terça-feira, 30 de abril de 2013

Padre Pio de Pietrelcina

Comentário ao Evangelho do dia (S. João 14,27-31) feito por São Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968). 

Deixo-vos a paz; dou-vos a Minha paz.

O Espírito de Deus é espírito de paz; mesmo quando cometemos os mais graves pecados, Ele faz-nos sentir uma dor tranquila, humilde e confiante, devido, precisamente, à Sua misericórdia. Ao invés, o espírito do mal excita, exaspera e faz-nos sentir, quando pecamos, uma espécie de cólera contra nós; e no entanto o nosso primeiro gesto de caridade deveria justamente ser para com nós próprios. Portanto, quando és atormentado por certos pensamentos, tal agitação não te vem nunca de Deus, mas do demônio porque Deus, sendo espírito de paz, só pode dar-te serenidade.

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

São Patrício.

São Patrício (387-461). Foi missionário cristão, sendo depois sagrado Bispo e Santo.

Couraça de São Patrício:

“Cristo comigo,
Cristo em minha frente,
Cristo atrás de mim,
Cristo em mim,
Cristo abaixo de mim,
Cristo sobre mim,
Cristo à minha direita,
Cristo à minha esquerda,
Cristo quando me deito,
Cristo quando me sento,
Cristo quando me levanto,
Cristo no coração de cada um que pensa em mim,
Cristo na boca de cada um que fala de mim,
Cristo em todo olho que me vê,
Cristo em todo ouvido que me ouve.
Amém!”


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domingo, 28 de abril de 2013

Santo Agostinho.

Paz e Bem.

Santo Agostinho:

"É o olhar característico do amor que torna a pessoa sensível e atenta para perceber os sinais e demonstrações de afeto, por mais pequenos que sejam ou que aparentemente assim o sejam, que fazem nascer no coração um fundamental sentido de reconhecimento em relação a vida, aos outros, a Deus."



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Santo Agostinho.

Paz e Bem.

Santo Agostinho:

"Ser cristão não é conquistar Cristo, mas deixar-se conquistar por Ele.
Deixa que Ele conquiste em ti, que Ele conquiste para ti, que Ele te conquiste."


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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Terço da Paixão de Jesus Cristo

Terço da Paixão.

No princípio:

Credo, (1) Pai-Nosso, (3) Ave-Maria e (1) Glória ao Pai.

Nas contas grandes:

"Nós Vos adoramos e louvamos Jesus Divino, porque pela Vossa Paixão e Morte remistes mundo."

Nas contas pequenas:

"Pelos merecimentos de Vossa Paixão e Morte, perdoai-nos Jesus!"

Ao final cada dezena:

"Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós!"

No fim do Terço, rezar três vezes:

"Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo
inteiro." Amém.
 
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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (Evangelho Marcos 16,15-20) feito por São Bruno de Segni (1045-1123).

«O Senhor cooperava com eles, confirmando a palavra»

O Senhor disse aos Onze: «Estes sinais hão-de acompanhar aqueles que crêem: em Meu nome expulsarão demónios, falarão novas línguas, apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão-de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados.» No início da Igreja, todos os sinais que o Senhor estabelece aqui foram cumpridos à risca, não só pelos apóstolos, mas por muitos outros santos. Os pagãos não teriam abandonado a adoração de ídolos se a pregação do Evangelho não tivesse sido confirmada por tantos sinais e milagres. De facto, não pregavam os discípulos de Cristo «um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios», nas palavras de São Paulo? (1 Cor 1,23) [...]

Para nós, doravante, deixaram de ser necessários sinais e prodígios: basta-nos ler ou ouvir o relato daqueles que foram realizados. Porque acreditamos nos Evangelhos, acreditamos nas Escrituras que os contam. E, no entanto, ainda hoje se produzem sinais todos os dias; e, se prestarmos bem atenção, reconheceremos que eles têm muito mais valor do que os milagres materiais de outrora.

Todos os dias os padres administram o baptismo e chamam à conversão: não é isto expulsar os demónios? Todos os dias falam uma nova linguagem quando explicam a Sagrada Escritura, substituindo a letra antiga pela novidade do sentido espiritual. Põem em fuga as serpentes, quando libertam os corações dos pecadores de seus laços com o mal por meio de suaves exortações [...]; curam os enfermos quando reconciliam com Deus, através de suas orações, as almas enfermas. Estes eram os sinais que o Senhor havia prometido aos Seus santos: eles os realizam ainda hoje.
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quarta-feira, 24 de abril de 2013

São Francisco de Assis.


Exortação aos irmãos e irmãs.

Em nome do Senhor!

Dos que fazem penitência:

Quão felizes e benditos são aqueles e aquelas que amam o Senhor “de todo coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” e ao próximo como a si mesmos, odiando seus corpos com seus vícios e pecados, recebendo o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e produzindo frutos dignos de penitência.

Felizes e benditos os que assim fazem e assim perseveram, porque “sobre eles repousará o Espírito do Senhor” que neles fará morada. Estes são filhos do Pai celeste, fazem as obras do Pai, são esposos, irmãos e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando por virtude do Espírito Santo, a alma fiel se une a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Somos irmãos de Cristo, quando fazemos a “vontade do Pai que está nos céus” e somos mães, quando o levamos em nosso coração e em nosso corpo por virtude do amor divino e de uma pura e sincera consciência; nós o geramos por uma vida santa, que deve brilhar como exemplo para os outros.

Como é glorioso, santo e sublime ter um pai nos céus!Como é santo, consolador, belo e admirável ter tal esposo! Como é santo, dileto, agradável, humilde, pacífico, suave, amável e, sobretudo, desejável ter tal irmão e tal filho: nosso Senhor Jesus Cristo. Ele entregou sua vida pelas suas ovelhas e orou ao Pai dizendo: “Pai santo, conserva em teu nome aqueles que me deste no mundo; eram teus e os destes a mim”.

E as “palavras que me deste, dei-as a eles; eles as aceitaram e creram na verdade, porque de ti saí e conheceram que tu me enviaste”. Rogo por eles “não pelo mundo”. Abençoa-os e “santifica-os”. Também eu “por causa deles me santifico a mim mesmo”. Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão de crer em mim pela palavra deles para que sejam santificados na união assim como nós. E quero, Pai, que onde eu estiver, estejam eles comigo, para que vejam a minha glória no teu reino. Amém.

