercícios austeros e sofre por Cristo trabalhos penosos.
 
4. Quando, pois, Deus te mandar consolação espiritual, recebe-a com ações de graças, mas lembra-te sempre que é mercê de Deus, e não merecimento teu. Com isto, porém, não te desvaneças, nem te entregues a excessiva alegria ou a vã presunção; sê antes mais humilde pelo dom recebido, mais prudente e timorato em tuas ações, pois passará aquela hora e voltará a tentação. Quando te for tirada a consolação, não desesperes logo, aguarda, pelo contrário, com humildade e paciência, a visita celestial; pois Deus é bastante poderoso para restituir-te maior graça e consolação. Isto não é novo nem estranho aos que são experientes nos caminhos de Deus; porque nos grandes santos e antigos profetas houve muitas vezes esta mudança.
 
5. Por isso um deles, sentindo a presença da graça, exclamava: Eu disse em minha abundância: não serei abalado jamais (Sl 29,7-18). Sentindo, porém, retirar-se a graça, acrescenta: Desviastes de mim, Senhor, o vosso rosto, e fiquei perturbado (v.8). Entretanto não desespera, mas com mais instância roga ao Senhor, e diz: A vós, Senhor, clamarei, e ao meu Deus rogarei (v.9). Alcança, afinal, o fruto de sua oração e atesta ter sido atendido, dizendo: Ouviu-me o Senhor, e compadeceu-se de mim, o Senhor se fez meu protetor (v.11). Mas em quê? Convertestes, diz ele, meu pranto em gozo, e me cercastes de alegria (v.12). Se isto sucedeu aos grandes santos, não devemos desesperar nós outros, fracos e pobres, por nos sentirmos umas vezes com fervor, outras vezes com frieza porque vai e vem o espírito de Deus, segundo lhe apraz. Por isso diz o santo Jó: Senhor, visitais o homem na madrugada, e logo o provais (7,18).
 
6. Em que posso, pois, esperar ou em que devo confiar, senão na grande misericórdia de Deus e na esperança da graça celestial? Porque, ou me assistem homens justos, irmãos devotos e amigos fiéis, ou livros santos e formosos tratados, ou cânticos e hinos suaves, tudo isso de pouco me serve e pouco me agrada, quando estou desamparado da graça e entregue à minha própria pobreza. Não há então melhor remédio que Deus.
 
7. Nunca encontrei homem tão religioso e devoto, que não sofresse, às vezes, a subtração da graça e sentisse o arrefecimento do fervor. Nenhum santo foi tão altamente arrebatado e esclarecido que, antes ou depois, não fosse tentado. Porque não é digno da alta contemplação de Deus quem por Deus não sofreu alguma tribulação. Costuma vir primeiro a tentação, como sinal precursor da próxima consolação; porque aos provados pela tentação é prometido o celeste consolo. A quem tiver vencido, diz o Senhor, darei a comer o fruto da árvore da vida (Ap 2,7).
 
8. Dá Deus a consolação, para fortalecer o homem contra as adversidades. Segue-se então a tentação, para que não se desvaneça a felicidade. O demônio não dorme, nem a carne já está morta; por isso, não cesses nunca de aparelhar-te para a peleja, porque à direita e à esquerda estão teus inimigos que nunca descansam.

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Padre Pio.

Padre Pio.

"Nos livros procuramos o conhecimento de Deus; na oração encontramos Deus vivo. A oração é a melhor arma que temos, é a chave do coração de Deus."

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terça-feira, 21 de maio de 2013

Santo Agostinho.

Santo Agostinho.

"Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente."

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São Francisco de Assis.

São Francisco de Assis.

Do enfermo que não gosta de fazer penitência.
 
Adoece o corpo, a morte avança, chegam os parentes e amigos e dizem: “Põe tuas coisas em ordem”. Vede como sua mulher, seus filhos, os parentes, os amigos andam fingindo que choram. Levantando os olhos e vendo-os chorar, ele move-se de falsa compaixão, reflete no seu íntimo e diz: “Vede, minha alma e meu corpo e tudo o que é meu deposito nas vossas mãos. É verdadeiramente maldito tal homem que deposita e entrega em mãos assim sua alma e seu corpo e tudo o que possui. Daí falar o Senhor pelo Profeta: “Maldito o homem que confia noutro homem”. E logo mandam vir o padre. O padre diz-lhe: “Você quer fazer penitência por seus pecados? ”Responde: “Quero”. “Você está disposto, na medida do possível, a pagar, com os seus bens, as dívidas que tem e reparar os logros e enganos que cometeu contra outros?”O retruca: “Não”. Diz o padre: “Por que não?”E ele responde: “Porque entreguei tudo às mãos dos parentes e amigos”. E começa a perder a fala e assim morre infeliz.
 
