quinta-feira, 11 de abril de 2013

São Francisco de Assis - Carta aos fiéis.

São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone - São Francisco de Assis / 5 de julho de 1182 - 3 de outubro de 1226).

CARTA AOS FIÉIS:

A data deste escrito é desconhecida. Possivelmente entre 1215 e 1233. É uma exortação do que propriamente uma carta. Não se dirige aos frades menores, pois as alusões à restituição dos bens excluem a hipótese. Também não pode ser a “todos os fiéis” sem distinção, pois aí se fala da obrigação de observar “os conselhos” do Senhor e da obediência recíproca “como cada qual prometeu ao Senhor”. Os destinatários serão, pois, cristãos, clérigos ou leigos, que levam uma vida religiosa mais intensa, e talvez ligados a Francisco de maneira particular. 

Aqui começa a carta de admoestação e exortação de nosso venerável pai São Francisco: 

Em nome do Senhor: do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A todos os cristãos que vivem religiosamente, clérigos e leigos, homens e mulheres, a todos os que habitam no mundo universo, Frei Francisco, de todos servo e vassalo, saúda com reverente dedicação e deseja a verdadeira paz do céu e sincera caridade no Senhor.

Sendo servo de todos, a todos devo servir as odoríferas palavras de meu Senhor. Por isso, considerando que não posso visitar a cada um em particular, por causa da enfermidade e debilidade do meu corpo, fiz o propósito de comunicar-vos por meio das presentes letras e de mensageiros as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Palavra do Pai, bem como as palavras do Espírito Santo, que são “espírito e vida”.

Que não devemos ser sábios segundo a carne:

Não devemos ser sábios e prudentes segundo a carne, mas antes sejamos simples, humildes e puros. E mantenhamos nossos corpos em opróbrio e desprezo, pois somos por nossa própria culpa míseros e cheios de podridão, asquerosos e vermes, segundo diz o Senhor pelo Profeta: “Eu sou um verme, já não sou homem, opróbrio de todos e a abjeção da plebe”. Nunca devemos aspirar a sobrepor-nos aos outros, mas antes sejamos por amor de Deus os servos e “súditos de toda criatura humana”.

E todos os homens e mulheres que assim agirem e perseverarem até o fim verão “repousar sobre si o Espírito do Senhor”, e Ele fará neles sua moradia permanente, e eles serão filhos do Pai celestial, cujas obras fazem. E eles são esposos, irmãos e mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma crente está unida a Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está nos céus. Somos suas mães, se com amor e consciência pura e sincera o trazemos em nosso coração e nosso seio e o damos à luz por obras santas que sirvam de luminoso exemplo aos outros. Como é honroso e santo ter no céu em Pai! Como é santo, consolador e deleitável ter no céu um esposo! Como é santo, e como é querido, agradável, aprazível, humilde, tranquilizador  doce, amorável e sobre todas as coisas desejável ter tal irmão que entregou sua vida por suas ovelhas e por nós orou ao Pai, dizendo: Pai santo, guarda em teu nome os que me deste.

Pai, todos quantos no mundo me deste, eram teus, mas tu nos destes. E as palavras que me deste eu lhas dei a eles e receberam-nas e ficaram sabendo que em verdade saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. Rogo por eles, não pelo mundo. Abençoa-os e santifica-os. Também eu por causa deles me santifico a mim mesmo, para que eles sejam santificados para a união, como nós somos um. E quero, Pai, que, onde eu estiver, estejam eles comigo, para que vejam a minha glória no teu Reino.

VIVANT CHRISTUM REGEM

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