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Papa Francisco - Audiência geral.


PAPA FRANCISCO - AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro - 24 /04 / 2013

No Credo, confessamos que Jesus «de novo há-de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos». O pensamento do Juízo final não nos deve assustar, mas impelir-nos a viver melhor o presente. Com efeito, a história humana começa com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e termina com o Juízo final realizado por Cristo. Agora encontramo-nos no tempo intermédio, à espera da sua segunda Vinda: um tempo em que devemos manter acesas as nossas lâmpadas da fé, da esperança e da caridade. Neste tempo de espera, temos de pôr a render os talentos que Deus nos deu; sobretudo nestes dias de crise, é importante que cada um não enterre os seus talentos, mas se abra e seja solidário com o outro. Deus oferece-nos, com misericórdia e paciência, este tempo para aprendermos a reconhecê-Lo nos pobres e nos humildes e perseverarmos vigilantes no amor. Possa o Senhor, no fim da nossa vida e da nossa história, reconhecer-nos como servos bons e fiéis!

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Papa Francisco - Audiência geral

PAPA FRANCISCO - AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro - Quarta-feira, 17 / 04 / 2013

Subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No Credo, encontramos a afirmação que Jesus «subiu ao Céu, está sentado à direita do Pai». A vida terrena de Jesus culmina com o evento da Ascensão, ou seja, quando Ele passa deste mundo para o Pai e é elevado à sua direita. Qual é o significado deste acontecimento? Quais são as suas consequências para a nossa vida? O que significa contemplar Jesus sentado à direita do Pai? Nisto, deixemo-nos guiar pelo evangelista Lucas.

Comecemos pelo momento em que Jesus decide empreender a sua última peregrinação a Jerusalém. São Lucas observa: «Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, Ele resolveu dirigir-se a Jerusalém» (Lc 9, 51). Enquanto «ascende» à Cidade santa, onde se realizará o seu «êxodo» desta vida, Jesus já vê a meta, o Céu, mas sabe bem que o caminho que o leva à glória do Pai passa pela Cruz, através da obediência ao desígnio divino de amor pela humanidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma que «a elevação na cruz significa e anuncia a elevação da ascensão aos céus» (n. 662). Também nós devemos ver claramente na nossa vida cristã, que a entrada na glória de Deus exige a fidelidade diária à sua vontade, mesmo quando requer sacrifício e às vezes exige que mudemos os nossos programas. A Ascensão de Jesus verifica-se concretamente no monte das Oliveiras, perto do lugar para onde se tinha retirado em oração antes da paixão, para permanecer em profunda união com o Pai: mais uma vez, vemos que a oração nos concede a graça de viver fiéis ao desígnio de Deus.

No final do seu Evangelho, são Lucas narra o evento da Ascensão de modo muito sintético. Jesus conduziu os discípulos «para Betânia e, levantando as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado para o céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus» (24, 50-53); assim diz são Lucas. Gostaria de observar dois elementos desta narração. Antes de tudo, durante a Ascensão, Jesus realiza o gesto sacerdotal da bênção e sem dúvida os discípulos manifestam a sua fé com a prostração, ajoelham-se inclinando a cabeça. Este é o primeiro ponto importante: Jesus é o único e eterno Sacerdote que, com a sua paixão, atravessou a morte e o sepulcro, ressuscitou e subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai, de onde intercede para sempre a nosso favor (cf. Hb 9, 24). Como afirma são João, na sua primeira Carta, Ele é o nosso advogado: como é bom ouvir isto! Quando alguém é convocado pelo juiz ou tem uma causa, a primeira coisa que faz é procurar um advogado para que o defenda. Nós temos um, que nos defende sempre, defende-nos das insídias do diabo, defende-nos de nós mesmos e dos nossos pecados! Caríssimos irmãos e irmãs, temos este advogado: não tenhamos medo de o procurar para pedir perdão, para pedir a bênção, para pedir misericórdia! Ele perdoa-nos sempre, é o nosso advogado: defende-nos sempre! Não esqueçais isto! Assim, a Ascensão de Jesus ao Céu leva-nos a conhecer esta realidade tão consoladora para o nosso caminho: em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a nossa humanidade foi levada para junto de Deus; Ele abriu-nos a passagem; Ele é como um chefe de grupo, quando se escala uma montanha, que chega ao cimo e nos puxa para junto de si, conduzindo-nos para Deus. Se lhe confiarmos a nossa vida, se nos deixarmos guiar por Ele, temos a certeza de estar em mãos seguras, nas mãos do nosso Salvador, do nosso advogado.

Um segundo elemento: são Lucas afirma que os Apóstolos, depois de terem visto Jesus subir ao Céu, voltaram para Jerusalém «com grande júbilo». Isto parece-nos um pouco estranho. Em geral, quando estamos separados dos nossos familiares, dos nossos amigos, devido a uma partida definitiva e sobretudo por causa da morte, apodera-se de nós uma tristeza natural, porque já não veremos o seu rosto, nem ouviremos a sua voz, já não poderemos beneficiar do seu carinho, da sua presença. Ao contrário, o evangelista sublinha a profunda alegria dos Apóstolos. Mas por quê? Precisamente porque, com o olhar da fé, eles compreendem que, não obstante tenha sido subtraído aos seus olhos, Jesus permanece para sempre com eles, não os abandona e, na glória do Pai, sustém-nos, orienta-os e intercede por eles.
São Lucas descreve o acontecimento da Ascensão também no início dos Actos dos Apóstolos, para frisar que tal evento é como o elo que une e liga a vida terrena de Jesus à vida da Igreja. Aqui são Lucas refere-se também à nuvem que subtrai Jesus à vista dos discípulos, os quais permanecem a contemplar Cristo que sobe para junto de Deus (cf. Act 1, 9-10). Então intervêm dois homens em vestes brancas que os convidam a não permanecer imóveis a contemplar o céu, mas a alimentar a sua vida e o seu testemunho com a certeza de que Jesus voltará do mesmo modo como o viram subir ao céu (cf. Act 1, 10-11). É precisamente o convite a começar a partir da contemplação do Senhorio de Cristo, a fim de receber dele a força para anunciar e testemunhar o Evangelho na vida de todos os dias: contemplar e agir, ora et labora, ensina são Bento, são ambos necessários na nossa vida de cristãos.