Saibam todos: Onde e como quer que um homem venha a morrer em pecado mortal sem a devida reparação e ele pôde fazer penitência mas a não fez, o diabo lhe arranca a alma do corpo sob tal angústia e medo que ninguém é capaz de conhecer senão quem no experimenta em sua própria pele. E todos os talentos e poderes e ciências e sabedorias que “julgava possuir ser-lhe-ão tirados”.
E tem de deixar os seus bens para os parentes e amigos e estes se apoderam deles e os distribuem entre si, e dirão mais tarde: “Maldita seja a sua alma, porque ele poderia ter dado e ganho para nós muito mais e o não fez”. O corpo comem-no os vermes. E assim ele perde a alma e o corpo neste mundo passageiro, e irá para o inferno, onde será atormentado para sempre.
 
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. A vós rogo me conjuro, Frei Francisco, vosso mínimo servo, pelo amor que é Deus, e desejando beijar-vos os pés que recebais estas e outras palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo com humildade e amor e as pratiqueis de boa vontade e com perfeição. E todos aqueles homens e mulheres que as receberem de boa mente e as entenderem e mandarem uma cópia a outros, se preservarem até o fim, que os abençoe o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amém.

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Exortação à vida interior.

EXORTAÇÕES À VIDA INTERIOR.

Como devemos andar perante Deus em verdade e humildade?
 
1. Jesus: Filho, anda diante de mim em verdade e procura-me sempre com simplicidade de coração. Quem anda diante de mim na verdade será defendido dos ataques inimigos, e a verdade o livrará dos enganos e das murmurações dos maus. Se te libertar a verdade, serás verdadeiramente livre e não farás caso das vãs palavras dos homens.
 
2. A alma: Verdade é, Senhor, o que dizeis; peço-vos que assim se faça comigo. A vossa verdade me ensine, me defenda e me conserve até meu fim salutar. Ela me livre de toda má afeição e amor desregrado e assim poderei andar convosco, com grande liberdade de coração.
 
3. Jesus: Eu te ensinarei, diz a Verdade, o que é justo e agradável a meus olhos. Relembra teus pecados com grande dor e pesar e jamais te desvaneças por tuas boas obras. Com efeito, és pecador, sujeito a muitas paixões e preso em seus laços. De ti pendes sempre para o nada; depressa cais, logo és vencido, logo perturbado, logo desanimado. Nada tens de que possas gloriar-te; muito, porém, para te humilhar; pois és muito mais fraco do que podes imaginar.
 
4. Nada, pois, do que fazes te pareça grande, nada precioso e admirável, nada digno de apreço, nada nobre, nada verdadeiramente louvável e desejável, senão o que é eterno. Acima de tudo te agrade a eterna verdade, e te desagrade a tua extrema vileza. Nada temas, nada vituperes e fujas tanto como os teus vícios de pecados, que te devem entristecer mais do que quaisquer prejuízos materiais.
 
Alguns não andam diante de mim com simplicidade, mas, curiosos e arrogantes, pretendem saber meus segredos e compreender os sublimes mistérios de Deus, descurando-se de si próprios e de sua salvação. Estes, por sua soberba e curiosidade, não raro caem em grandes tentações e pecados, porque me afasto deles.
 
5. Teme os juízos de Deus, treme da ira do Onipotente. Não queiras discutir as obras do Altíssimo; examina antes as tuas iniquidades  quanto mal cometestes e quanto bem deixastes de fazer por negligência. Alguns põem toda a sua devoção nos livros, outros nas imagens, outros em sinais e exercícios exteriores. Alguns me trazem na boca, mas mui pouco no coração.
 
Outros há, porém, que, alumiados no entendimento e purificados no afeto, sempre suspiram pelos bens eternos; não gostam de ouvir das coisas da terra e com repugnância satisfazem as exigências da natureza; estes percebem o que lhe diz o Espírito da Verdade. Pois lhes ensina a desprezar as coisas terrenas e amar as celestiais, a esquecer o mundo e almejar o céu dia e noite.


VIVANT CHRISTUM REGEM


domingo, 19 de maio de 2013

Papa Francisco.

SOLENIDADE DE PENTECOSTES - SANTA MISSA COM OS MOVIMENTOS ECLESIAIS - HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO.