Caros irmãos e irmãs, a Ascensão não indica a ausência de Jesus, mas diz-nos que Ele está vivo no meio de nós de modo novo; já não se encontra num lugar específico do mundo, como era antes da Ascensão; agora está no Senhorio de Deus, presente em cada espaço e tempo, próximo de cada um de nós. Na nossa vida nunca estamos sozinhos: temos este advogado que nos espera e nos defende. Nunca estamos sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado orienta-nos; juntamente connosco existem muitos irmãos e irmãs que, no silêncio e no escondimento, na sua vida de família e de trabalho, nos seus problemas e dificuldades, nas suas alegrias e esperanças, vivem todos os dias a fé e, juntamente connosco, anunciam ao mundo o Senhorio do amor de Deus, em Jesus Cristo ressuscitado que subiu ao Céu, nosso advogado. Obrigado!



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domingo, 21 de abril de 2013

IMITAÇÃO DE CRISTO - Frei Tomás de Kempis


Da escola da paciência e luta contra as concupiscências

1. A alma: Deus e Senhor meu, pelo que vejo, a paciência me é muito necessária; pois são muitas as contrariedades desta vida. Por mais que se procure a paz, não há viver sem combate e sofrimento.

2. Jesus: Assim é, filho, e não quero que busques uma paz isenta de tentações e contrariedades, mas que julgues ter achado a paz, ainda quando fores molestado de muitas atribulações e provado em muitas contrariedades. Se dizes que não podes sofrer tanta coisa, como suportarás, então, o purgatório? De dois males sempre se deve escolher o menor. Para escapar dos suplícios futuros, trata de sofrer com paciência os males presentes, por amor de Deus. Julgas, acaso, que nada ou pouco sofrem os homens do mundo? Tal não encontrarás, nem entre os mais regalados.

3. Dirás, talvez, que eles têm muitos deleites e seguem a sua própria vontade, e por isso pouco lhes pesa a tribulação.

4. Seja embora assim, e tenham eles quanto desejam, mas quanto tempo achas que há de durar isso: Eis qual fumo se desvanecerão os abastados do século, nem lembrança restará de seus prazeres passados. E mesmo, enquanto vivem, não os fruem sem amargura, tédio e temor. Porquanto do próprio objeto de seus deleites muitas vezes lhes vem a dor que os castiga. E é justo que assim lhes suceda que encontrem amargura e confusão nos gozos que buscam e perseguem desordenadamente.

5. E quão breves, quão falsos, quão desordenados e torpes são todos os deleites do mundo! Mas os homens, na embriaguez e cegueira do espírito, não o compreendem; antes, como irracionais, por um diminuto prazer, nesta vida corruptível, dão a morte à sua alma. Tu, pois, filho, não sigas teus apetites, renuncia à própria vontade (Ecl 18,30); deleita-te no Senhor, e ele te dará o que teu coração anela (Sl 36,4).

6. Pois, se queres verdadeiras delícias e receber de mim consolação abundante, despreza todas as coisas mundanas e renuncia a todos os prazeres inferiores, e por recompensa terás copiosa consolação. Quanto mais te apartares do prazer que encontras nas criaturas, tanto mais suaves e eficazes consolações em mim acharás. Não o conseguirás, a princípio, sem alguma tristeza e trabalho na peleja, opor-se-á o costume inveterado, mas será vencido por outro melhor. Revoltar-se-á a carne, mas o fervor de espírito lhe porá freio. Perseguir-te-á a serpente antiga e te molestará, mas tu a afugentarás com a oração e, com o trabalho proveitoso, lhe trancarás a principal entrada.

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sábado, 20 de abril de 2013

Pedro falou pela boca de Francisco

Papa Francisco.
Em 451, houve o Concílio universal de Calcedônia, uma cidade perto de Constantinopla, a sede do império romano bizantino. Pairava no ar um grande conflito, a heresia monofisista (= uma natureza) que ensinava que Jesus não tinha a natureza humana, mas apenas divina.

Então, para dirimir o erro, o grande Papa Leão Magno (400-461) – aquele que parou Átila nas portas de Roma – enviou ao Patriarca de Constantinopla uma Carta famosa: “Tomus a Flaviano”, onde deixava claro, dogmaticamente, que em Cristo há duas naturezas distintas: humana e divina, harmoniosamente existentes na Pessoa divina do Verbo encarnado. Se Cristo não é certeiramente homem e verdadeiramente Deus, então, a Redenção não existiu.

Quando o legado do Papa no Concílio leu a Carta, os bispos aplaudiram e disseram: “Pedro falou pela boca de Leão”; e a questão se encerrou.

O Papa Francisco esses dias lembrou no Vaticano a “Igreja de mártires” do século XXI e pediu aos católicos que apresentem a sua fé sem cedências perante a sociedade, de forma corajosa. Ele vai canonizar no dia 12 de maio, o italiano Antonio Primaldo e cerca de 800 companheiros leigos, assassinados “por ódio à fé” a 13 de agosto de 1480, na cidade de Otranto, durante uma invasão das tropas turcas, e aprovou a publicação dos decretos que reconhecem o martírio de 62 católicos, assassinados na Espanha na Guerra civil espanhola de 1930, por causa da sua fé (Cidade do Vaticano, 06/04/13 – Ecclesia).

Disse o Papa na homilia da missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta, onde reside:

“Para encontrar mártires não é preciso ir às catacumbas ou ao Coliseu (de Roma): os mártires ainda existem, em muitos países. Os cristãos são perseguidos por causa da fé, nalguns países não podem usar a cruz, são punidos, se o fizerem. Hoje, no século XXI, a nossa Igreja é uma Igreja dos mártires”. O Papa alertou para a necessidade de não “cortar” ou “negociar a fé”, como se fosse possível “vendê-la a quem fizer a melhor oferta”, porque isso seria o começo do “caminho da apostasia, da não fidelidade ao Senhor”.

O Papa questionou os que colocam a sua fé “em água de rosas” e são “mornos”, frisando de novo que “a fé não se negocia”. “Sempre houve na história do povo de Deus, esta tentação de cortar um bocado da fé” e de fazer “como todos fazem”. É preciso viver a fé como “um dom que o Senhor faz a todos os povos” e pedir que ela seja “forte, corajosa”, principalmente nos momentos em que é preciso “torna-la pública”.

Pedro falou pela boca de Francisco!

Quando os sacerdotes e doutores da lei obrigaram a Pedro e os Apóstolos não anunciarem mais em Jerusalém o nome de Jesus, Pedro lhes disse: “Julgai vós mesmos se diante de Deus é justo que obedeçamos a vós e não a Deus! Quanto a nós, não nos podemos calar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4, 17-20).

Hoje Francisco fez ecoar as Palavras de Pedro.

Pedro falou pela boca de Francisco!

Demos graças a Deus!
 
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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Glória a Deus na alturas.

Paz e Bem.




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Discurso de S. Cirilo de Jerusalém, no I Concílio de Éfeso.

Por S. Cirilo de Jerusalém (Séc IV).
 
Salve, cidade de Éfeso, mais formosa que os mares, porque em vez dos portos da terra, marcaram encontro em ti os que são portos do céu! Salve, honra desta região asiática semeada por todos os lados de templos, como preciosas jóias, e consagrada, no presente, pelos benditos pés de muitos santos Padres e Patriarcas! Com sua vinda, cumularam-te de toda bênção, porque onde eles se congregam, aumenta e multiplica-se a santidade: religiosos fiéis, anjos da terra, afugentam eles, com sua presença, todo satânico poder e toda afeição pagã. Eles, repetimos, confundem toda heresia e são glórias de nossa fé ortodoxa.
 
Salve, bem-aventurado João, apóstolo e evangelista, glória da virgindade, mestre da honestidade. Salve, vaso puríssimo da temperança, a ti virgem, confiou, na cruz, nosso Senhor Jesus Cristo a Mãe de Deus, sempre virgem!
 
Salve, ó Maria, Mãe de Deus, virgem e mãe, estrela e vaso de eleição! Salve, Maria, virgem, mãe e serva: virgem, na verdade, por virtude daquele que nasceu de ti; mãe por virtude daquele que cobriste com panos e nutriste em teu seio; serva, por aquele que amou de servo a forma! Como Rei, quis entrar em tua cidade, em teu seio, e saiu quando lhe aprouve, cerrando para sempre sua porta, porque concebeste sem concurso de varão, e foi divino teu parto. Salve, Maria, templo onde mora Deus, templo santo, como o chama o profeta Davi, quando diz: "O teu templo é santo e admirável em sua justiça" (Sl 64). Salve, Maria, criatura mais preciosa da criação; salve, Maria, puríssima pomba; salve, Maria, lâmpada inextinguível; salve, porque de ti nasceu o sol da Justiça! Salve, Maria, morada da infinitude, que encerraste em teu seio o Deus infinito, o Verbo unigênito, produzindo sem arado e sem semente a espiga incorruptível! Salve, Maria, mãe de Deus, aclamada pelos profetas, bendita pelos pastores, quando com os anjos cantaram o sublime hino de Belém: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade" (Lc 2,14). Salve, Maria, Mãe de Deus, alegria dos anjos, júbilo dos arcanjos que te glorificam no céu! Salve, Maria, Mãe de Deus: por ti adoraram a Cristo os Magos guiados pela estrela do Oriente; salve, Maria, Mãe de Deus, honra dos apóstolos! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem João Batista, ainda no seio de sua mãe exultou de alegria, adorando como luzeiro a perene luz! Salve, Maria, Mãe de Deus, que trouxeste ao mundo graça inefável, da qual diz são Paulo: "apareceu a todos os homens a graça de Deus salvador" (Tt 2,1). Salve, Maria, Mãe de Deus, que fizeste brilhar no mundo aquele que é luz verdadeira, a nosso Senhor Jesus Cristo, que diz em seu Evangelho: "eu sou a luz do mundo!" (Jo 8,12). Deus te salve, Mãe de Deus, que iluminaste aos que estavam em trevas e sombras de morte; porque o povo que jazia nas trevas viu uma grande luz (Is 9, 2), uma luz não outra senão Jesus Cristo nosso Senhor, luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo (Jo 1,9). Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem se apregoa nos Evangelhos: "bendito o que vem em nome do Senhor!" (Mt 21,9), por quem se encheram de igrejas nossas cidades, campos e vilas ortodoxas! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o vencedor da morte e o destruidor do inferno! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o autor da criação e o restaurador das criaturas, o Rei dos céus! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem floresceu e refulgiu o brilho da ressurreição! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem luziu o sublime batismo de santidade no Jordão! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem o Jordão e o Batista foram santificados e o demônio foi destronado! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem é salvo todo espírito fiel! Salve, Maria, Mãe de Deus, - pois acalmaste e serenaste os mares para que pudessem nossos irmãos cooperadores e pais e defensores da fé, serem conduzidos, com alegria e júbilo espiritual, a esta assembléia de entusiásticos defensores de tua honra!
 
Também aquele que, levando cartas de perseguição, sendo derrubado pela luz do céu no caminho de Damasco, falou sobre ti e confirmou para o mundo a fé na Trindade consubstancial, de um só Senhor, de um só batismo; de um só Pai, um só Filho, um só Espírito Santo; da substância inseparável e simplicíssima; da divindade incompreensível do Senhor Deus de Deus, Luz de Luz, Esplendor da Glória, que nasceu de Maria Virgem, conforme o anúncio do Arcanjo: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, o Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e por isso o santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus vivo" (Lc 1,35). Não somente o sabemos pelo arcanjo Gabriel; também Davi, no vaticínio que canta diariamente a Igreja, nos diz: "O Senhor me disse: és meu filho; no dia de hoje te gerei" ( Sl 2,7). Já o sábio Isaías, filho do profeta Amós, profeta nascido de profeta, o predissera: "Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho e seu nome será Emanuel, que significa Deus conosco" (Mt 1,23).
 