Praça de São Pedro - 19 / 05 / 2013
 
Amados irmãos e irmãs,

Neste dia, contemplamos e revivemos na liturgia a efusão do Espírito Santo realizada por Cristo ressuscitado sobre a sua Igreja; um evento de graça que encheu o Cenáculo de Jerusalém para se estender ao mundo inteiro.

Então que aconteceu naquele dia tão distante de nós e, ao mesmo tempo, tão perto que alcança o íntimo do nosso coração? São Lucas dá-nos a resposta na passagem dos Atos dos Apóstolos que ouvimos (2, 1-11). O evangelista leva-nos a Jerusalém, ao andar superior da casa onde se reuniram os Apóstolos. A primeira coisa que chama a nossa atenção é o rombo improviso que vem do céu, «comparável ao de forte rajada de vento», e enche a casa; depois, as «línguas à maneira de fogo» que se iam dividindo e pousavam sobre cada um dos Apóstolos. Rombo e línguas de fogo são sinais claros e concretos, que tocam os Apóstolos não só externamente mas também no seu íntimo: na mente e no coração. Em consequência, «todos ficaram cheios do Espírito Santo», que esparge seu dinamismo irresistível com efeitos surpreendentes: «começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem». Abre-se então diante de nós um cenário totalmente inesperado: acorre uma grande multidão e fica muito admirada, porque cada qual ouve os Apóstolos a falarem na própria língua. É uma coisa nova, experimentada por todos e que nunca tinha sucedido antes: «Ouvimo-los falar nas nossas línguas». E de que falam? «Das grandes obras de Deus».

À luz deste texto dos Atos, quereria refletir sobre três palavras relacionadas com a ação do Espírito: novidade, harmonia e missão.

1. A novidade causa sempre um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós a construir, programar, projetar a nossa vida de acordo com os nossos esquemas, as nossas seguranças, os nossos gostos. E isto verifica-se também quando se trata de Deus. Muitas vezes seguimo-Lo e acolhemo-Lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança, deixando que o Espírito Santo seja a alma, o guia da nossa vida, em todas as decisões; temos medo que Deus nos faça seguir novas estradas, faça sair do nosso horizonte frequentemente limitado, fechado, egoísta, para nos abrir aos seus horizontes. Mas, em toda a história da salvação, quando Deus Se revela traz novidade – Deus traz sempre novidade - , transforma e pede para confiar totalmente n’Ele: Noé construiu uma arca, no meio da zombaria dos demais, e salva-se; Abraão deixa a sua terra, tendo na mão apenas uma promessa; Moisés enfrenta o poder do Faraó e guia o povo para a liberdade; os Apóstolos, antes temerosos e trancados no Cenáculo, saem corajosamente para anunciar o Evangelho. Não se trata de seguir a novidade pela novidade, a busca de coisas novas para se vencer o tédio, como sucede muitas vezes no nosso tempo. A novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza, o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem. Perguntemo-nos hoje a nós mesmos: Permanecemos abertos às «surpresas de Deus»? Ou fechamo-nos, com medo, à novidade do Espírito Santo? Mostramo-nos corajosos para seguir as novas estradas que a novidade de Deus nos oferece, ou pomo-nos à defesa fechando-nos em estruturas caducas que perderam a capacidade de acolhimento? Far-nos-á bem pormo-nos estas perguntas durante todo o dia.

2. Segundo pensamento: à primeira vista o Espírito Santo parece criar desordem na Igreja, porque traz a diversidade dos carismas, dos dons. Mas não; sob a sua ação, tudo isso é uma grande riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade, mas a recondução do todo à harmonia. Quem faz a harmonia na Igreja é o Espírito Santo. Um dos Padres da Igreja usa uma expressão de que gosto muito: o Espírito Santo «ipse harmonia est – Ele próprio é a harmonia». Só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade. Também aqui, quando somos nós a querer fazer a diversidade fechando-nos nos nossos particularismos, nos nossos exclusivismos, trazemos a divisão; e quando somos nós a querer fazer a unidade segundo os nossos desígnios humanos, acabamos por trazer a uniformidade, a homogeneização. Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade nunca dão origem ao conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja. O caminhar juntos na Igreja, guiados pelos Pastores – que para isso têm um carisma e ministério especial – é sinal da ação do Espírito Santo; uma característica fundamental para cada cristão, cada comunidade, cada movimento é a eclesialidade. É a Igreja que me traz Cristo e me leva a Cristo; os caminhos paralelos são muito perigosos! Quando alguém se aventura ultrapassando (proagon) a doutrina e a Comunidade eclesial – diz o apóstolo João na sua Segunda Carta - e deixa de permanecer nelas, não está unido ao Deus de Jesus Cristo (cf. 2 Jo 1, 9). Por isso perguntemo-nos: Estou aberto à harmonia do Espírito Santo, superando todo o exclusivismo? Deixo-me guiar por Ele, vivendo na Igreja e com a Igreja?