Por isso todos os que formos fieis às Escrituras, seguindo os caminhos de Paulo, ouvindo as vozes dos profetas clamar-te-ão Bem aventurada.. Todos os que formos seguidores dos Evangelhos permaneceremos como disse o profeta: seremos como “oliveira fértil na casa de Deus” (Sl 51), glorificando a Deus Pai Todo Poderoso, a seu Filho UNIGÊNITO que nasceu de Maria e ao vivificante Espírito Santo, que se comunica a todos na vida; submissos aos fidelíssimos imperadores, honrando as rainhas, discretas e santas virgens, no seu amor à fé ortodoxa de Cristo de Jesus, nosso Senhor a quem se deve a glória pelos séculos dos séculos . Amém.
 
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terça-feira, 16 de abril de 2013

Homilia do Santo Padre Francisco




CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA - HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO

Basílica de São Paulo Extramuros - III Domingo de Páscoa, 14 de Abril de 2013.

Amados irmãos e irmãs, todos os dias o Senhor nos chama a segui-Lo corajosa e fielmente; fez-nos o grande dom de nos escolher como seus discípulos; convida-nos a anunciá-Lo jubilosamente como o Ressuscitado, mas pede-nos para o fazermos, no dia a dia, com a palavra e o testemunho da nossa vida. O Senhor é o único, o único Deus da nossa vida e convida-nos a despojar-nos dos numerosos ídolos e a adorar só a Ele. Anunciar, testemunhar, adorar. Que a bem-aventurada Virgem Maria e o apóstolo Paulo nos ajudem neste caminho e intercedam por nós. Assim seja.
 

Não devemos ser sábios segundo a carne.

São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone - São Francisco de Assis Assis / 5 de julho de 1182 - 3 de outubro de 1226).

Não devemos ser sábios segundo a carne.

Não devemos ser sábios e prudentes segundo a carne, mas antes sejamos simples, humildes e puros. E mantenhamos nossos corpos em opróbrio e desprezo, pois somos por nossa própria culpa míseros e cheios de podridão, asquerosos e vermes, segundo diz o Senhor pelo Profeta: “Eu sou um verme, já não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe”. Nunca devemos aspirar a sobrepor-nos aos outros, mas antes sejamos por amor de Deus os servos e “súditos de toda criatura humana”.

E todos os homens e mulheres que assim agirem e perseverarem até o fim verão “repousar sobre si o Espírito do Senhor”, e Ele fará neles sua moradia permanente, e eles serão filhos do Pai celestial, cujas obras fazem. E eles são esposos, irmãos e mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma crente está unida a Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está nos céus. Somos suas mães, se com amor e consciência pura e sincera o trazemos em nosso coração e nosso seio e o damos à luz por obras santas que sirvam de luminoso exemplo aos outros. Como é honroso e santo ter no céu em Pai! Como é santo, consolador e deleitável ter no céu um esposo! Como é santo, e como é querido, agradável, aprazível, humilde, tranquilizador  doce, amorável e sobre todas as coisas desejável ter tal irmão que entregou sua vida por suas ovelhas e por nós orou ao Pai, dizendo: Pai santo, guarda em teu nome os que me deste.

Pai, todos quantos no mundo me deste, eram teus, mas tu nos destes. E as palavras que me deste eu lhas dei a eles e receberam-nas e ficaram sabendo que em verdade saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. Rogo por eles, não pelo mundo. Abençoa-os e santifica-os. Também eu por causa deles me santifico a mim mesmo, para que eles sejam santificados para a união, como nós somos um. E quero, Pai, que, onde eu estiver, estejam eles comigo, para que vejam a minha glória no teu Reino.

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

São João Crisóstomo

Comentário ao Evangelho (João 6,22-29) feito por São João Crisóstomo (345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja.

«O alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará»

Os judeus comiam a refeição da Páscoa em pé, com as sandálias nos pés e o cajado na mão; comiam-na à pressa (cf Ex 12,11). Tu ainda tens mais razão para te manteres vigilante! Eles apressavam-se para partir para a Terra Prometida e comportavam-se como viajantes; tu encaminhas-te para o céu. É por isso que temos de estar sempre em guarda. [...] Os inimigos de Cristo bateram no Seu santíssimo corpo sem saberem o que faziam (cf Lc 23,34); e tu recebê-Lo-ias com a alma impura depois de tantos benefícios que Ele te fez? Pois Ele não Se contentou em Se fazer homem, em ser flagelado e morto; no Seu amor, quis também unir-Se a nós, identificar-Se connosco não apenas pela fé, mas realmente, pela participação no Seu próprio corpo. [...]

Considera a honra que recebes e a que mesa és conviva. Aquele que os anjos não vêem sem tremer, Aquele para Quem não ousam sequer olhar sem temor por causa do esplendor da glória que Lhe irradia da face, é Desse que fazemos nosso alimento, tornando-nos um só corpo e uma só carne com Ele. «Quem poderá contar as obras do Senhor e anunciar todos os Seus louvores?» (Sl 106,2) Que pastor alguma vez alimentou as suas ovelhas com a sua própria carne? [...] Acontece muitas vezes as mães confiarem os filhos a amas. Cristo não faz isso; Ele alimenta-nos com o Seu próprio sangue, torna-nos um só corpo com Ele.
 

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domingo, 14 de abril de 2013

Exortação à vida interior.


EXORTAÇÕES À VIDA INTERIOR

Da vida interior:

1. O reino de deus está dentro de vós, diz o Senhor (Lc 17,21). Converte-te a Deus de todo o coração, deixa este mundo miserável, e tua alma achará descanso. Aprende a desprezar as coisas exteriores e entrega-te às interiores, e verás chegar a ti o reino de Deus. Pois o reino de Deus é a paz e o gozo no Espírito Santo (Rm 14, 17), que não se dá aos ímpios.
Virá a ti Cristo para consolar-te, se lhe preparares no teu interior digna moradia. Toda a sua glória e formosura está no interior (Sl 44,14), e só aí o Senhor se compraz. A miúdo visita ele o homem interior em doce entretenimento, suave consolação, grande paz e familiaridade sobremaneira admirável.

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sábado, 13 de abril de 2013

Exortações à vida interior.


EXORTAÇÕES À VIDA INTERIOR
 
Como o amor-próprio afasta no máximo grau do sumo bem:
 
1. Jesus: Filho, cumpre que dês tudo por tudo, sem reservar-te a ti mesmo. Fica sabendo que teu amor-próprio te prejudica mais que qualquer coisa do mundo. Cada objeto mais ou menos te prende, segundo o amor e afeto que lhe tens. Se teu amor for puro, simples e bem ordenado, de nenhuma coisa serás escravo. Não cobices o que não te é lícito possuir, nem possuas coisa alguma que te possa impedir a liberdade interior ou dela privar-te. É de estranhar que te não entregues a mim, do íntimo do teu coração, com tudo que possas ter ou desejar.
 
Por que te consomes em vã tristeza? Por que te afanas em cuidados supérfluos? Conforma-te com a minha vontade e nenhum dano sofrerás. Se buscares isto ou aquilo, se desejares estar aqui ou ali, por tua comodidade ou teu capricho, nunca estarás quieto, nem livre de cuidados, porque em todas as coisas há algum defeito, e em todo lugar quem te contrarie.
 
De nada te serve, pois, adquirir ou acumular bens exteriores, mas muito te aproveita desprezá-los e desarraigá-los do coração. Isso não se entende somente do dinheiro e das riquezas, senão também da ambição das honras, e do desejo de vãos louvores porque tudo isso passa com o mundo. Pouco resguarda o lugar, se falta o espírito de fervor; nem durará muito tempo aquela paz procurada fora, se faltar ao teu coração o verdadeiro fundamento. Isto é, se não se firmar em mim. Mudar tu podes, mas não melhorar, porque, chegada a ocasião, e aceitando-a, encontrarás de novo aquilo de que fugiste e pior ainda.

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

São Francisco de Assis - Carta aos fiéis.

São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone - São Francisco de Assis / 5 de julho de 1182 - 3 de outubro de 1226).

CARTA AOS FIÉIS:

A data deste escrito é desconhecida. Possivelmente entre 1215 e 1233. É uma exortação do que propriamente uma carta. Não se dirige aos frades menores, pois as alusões à restituição dos bens excluem a hipótese. Também não pode ser a “todos os fiéis” sem distinção, pois aí se fala da obrigação de observar “os conselhos” do Senhor e da obediência recíproca “como cada qual prometeu ao Senhor”. Os destinatários serão, pois, cristãos, clérigos ou leigos, que levam uma vida religiosa mais intensa, e talvez ligados a Francisco de maneira particular. 

Aqui começa a carta de admoestação e exortação de nosso venerável pai São Francisco: 

Em nome do Senhor: do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A todos os cristãos que vivem religiosamente, clérigos e leigos, homens e mulheres, a todos os que habitam no mundo universo, Frei Francisco, de todos servo e vassalo, saúda com reverente dedicação e deseja a verdadeira paz do céu e sincera caridade no Senhor.

Sendo servo de todos, a todos devo servir as odoríferas palavras de meu Senhor. Por isso, considerando que não posso visitar a cada um em particular, por causa da enfermidade e debilidade do meu corpo, fiz o propósito de comunicar-vos por meio das presentes letras e de mensageiros as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Palavra do Pai, bem como as palavras do Espírito Santo, que são “espírito e vida”.

Que não devemos ser sábios segundo a carne:

Não devemos ser sábios e prudentes segundo a carne, mas antes sejamos simples, humildes e puros. E mantenhamos nossos corpos em opróbrio e desprezo, pois somos por nossa própria culpa míseros e cheios de podridão, asquerosos e vermes, segundo diz o Senhor pelo Profeta: “Eu sou um verme, já não sou homem, opróbrio de todos e a abjeção da plebe”. Nunca devemos aspirar a sobrepor-nos aos outros, mas antes sejamos por amor de Deus os servos e “súditos de toda criatura humana”.

E todos os homens e mulheres que assim agirem e perseverarem até o fim verão “repousar sobre si o Espírito do Senhor”, e Ele fará neles sua moradia permanente, e eles serão filhos do Pai celestial, cujas obras fazem. E eles são esposos, irmãos e mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma crente está unida a Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está nos céus. Somos suas mães, se com amor e consciência pura e sincera o trazemos em nosso coração e nosso seio e o damos à luz por obras santas que sirvam de luminoso exemplo aos outros. Como é honroso e santo ter no céu em Pai! Como é santo, consolador e deleitável ter no céu um esposo! Como é santo, e como é querido, agradável, aprazível, humilde, tranquilizador  doce, amorável e sobre todas as coisas desejável ter tal irmão que entregou sua vida por suas ovelhas e por nós orou ao Pai, dizendo: Pai santo, guarda em teu nome os que me deste.

Pai, todos quantos no mundo me deste, eram teus, mas tu nos destes. E as palavras que me deste eu lhas dei a eles e receberam-nas e ficaram sabendo que em verdade saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. Rogo por eles, não pelo mundo. Abençoa-os e santifica-os. Também eu por causa deles me santifico a mim mesmo, para que eles sejam santificados para a união, como nós somos um. E quero, Pai, que, onde eu estiver, estejam eles comigo, para que vejam a minha glória no teu Reino.

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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Santo Isaac - O Sírio

Comentário ao Evangelho (João 3,16-21) feito por Santo Isaac, o Sírio (século VII), monge em Nínive. 

«Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigênito»
O homem que se inflama por causa da verdade ainda não conheceu a verdade tal como ela é. Quando a conhecer verdadeiramente, deixará de se inflamar por causa dela. O dom de Deus e o conhecimento adquirido com esse dom nunca são motivos para nos perturbarmos ou elevarmos a voz, pois o lugar onde o Espírito mora com amor e humildade é um lugar onde só reina a paz. [...]

Se o zelo fosse útil para a correção dos homens porque Se teria Deus revestido dum corpo e empregado a suavidade e modos humildes para converter o mundo a Seu Pai? E porque Se teria Ele deixado pregar na cruz pelos pecadores e porque teria entregado o Seu santíssimo corpo ao sofrimento em favor do mundo? Digo que Deus o fez por uma única razão: dar a conhecer ao mundo o Seu amor, para que a nossa capacidade de amar, aumentada por tal constatação, se fizesse cativa de amor por Ele. Assim, o poder eminente do Reino dos Céus, que consiste no amor, encontrou modo de Se exprimir na morte de Seu Filho, [...] para que o mundo sinta o amor de Deus pela Sua Criação. Se esse gesto admirável tivesse como única razão de ser a remissão dos nossos pecados, teria sido suficiente outro modo de a realizar; pois quem a teria recusado se Ele tivesse morrido duma morte simples, sem mais? Mas Ele não quis uma morte simples, para que tu pudesses compreender qual é o mistério. [...]