3. O último ponto. Diziam os teólogos antigos: a alma é uma espécie de barca à vela; o Espírito Santo é o vento que sopra na vela, impelindo-a para a frente; os impulsos e incentivos do vento são os dons do Espírito. Sem o seu incentivo, sem a sua graça, não vamos para a frente. O Espírito Santo faz-nos entrar no mistério do Deus vivo e salva-nos do perigo de uma Igreja gnóstica e de uma Igreja narcisista, fechada no seu recinto; impele-nos a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a vida boa do Evangelho, para comunicar a alegria da fé, do encontro com Cristo. O Espírito Santo é a alma da missão. O sucedido em Jerusalém, há quase dois mil anos, não é um facto distante de nós, mas um facto que nos alcança e se torna experiência viva em cada um de nós. O Pentecostes do Cenáculo de Jerusalém é o início, um início que se prolonga. O Espírito Santo é o dom por excelência de Cristo ressuscitado aos seus Apóstolos, mas Ele quer que chegue a todos. Como ouvimos no Evangelho, Jesus diz: «Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco» (Jo 14, 16). É o Espírito Paráclito, o «Consolador», que dá a coragem de levar o Evangelho pelas estradas do mundo! O Espírito Santo ergue o nosso olhar para o horizonte e impele-nos para as periferias da existência a fim de anunciar a vida de Jesus Cristo. Perguntemo-nos, se tendemos a fechar-nos em nós mesmos, no nosso grupo, ou se deixamos que o Espírito Santo nos abra à missão. Recordemos hoje estas três palavras: novidade, harmonia, missão.

A liturgia de hoje é uma grande súplica, que a Igreja com Jesus eleva ao Pai, para que renove a efusão do Espírito Santo. Cada um de nós, cada grupo, cada movimento, na harmonia da Igreja, se dirija ao Pai pedindo este dom. Também hoje, como no dia do seu nascimento, a Igreja invoca juntamente com Maria: «Veni Sancte Spiritus… – Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor»! Amém.


VIVANT CHRISTUM REGEM


sexta-feira, 17 de maio de 2013

São João Crisóstomo.

São João Crisóstomo (345-407) - Presbítero de Antioquia - Bispo de Constantinopla - Doutor da Igreja

Amas-Me? [...] Apascenta as Minhas ovelhas.

Imitemos a conduta dos apóstolos e não lhes seremos inferiores em nada. Com efeito não foram os seus milagres que os fizeram apóstolos, foi a santidade das suas vidas. É nisso que se reconhece um discípulo de Cristo. Essa marca foi-nos dada claramente pelo Senhor: quando quis traçar o retrato dos Seus discípulos e revelar o sinal que distinguiria os Seus apóstolos, disse: Por isto é que todos conhecerão que sois Meus discípulos. Que sinal é esse? Fazer milagres? Ressuscitar os mortos? De forma nenhuma. Então qual?  Todos os homens «conhecerão que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35).

 O amor não é um milagre, mas uma obra: É no amor que está o pleno cumprimento da lei (Rm 13,10). [...] Tende, pois, amor em vós e estareis entre os apóstolos, mesmo na primeira fila. Quereis outra prova deste ensinamento? Vede como Cristo Se dirige a Pedro: Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes? Não há nada que mais nos faça alcançar o Reino dos céus do que amar Cristo como Ele merece. [...] Que faremos para O amar mais do que os apóstolos? [...] Escutemos Cristo, esse mesmo Cristo que devemos amar: Se Me amas mais que estes, apascenta as minhas ovelhas. [...] O zelo a compaixão, os cuidados, são atos e não são milagres.
 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Santo Atanásio.

Santo Atanásio, Bispo de Alexandria - (século IV).

Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.
Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória e coeterna a majestade.
Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.
O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.
O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.
O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
E contudo não são três eternos, mas um só eterno.
Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.
Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
E contudo não são três deuses, mas um só Deus.
Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.
E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.
Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.
O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.
O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.
De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.
Mas, para alcançar a salvação  é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.
Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.
E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.
Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.
Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.
Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.
E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.
Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.

VIVANT CHRISTUM REGEM


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Padre Francesco Bemonte - Presidente da Associação Internacional de Exorcistas. São Pio de Pietrelcina, como também o beato carmelita e...