Para que foram necessários os insultos e os escarros? [...] Oh sabedoria vivificante! Compreendeste agora e sentiste qual a razão da vinda de Nosso Senhor e tudo o que se lhe seguiu, antes mesmo de a Sua santa boca no-lo explicar claramente na Sua Pessoa. Com efeito está escrito: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigênito».

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terça-feira, 9 de abril de 2013

Amor e Perdão


O Amor e o Perdão não podem ser reduzidos a sentimentos e emoções, mas devem ser vividos com a convicção de que ambos são Deus. Impossível Amar sem o Perdão ou Perdoar sem o Amor. O Amor e o Perdão são a manifestação clara e fecunda de Deus entre os homens dos nossos dias. 

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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Papa Francisco - Homilia na festa da Divina Misericórdia

CAPELA PAPAL PARA A TOMADA DE POSSE DA CÁTEDRA DO BISPO DE ROMA - HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO

Basílica de São João de Latrão II - Domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia - 07/04/2013

Com alegria, celebro pela primeira vez a Eucaristia nesta Basílica Lateranense, a Catedral do Bispo de Roma. Saúdo a todos vós com grande afeto: o caríssimo Cardeal Vigário, os Bispos Auxiliares, o Presbitério diocesano, os Diáconos, as Religiosas e os Religiosos e todos os fiéis leigos. Saúdo também ao Senhor Presidente da Câmara Municipal e sua esposa e às restantes Autoridades. Caminhamos juntos na luz do Senhor Ressuscitado.

1. Hoje celebramos o Segundo Domingo de Páscoa, designado também «Domingo da Divina Misericórdia». A misericórdia de Deus: como é bela esta realidade da fé para a nossa vida! Como é grande e profundo o amor de Deus por nós! É um amor que não falha, que sempre agarra a nossa mão, nos sustenta, levanta e guia.

2. No Evangelho de hoje, o apóstolo Tomé experimenta precisamente a misericórdia de Deus, que tem um rosto concreto: o de Jesus, de Jesus Ressuscitado. Tomé não se fia nos demais Apóstolos, quando lhe dizem: «Vimos o Senhor»; para ele, não é suficiente a promessa de Jesus que preanunciara: ao terceiro dia ressuscitarei. Tomé quer ver, quer meter a sua mão no sinal dos cravos e no peito. E qual é a reação de Jesus? A paciência: Jesus não abandona Tomé relutante na sua incredulidade; dá-lhe uma semana de tempo, não fecha a porta, espera. E Tomé acaba por reconhecer a sua própria pobreza, a sua pouca fé. «Meu Senhor e meu Deus»: com esta invocação simples mas cheia de fé, responde à paciência de Jesus. Deixa-se envolver pela misericórdia divina, vê-a à sua frente, nas feridas das mãos e dos pés, no peito aberto, e readquire a confiança: é um homem novo, já não incrédulo mas crente.

Recordemos também o caso de Pedro: por três vezes renega Jesus, precisamente quando Lhe devia estar mais unido; e, quando toca o fundo, encontra o olhar de Jesus que, com paciência e sem palavras, lhe diz: «Pedro, não tenhas medo da tua fraqueza, confia em Mim». E Pedro compreende, sente o olhar amoroso de Jesus e chora... Como é belo este olhar de Jesus! Quanta ternura! Irmãos e irmãs, não percamos jamais a confiança na paciente misericórdia de Deus!

Pensemos nos dois discípulos de Emaús: o rosto triste, passos vazios, sem esperança. Mas Jesus não os abandona: percorre juntamente com eles a estrada. E não só; com paciência, explica as Escrituras que a Si se referiam e pára em casa deles partilhando a refeição. Este é o estilo de Deus: não é impaciente como nós, que muitas vezes queremos tudo e imediatamente, mesmo quando se trata de pessoas. Deus é paciente connosco, porque nos ama; e quem ama compreende, espera, dá confiança, não abandona, não corta as pontes, sabe perdoar. Recordemo-lo na nossa vida de cristãos: Deus sempre espera por nós, mesmo quando nos afastamos! Ele nunca está longe e, se voltarmos para Ele, está pronto a abraçar-nos.

Sempre me causa grande impressão a leitura da parábola do Pai misericordioso; impressiona-me pela grande esperança que sempre me dá. Pensai naquele filho mais novo, que estava na casa do Pai, era amado; e todavia pretende a sua parte de herança; abandona a casa, gasta tudo, chega ao nível mais baixo, mais distante do Pai; e, quando tocou o fundo, sente saudades do calor da casa paterna e regressa. E o Pai? Teria ele esquecido o filho? Não, nunca! Está lá, avista-o ao longe, tinha esperado por ele todos os dias, todos os momentos: sempre esteve no seu coração como filho, apesar de o ter deixado e malbaratado todo o patrimônio, isto é, a sua liberdade; com paciência e amor, com esperança e misericórdia, o Pai não tinha cessado um instante sequer de pensar nele, e logo que o vê, ainda longe, corre ao seu encontro e abraça-o com ternura – a ternura de Deus –, sem uma palavra de censura: voltou! Isto é a alegria do pai; naquele abraço ao filho, está toda esta alegria: voltou! Deus sempre espera por nós, não se cansa. Jesus mostra-nos esta paciência misericordiosa de Deus, para sempre reencontrarmos confiança, esperança! Um grande teólogo alemão Romano Guardini dizia que Deus responde à nossa fraqueza com a sua paciência e isto é o motivo da nossa confiança, da nossa esperança (cf. Glabenserkenntnis, Wurzburg 1949, p. 28). É uma espécie de diálogo entre a nossa fraqueza e a paciência de Deus – um diálogo, que, se entrarmos nele, nos dá esperança.

3. Gostava de sublinhar outro elemento: a paciência de Deus deve encontrar em nós a coragem de regressar a Ele, qualquer que seja o erro, qualquer que seja o pecado na nossa vida. Jesus convida Tomé a meter a mão nas suas chagas das mãos e dos pés e na ferida do peito. Também nós podemos entrar nas chagas de Jesus, podemos tocá-Lo realmente; isto acontece todas as vezes que recebemos, com fé, os Sacramentos. São Bernardo diz numa bela Homilia: «Por estas feridas [de Jesus], posso saborear o mel dos rochedos e o azeite da rocha duríssima (cf. Dt 32, 13), isto é, posso saborear e ver como o Senhor é bom» (Sobre o Cântico dos Cânticos 61, 4). É precisamente nas chagas de Jesus que vivemos seguros, nelas se manifesta o amor imenso do seu coração. Tomé compreendera-o. São Bernardo interroga-se: Mas, com que poderei contar? Com os meus méritos? Todo «o meu mérito está na misericórdia do Senhor. Nunca serei pobre de méritos, enquanto Ele for rico de misericórdia: se são abundantes as misericórdias do Senhor, também são muitos os meus méritos» (ibid., 5). Importante é a coragem de me entregar à misericórdia de Jesus, confiar na sua paciência, refugiar-me sempre nas feridas do seu amor. São Bernardo chega a afirmar: «E se tenho consciência de muitos pecados? “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20)» (ibid., 5). Talvez algum de nós possa pensar: o meu pecado é tão grande, o meu afastamento de Deus é como o do filho mais novo da parábola, a minha incredulidade é como a de Tomé; não tenho coragem para voltar, para pensar que Deus me possa acolher e esteja à espera precisamente de mim. Mas é precisamente por ti que Deus espera! Só te pede a coragem de ires ter com Ele. Quantas vezes, no meu ministério pastoral, ouvi repetir: «Padre, tenho muitos pecados»; e o convite que sempre fazia era este: «Não temas, vai ter com Ele, que está a tua espera; Ele resolverá tudo». Ouvimos tantas propostas do mundo ao nosso redor; mas deixemo-nos conquistar pela proposta de Deus: a proposta d’Ele é uma carícia de amor. Para Deus, não somos números; somos importantes, antes, somos o que Ele tem de mais importante; apesar de pecadores, somos aquilo que Lhe está mais a peito.

Depois do pecado, Adão sente vergonha, sente-se nu, sente remorso por aquilo que fez; e todavia Deus não o abandona: se naquele momento começa o exílio longe de Deus, com o pecado, também já existe a promessa do regresso, a possibilidade de regressar a Ele. Imediatamente Deus pergunta: «Adão, onde estás?» Deus procura-o. Jesus ficou nu por nós, tomou sobre Si a vergonha de Adão, da nudez do seu pecado, para lavar o nosso pecado: pelas suas chagas, fomos curados. Recordai-vos do que diz São Paulo: De que poderei eu gloriar-me senão da minha fraqueza, da minha pobreza? É precisamente sentindo o meu pecado, olhando o meu pecado que posso ver e encontrar a misericórdia de Deus, o seu amor, e ir até Ele para receber o seu perdão.

Na minha vida pessoal, vi muitas vezes o rosto misericordioso de Deus, a sua paciência; vi também em muitas pessoas a coragem de entrar nas chagas de Jesus, dizendo-Lhe: Senhor, aqui estou, aceita a minha pobreza, esconde nas tuas chagas o meu pecado, lava-o com o teu sangue. E sempre vi que Deus o fez: Deus acolheu, consolou, lavou e amou.

Amados irmãos e irmãs, deixemo-nos envolver pela misericórdia de Deus; confiemos na sua paciência, que sempre nos dá tempo; tenhamos a coragem de voltar para sua casa, habitar nas feridas do seu amor deixando-nos amar por Ele, encontrar a sua misericórdia nos Sacramentos. Sentiremos a sua ternura maravilhosa, sentiremos o seu abraço, e ficaremos nós também mais capazes de misericórdia, paciência, perdão e amor.

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sábado, 6 de abril de 2013

Papa Francisco - O Santo Sudário


MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO NA OSTENSÃO DO SANTO SUDÁRIO. 

Amados irmãos e irmãs,

Juntamente convosco coloco-me também eu diante do Santo Sudário, e agradeço ao Senhor por esta possibilidade que nos oferecem os instrumentos de hoje.

Embora realizado desta forma, o nosso ato de presença não é uma simples visão, mas uma veneração: é um olhar de oração. Diria mais: é um deixar-se olhar. Este Rosto tem os olhos fechados – é o rosto de um defunto – e todavia, misteriosamente, olha-nos e, no silêncio, fala-nos. Como é possível? Por que motivo quer o povo fiel, como vós, deter-se diante deste Ícone de um Homem flagelado e crucificado? Porque o Homem do Sudário nos convida a contemplar Jesus de Nazaré. Esta imagem – impressa no lençol – fala ao nosso coração e impele-nos a subir o Monte do Calvário, a olhar o madeiro da Cruz, a mergulhar-nos no silêncio eloquente do amor.

Deixemo-nos, pois, alcançar por este olhar, que não procura os nossos olhos, mas o nosso coração. Ouçamos o que nos quer dizer, no silêncio, ultrapassando a própria morte. Através do Santo Sudário, chega-nos a Palavra única e última de Deus: o Amor feito homem, encarnado na nossa história; o Amor misericordioso de Deus, que tomou sobre Si todo o mal do mundo para nos libertar do seu domínio. Este Rosto desfigurado parece-se com muitos rostos de homens e mulheres feridos por uma vida não respeitadora da sua dignidade, por guerras e violências que se abatem sobre os mais frágeis... E no entanto o Rosto do Sudário comunica uma grande paz; este Corpo torturado exprime uma soberana majestade. É como se deixasse transparecer uma energia refreada mas poderosa, é como se nos dissesse: tem confiança, não percas a esperança; a força do amor de Deus, a força do Ressuscitado tudo vence.

Por isso, contemplando o Homem do Sudário, faço minha, neste momento, a oração que São Francisco de Assis pronunciou diante do Crucifixo:

Deus altíssimo e glorioso, iluminai as trevas do meu coração.
E dai-me fé reta, esperança certa e caridade perfeita, juízo e conhecimento, Senhor, para cumprir o vosso mandamento santo e verdadeiro. Amém.

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Padre Francesco Bemonte

Padre Francesco Bemonte - Presidente da Associação Internacional de Exorcistas. São Pio de Pietrelcina, como também o beato carmelita e...